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Do Brasil para Beirute: pesquisadores do Ceará querem enviar pele de tilápia para tratar queimadura

Compartilhe:     |  10 de agosto de 2020

Um grupo de pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC) está trabalhando para viabilizar o envio de 40 mil cm² de pele de tilápia (todo o estoque do Projeto Pele de Tilápia) para ajudar as vítimas da megaexplosão que ocorreu na capital libanesa no último dia 4.

O material que, segundo estudos é eficaz no tratamento de queimaduras, poderia ser usado para tratar as cerca de 5 mil pessoas que ficaram feridas no acidente. Dado que tratamentos de queimaduras são feitos com pele humana, mas que bancos desse material são realmente raros no mundo, a pele de tilápia poderia ser uma alternativa, embora haja burocracia e outros problemas.

Ocorre que a pele da tilápia é ainda um produto experimental, está em fase de avaliação e ainda não foi autorizado pela Anvisa. Por isso, o envio não é certo.

Como informa o Diário do Nordeste, para fazer com que o material chegue ao Líbano, é necessário que haja interesse de ambos os países na cooperação. Por isso, os pesquisadores brasileiros estão tentando viabilizar o envio, sensibilizando as autoridades brasileiras.

“Como é um material de pesquisa, os ministérios da Saúde dos dois países precisam se contactarem e autorizarem o envio e o uso. Mas a pesquisa já está bem avançada e os resultados de efetividade de efeito já são comprovados e publicado em artigos nacionais e internacionais”, explica Felipe Rocha, biólogo e pesquisador do projeto.

Como funciona o tratamento

Estudos indicam o potencial terapeutico da pele de tilápia no tratamento de queimaduras de 2° e 3° graus, por seus efeitos regenerativo e anestésico.

O método de tratamento desenvolvido pelos médicos cearenses é pioneiro no mundo.

“No Brasil, para tratar queimaduras, usamos normalmente um creme com efeito de 24 horas. Todos os dias, é preciso trocar o curativo, tirar o creme, enxaguar a área queimada, colocar o creme novamente e fazer um novo curativo”, explica Edmar Maciel, cirurgião plástico e presidente do Instituto de Apoio ao Queimado (IAQ), que desenvolveu o procedimento. “Isso acaba sendo muito trabalhoso, custoso e doloroso”, acrescenta.

Como um protetor natural, a pele do peixe é colocada sobre a queimadura ali permanecendo por vários dias, sem que haja a necessidade da constante e dolorida troca do curativos.

Fonte fotos: Sanarmed

Problema ambiental

A tilápia está no topo da lista dos peixes de água doce mais criados e comercializados no Brasil. Somos um dos maiores produtores dessa espécie. Ocorre que, infelizmente, como se poderia imaginar, a tilapicultura é uma ameaça ao meio ambiente, como alerta o professor coordenador do Laboratório de Ecologia de Peixes e Invasões Biológicas da UEL, Mário Orsi.

“Em um estudo que realizamos em um rio barrado, constatamos que, após a instalação de tanques de tilápia na região, 11 de 14 espécies nativas foram extintas”, revela o biólogo.

É preciso considerar todos esses aspectos para que a pele do peixe venha a ser uma alternativa não só eficaz como viável, talvez usando o descarte e não fomentando ainda mais uma piscicultura que possa ser problemática para o meio ambiente.



Fonte: Greenme - Daia Florios



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