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Doses de paracetamol em excesso podem levar à morte, alerta o hepatologista Carlos Terra

Compartilhe:     |  1 de julho de 2015

Nesta época do ano, em que gripes e resfriados costumam atacar, é ainda mais comum recorrer ao paracetamol para aliviar dores e febres. Vendida em comprimidos e em gotas, a substância também está presente em medicamentos compostos (comercializados na forma de chás, inclusive) que prometem aplacar o desconforto causado por essas doenças. Não atentar para as fórmulas leva, muitas vezes, à ingestão acidental de paracetamol em quantidade maior do que a dose máxima diária, o que pode causar insuficiência do fígado e a morte.

Para adultos, o limite é de quatro gramas (ou oito comprimidos de 500 mg). Já para crianças, a administração da substância não pode ultrapassar 75 mg por quilo de peso em um dia. O problema é que fatores de risco como viroses e desidratação potencializam o efeito hepatotóxico do medicamento, o que pode tornar perigosas mesmo doses menores do que essas.

— Mesmo sendo de venda livre, o paracetamol não é isento de riscos. Tomar isso ao bel-prazer pode acarretar danos graves. Alguma orientação médica é necessária — alerta o hepatologista Carlos Terra, presidente do Grupo de Fígado do Rio de Janeiro (GFRJ) e professor adjunto da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), que defende a comercialização do paracetamol com exigência da receita.

Para o professor de infectologia Edimilson Migowski, diretor do Instituto de Pediatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a prescrição da substância só é válida para pacientes com alergia à dipirona e ao ibuprofeno.

— Estudos mostram que os dois são mais seguros e eficazes do que o paracetamol nas ações analgésica e antitérmica — afirma o especialista.

Médico não indica remédio contra a dengue

Segundo Edimilson Migowski, o paracetamol é o analgésico e antitérmico mais perigoso para o fígado. Nos EUA e na Europa, a utilização negligente do medicamento é a principal causa de insuficiência hepática.

— O paracetamol serve para aliviar sintomas, não para tratá-los. Por isso, deve ser usado de forma comedida — diz o médico.

A administração do remédio para pacientes com dengue é criticada por Migowski, diferentemente do que indica o Ministério da Saúde. De acordo com o infectologista, ainda não há pesquisas que comprovem a eficácia e a segurança do paracetamol em casos da doença:

— De 80% a 100% dos pacientes com dengue sofrem alguma lesão hepática. Isso faz parte do quadro clínico, mas pode ser agravado pelo remédio. Quando ocorre morte pela falência do fígado, às vezes a doença leva a culpa que deveria recair sobre a medicação.



Fonte: Extra - Camilla Muniz



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