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Doce de pétalas de rosas é tradição grega excelente para os intestinos

Compartilhe:     |  23 de setembro de 2014

É um dia especial em toda a Grécia. O que faz senhoras usarem a melhor roupa e saírem de casa tão cedo em Icaria?

Dona Evangelia, 101 anos, veio com o filho. E lá vem dona Ana, de 85. muito elegante. Ela pergunta para a repórter do Globo Repórter se ela fala inglês e vai logo dizendo: “Eu não fumo, eu não bebo, eu durmo as minhas oito horas e eu como a minha comida normal, minha comida orgânica”.

Ao ser perguntada se ela faz sexo, ela responde e solta uma sonora gargalhada. É dia de eleições regionais. Dona Zafira, 83 anos, diz que é preciso votar. “Enquanto podemos e conseguimos caminhar. Devemos exercitar também nossos direitos”, diz ela.

Dona Antíopi e o marido Alexandros vivem em Icaria, a ilha grega da longevidade, e mostram como fazer o doce de rosas. As pétalas são escolhidas e depois fervidas com água e açúcar. Ela conta que é um tipo especial de rosas que nasce em maio, excelente para os intestinos.

“Um poderoso laxante. É como um remédio. Quem precisa toma uma colherinha pela manhã. É gostoso, mas não dá para comer muito. Afinal, é comida e remédio. As vovós e as mamães sempre faziam, faz muito tempo”, conta Antiopi Koufadaki, aposentada.

Antigas receitas são a grande preocupação do antropólogo Nikos Psilakis. Ele é um dos maiores estudiosos da cultura de Creta e o interesse principal é a comida. “Os livros sobre a culinária não são apenas um simples elenco de receitas, mas também um marco do estilo de vida e tradições do passado”, diz ele.

Uma riqueza de receitas difícil de encontrar em outros lugares. Eles nos levam para conhecer uma padaria no mercado de Heraclion. Ali, entre pães, biscoitos e massas doces, começamos a descobrir, uma série de tradições que a religião cristã deu aos gregos. Existe um pão doce feito com queijo para época da Páscoa, que se fazia antigamente só na época da Páscoa e agora se faz sempre.

A religião está na origem de muitos pratos que são consumidos até hoje em toda a Grécia. Os cristãos gregos seguem a doutrina ortodoxa. São regras religiosas mais rígidas. Uma delas restringe o consumo de carne nas quartas e nas sextas-feiras.

Os fiéis precisaram criar receitas para compensar a falta da proteína animal.

A pesquisadora Antonia Trichopoulou estudou a dieta tradicional em um estudo populacional que avaliou 30 mil gregos dos anos 90 até hoje.

Ela avaliou as comidas que foram inventadas ao longo dos séculos para seguir a orientação ortodoxa.

“Nós analisamos os micronutrientes, vitaminas, vários elementos. O que este menu oferece está em total acordo com o que prega a Organização Mundial da Saúde e com as orientações da Comissão Europeia. O que me surpreende é a engenhosidade para desenvolver opções, o uso de produtos bem simples”, diz Antonia Trichopoulou, nutricionista da Universidade de Atenas.

Com muito pouco, o povo grego conseguiu desenvolver grandes sabores.



Fonte: Globo Repórter



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