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El Niño matou mais 90% de algumas colônias do coral-de-fogo na Costa do Descobrimento

Compartilhe:     |  14 de julho de 2019

O aumento da temperatura média da água nos recifes de corais na Costa do Descobrimento, na Bahia, causado pelo fenômeno El Niño, elevou a mortalidade de algumas espécies desses organismos a níveis nunca registrados antes. Um levantamento, realizado pelo Projeto Coral Vivo, constatou que o índice mortes do coral-de-fogo (Millepora alcicornis) ultrapassou 90%, em alguns recifes da região.

O El Niño de 2018-2019 foi mais prolongado e as águas ficaram mais aquecidas do que em 2015-2016. A temperatura do mar na Costa do Descobrimento chegou a 31,4ºC em recifes mais rasos. A média entre janeiro e maio deste ano ficou em 29,6ºC, 2,6ºC mais alta do que a registrada no mesmo período de 2018. “Também observamos um aumento de quase 15% da radiação solar incidente na região durante a ocorrência do evento”, informa, por meio de sua assessoria de imprensa, o zootecnista Carlos Henrique Lacerda, coordenador regional de pesquisas do Projeto Coral Vivo, programa patrocinado pela Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental.

Colonias de coral-de-fogo já apresentavam branqueamento em fevereiro neste monitoramento do Coral Vivo. Foto: Divulgação/Coral Vivo.

De acordo com ele, como as temperaturas se mantiveram elevadas até junho, os corais-de-fogo começaram a morrer em maio. Além disso, em 2019, pela primeira vez no Brasil, foi observada e registrada a mortalidade de colônias e recrutas também de outras espécies, por causa do El Niño. É o caso da Agaricia humilis e da Favia gravida, que vivem em recifes mais rasos, próximos à costa. Apesar de serem espécies consideradas tolerantes ao estresse térmico, apresentaram uma elevada porcentagem de branqueamento, variando entre 60% e 80%, com perdas acima de 50% no número de colônias e recrutas.

O El Niño também causou danos aos corais em outros locais da costa brasileira. Em São Paulo, foi observado um branqueamento de 80% das colônias e mortalidade de 2%. Os efeitos do fenômeno nos recifes de Tamandaré, em Pernambuco, entre 1998 e 1999, também foram severos. Mas neste caso, as colônias se recuperaram depois, embora lentamente, por causa da adoção de várias medidas de manejo e conservação, incluindo legislação específica de proteção com a criação de áreas de preservação e a redução de impactos diretos, com envolvimento da comunidade local.



Fonte: ((o))Eco - Por Evanildo da Silveira



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