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Dinossauro achado no Brasil foi pioneiro em ‘visual chamativo’ como dos pavões

Compartilhe:     |  17 de dezembro de 2020

Há cerca de 110 milhões de anos, quando nem o Brasil e muito menos o carnaval existiam, um pequeno dinossauro vivendo na região do Crato, Ceará, parece ter antecipado a exuberância da festa que torna o país famoso mundialmente.

Descrita nesta segunda-feira (14/12) no periódico científico Cretaceous Research, a espécie Ubirajara jubatus se destaca como um dos dinossauros com aparência mais elaborada já descritos e ajuda a entender como “aves, tais quais os pavões, herdaram sua capacidade de se exibir”, segundo os autores do estudo.

Do tamanho aproximado de uma galinha, a nova espécie revelada pelos cientistas tinha uma crina ao longo do dorso e um par de “fitas” alongadas e rígidas provavelmente saindo do ombro — características nunca vistas antes em fósseis de dinossauros.

Estas fitas não são escamas, pelos ou penas como conhecemos, mas estruturas provavelmente únicas deste animal — apesar de semelhantes ao do pássaro Semioptera wallacii.E para que tanto capricho? De acordo com os pesquisadores — atuando na Alemanha, Inglaterra e México —, possivelmente a aparência chamativa tinha a função de atrair parceiros ou intimidar inimigos.

“Para muitos animais, o sucesso evolutivo vai além de apenas buscar a sobrevivência — é preciso ter uma boa aparência para passar seus genes para a próxima geração”, explicou em um comunicado à imprensa Robert Smyth, da Universidade de Portsmouth, na Inglaterra.

“As aves modernas são conhecidas por sua plumagem elaborada e por detalhes chamativos que são usados para atrair parceiros — as caudas do pavão e da ave-do-paraíso macho são exemplos clássicos disso. O Ubirajara nos mostra que esta tendência de ‘se exibir’ não é apenas uma característica das aves, mas algo que elas herdaram de seus antepassados dinossauros.”

Duas imagens de fóssil inserido em rocha

Os resultados publicados na Cretaceous Research tiveram como base um fóssil parcialmente preservado encontrado no Crato e levado para a Alemanha em 1995, onde atualmente faz parte do acervo do Museu Estadual de História Natural Karlsruhe.

Segundo os pesquisadores, o material foi encontrado em uma pedreira entre Nova Olinda e Santana do Cariri e teve exportação autorizada pelo Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) do Brasil.

A equipe de cientistas explicou que a espécie foi batizada com a palavra em tupi Ubirajara, que remete a algo como senhor da lança — em referências às “fitas” que marcam o dinossauro; e com a palavra jubatus, do latim, que significa crina.

Esta, inclusive, provavelmente era controlada por músculos que permitiam que ela fosse eriçada, ajudando sua movimentação e disfarce quando necessário.

Vivendo no período Cretáceo, o Ubirajara jubatus faz parte da subordem de dinossauros Theropoda e é “parente” do dinossauro jurássico Compsognathus, encontrado na Europa.

O fóssil apresentado na Cretaceous Research era de um Ubirajara jubatus jovem e possivelmente macho, e marca também o primeiro dinossauro não-aviário encontrado no Crato, formação geológica no Brasil conhecida mundialmente por ter revelado vários fósseis relevantes para a paleontologia.



Fonte: BBC Brasil



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