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É preciso criar política para evitar sobrepesca nas águas profundas dos oceanos

Compartilhe:     |  8 de outubro de 2016

Não é um fenômeno recente, mas a variedade de peixes que tem aparecido nas feiras livres parece estar aumentando. E não são apenas as espécies que têm se proliferado, mas a origem delas: vêm de países cada vez mais diferentes. Tem Merluza da Argentina, Polaka do Alaska, Pangra do Vietnam. Os preços também mudam bastante, o sabor é diferente. Nada nem parecido com a época em que se saía para comprar um peixe e as opções eram bem poucas: quem tinha mais dinheiro podia escolher um salmão, um bacalhau, enquanto o pessoal do pé da pirâmide não conseguia ir além da sardinha ou da tainha.

Fiquei me perguntando o que mais, além da abertura das importações que começou a mudar a vida dos brasileiros na década de 90 e além da globalização, está contribuindo para essa fartura de oferta de peixes. Na minha pesquisa, via internet, encontrei um vídeo interessante, que compartilho com vocês, produzido pela equipe da revista britânica “The Economist” (assista aqui, em inglês). Pode não ser a explicação definitiva para a diversificação das para a diversificação das espécies marinhas em nossas mesas, mas não dápara desprezar como um dado que pode ajudar a refletir sobre o tema.

Para começar, uma informação: o oceano cobre três quartos do planeta e é o maior ecossistema, contendo 1,3 bilhões de quilômetros cúbicos de água. Além disso, os seres marinhos produzem mais da metade do oxigênio do planeta. Só isso já indicaria mais atenção, por parte das autoridades competentes, sobre esse vastíssimo território. As florestas, vítimas do desmatamento que acaba com nossa biodiversidade na terra, têm sido alvo de mais cuidados por quem pode mobilizar a opinião pública. Mas ainda são poucos os olhares que buscam soluções, como seria necessário, também para os seres marinhos.

O documentário, com pouco menos de 5 minutos de duração, foi produzido sob o formato de desenho animado e é quase lúdico. Eu disse “quase”. Porque o recado é sério e muito direto: “Fizemos este filme para incentivar você a pagar um pouco mais pelo peixe que come”, diz o locutor. É importante lembrar que o filme é feito para ser visto por moradores de países ricos, do Hemisfério Norte.

A história é a seguinte: segundo pesquisa feita pela equipe do documentário, 64% dos oceanos são águas profundas e não estão sob jurisdição de nenhum governo. Antes do fim da II Guerra, ou seja, há cerca de 60 anos,eram poucos os que se aventuravam a pescar em águas profundas. Com o fim do conflito e a necessidade de aquecer a economia, em parte para ajudar as pessoas a se esquecerem dos horrorespelos quais foram obrigadas a passar, grandes empresas passaram a receber incentivos dos governos para pescar em águas profundas. E aí começou a encrenca.

“Graças à tecnologia, hoje há uma quantidade maior de embarcações nas águas profundas e a quantidade de peixes pescados nesses locais é 40 vezes maior do que era há 60 anos. O número de atuns, por exemplo, é sessenta vezes menor do que era naquela época,e 90% dos diferentes tipos de peixes estão sendo explorados no limite ou além do limite sustentável”, diz o locutor.

Oito bilhões de dólares por ano são investidos nesse tipo de pesca predatória, sobretudo em combustíveis. Com isso, mais e mais barcos de grandes empresas são vistos na perseguição aos peixes. E, como só podia acontecer, a quantidade de peixes está diminuindo cada vez mais. Nós, consumidores, ainda não estamos percebendo isso, mas os pescadores estão. Assim como os ambientalistas.

Mas o vídeo da “The Economist” vai além da constatação do estresse subaquático, e sugere solução. É hora de ter políticas voltadas para a sobrepesca em águas profundas, e essa é a campanha que a revista decidiu abraçar.

“Em vez de pagar altos subsídios para pescar em águas profundas, os governos ricos poderiam pagar para que pescadores locais fizessem uma pesca sustentável, sem precisar chegar tão longe para obter seu produto. Eles poderiam ter mais reservas marinhas, o que poderia criar uma área para que também os peixes pudessem respirar”, diz o locutor no vídeo.

Acontece que essa não será uma medida fácil porque os países ricos terão que investir pesado em equipamentos para coibir a sobrepesca. E os preços dos peixes subiriam, com certeza. Já os países pobres, esses sim vão lucrar quase tanto quanto os peixes, porque se não houver sobrepesca, isso vai fazer com que sobre mais peixe para outras costas. Lá haverá abundância e, consequentemente, os preços cairão. Bem, pelo menos essa é a lógica que está sendo veiculada no documentário.

Foi só depois que assisti e decidi compartilhar com vocês que li a notícia de que o planeta rochoso descoberto na Proxima Centauri pode estar coberto de oceanos. A descoberta do Centro Nacional de Pesquisa Científica da França pode não ser uma boa notícia para o planeta, que recebeu o nome de Proxima b. Se os humanos, que já depredaram o que podiam aqui na Terra, tiverem uma chance de chegar lá, é melhor cuidar daquele espaço…



Fonte: G1 - Nova Ética Social - Amelia Gonzalez



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