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É necessário ressignificar o Natal e estender a compaixão à mesa

Compartilhe:     |  22 de dezembro de 2020

Segundo ativistas com diminuição do poder de compra do brasileiro causado pela covid-19, retirar o estigma da carne como prato principal na ceia de natal se torna urgente.

O Natal sem dúvida é uma das celebrações de fim ano mais esperadas. Não há um consenso histórico quanto a sua origem, tendo ela diferentes significados dependendo do local, sociedade e religiosidade que se vive

Entretanto, algo que é comum entre todas as formas de vivenciar essa data são os banquetes preparados exclusivamente para essa festividade. Nas mesas é quase unânime a presença da carne animal. Seja em comerciais de televisão, nos seriados ou nos filmes, a carne é colocada como ponto central de toda esta celebração. Mas essa é uma visão extremamente nociva, não só pela morte e sacrifício de milhares de animais, mas também para os seres humanos.  

Com a pandemia de Covid-19, percebeu-se no mundo inteiro uma mudança de hábitos, no qual o consumo da carne diminuiu drasticamente. Só no Brasil, a redução de consumo foi de quase 50% em 2020, de acordo com levantamento realizado pelo The Good Food Institute junto ao Ibope. Além disso, notou-se um aumento na busca por produtos alimentícios veganos ao redor do globo. 

Para Diego Souza, empreendedor e co-fundador da empresa Empório Veggie que atua desde 2018 produzindo comida vegana congelada, houve um “despertar alimentar”, no qual muitas pessoas têm repensado seus hábitos de consumo e tornando-se mais conscientes para as questões do planeta. E reitera que uma dieta à base de vegetais: “tem que ser saudável, se não perde o seu conceito por trás” e o mesmo em uma ceia de Natal: “Dá pra fazer muita coisa legal. Eu acho que o Natal é um momento muito mais de interiorização. Independente da sua ceia ser de uma empresa que produz comida que já vai vir prontinho ou se você vai fazer sua lentilha, seu grão de bico”. É nesta época do ano que Souza percebe uma procura ainda maior pelos produtos que oferece e recentemente lançou um cardápio específico para ceia de Natal vegana.

Na visão de Paula Margarido advogada e ativista da ONG Mercy For Animals Brasil, o ideal seria que pudéssemos ressignificar a alimentação, especialmente nas ceia de Natal: “Trazer o veganismo para dentro da casa das pessoas é exatamente dar essa tranquilidade para as famílias, para que elas possam comer arroz, feijão e salada e saber que essa é uma refeição completa! Por que a carne ainda é um sinal de fartura, que quando tem carne na mesa é um sinal de que aquela família caminha bem”, pontua. 

Margarido acredita que é necessário quebrar o estigma de que carne na mesa é sinônimo de bem-estar social: “[Seria] muito legal que as pessoas pudessem dizer: ‘Eu estou bem, porque eu tenho acesso à informação nutricional e sei que essa é uma refeição completa e eu não preciso ter medo disso’ “, completa.

Apesar da diminuição do consumo e a busca por alimentos veganos terem aumentado durante a pandemia, os brasileiros viram sua renda diminuir drasticamente. Setores da indústria e comércio, tiveram reduções de jornada, salário e até mesmo suspensão de contrato de trabalho. Para muitas pessoas o resultado não foi outro além do desemprego, que segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estáticas (IBGE) alcançou a marca recorde de 14,6% no terceiro trimestre, atingindo mais de 14,1 milhões de brasileiros. 

Para muitas pessoas, o cenário da pandemia tornou mais evidente também um problema endêmico no país, a fome que atinge mais de 3 milhões de pessoas, de acordo com IBGE. Para Bruna Nascimento, nutricionista da ONG Mercy For Animals e pós-graduanda em Direitos Humanos, Responsabilidade Social e Cidadania Global pela PUC-RS, a perda de renda agravada pela pandemia “afeta diretamente as condições de acesso e de qualidade de alimentação da população” e que o aumento pela busca de produtos alimentícios veganos não é de se comemorar muito, porque “infelizmente essa mudança está sendo significativa apenas para quem tem poder de escolha”.

É por isso que para Ananta Martins empreendedora co-fundadora da Feira Comida de Boteco Vegana e ativista pela causa animal, pensar em veganismo é pensar em simplicidade: “Nesta pandemia, muitas pessoas deixaram de consumir a carne por conta da questão econômica e muitas pessoas falaram para mim ‘Ai Ananta me ajuda!’. E eu me coloco à disposição ‘O que tem na sua geladeira? O que você gosta mais de comer? Então vamos fazer, vamos transformar!’”. Para a empreendedora, optar por feiras de rua é garantia de preços mais baixos e alimentos nutritivos para as ceias de Natal: “O meu gasto com os alimentos é realmente muito baixo. Eu lido muito com a feira, no horário da “xepa” e [com] cereais”. 

Ananta Martins e sua equipe da Feira Comida de Boteco Vegana. Da esq. p/ dir.: Harinama e sua filha Emilia, Ananta Martins, Layla e João | Foto: Arquivo pessoal

De acordo com a nutricionista Bruna Nascimento, alimentos de origem vegetal que são facilmente encontrados em feiras de rua são “ótimas fontes de oxidantes, fibras e nutrientes importantes, têm baixa gordura saturada e zero colesterol”. Além disso, para ela, realizar uma ceia de natal sem alimentos de origem animal é mais fácil e mais barato do que se imagina: “É possível fazer uma ceia de fim de ano completa, nutritiva e saborosa gastando muito menos do que seria gasto em uma ceia convencional. Existem algumas substituições simples que são super gostosas e muito mais acessíveis”. 

Dentre diversas possibilidades do que cozinhar e encomendar, a ANDA selecionou para você algumas opções para compor sua ceia de natal livre crueldade animal e de acordo com sua realidade:

Para fazer em casa

Salpicão (Pode ser feito com não-carne  de soja, não-carne de jaca ou tofu defumado)

Assado de grão-de-bico recheado com farofa e legumes

Torta veganas cremosas 

Batatalhoada

Bolo de Banana vegano 

Assado de não-carne de jaca

Quiche de alho poró e brócolis 

Batata assada com alho, azeite e alecrim

Frutas da época e cereais como: nozes, castanhas e sementes

Torta gelada de chocolate e nozes 

Além dessas receitas, você pode encontrar outras no e-book de receitas de fim de ano organizado pela nutricionista Bruna Nascimento da ONG Mercy For Animals.

Para comprar

Sorvete vegano da @iguanasorveteria

Panetones e chocotones, bolos e tortas doces veganas da @babiloniavegan

Ceia de natal completa na @emporioveggie.



Fonte: Anda - Bianca Sales



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