Espécies em Extinção

Elefante africano da floresta corre risco de extinção

Compartilhe:     |  28 de março de 2021
Elefante africano da floresta corre risco de extinção

Dos jóvenes elefantes de la selva, 11 de abril de 2019 en la reserva Dzanga Sangha, en la República Centroafricana – AFP/Arquivos

A destruição de seu hábitat e os caçadores furtivos dizimaram a população de elefante-da-floresta (ou elefante africano da floresta), e a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês) afirma que estão em risco de extinção.

O Loxodonta cyclotis é menor do que seu primo das savanas e vive, principalmente, na selva da África Central e Ocidental. Em 30 anos, viu sua população diminuir em 86% e, agora, é considerado em perigo crítico de extinção, alertou a IUCN nesta quinta-feira, em uma atualização de sua lista vermelha de espécies ameaçadas.

A população de elefantes-da-savana (Loxodonta africana) diminuiu pelo menos 60% nos últimos 50 anos e é classificada como “em perigo”.

A IUCN faz, agora, uma distinção entre as duas espécies de elefantes encontradas no continente. A classificação das duas “destaca as pressões constantes, que estes emblemáticos animais têm de enfrentar”, afirma Bruno Oberle, diretor-geral da organização, uma das principais ONG mundiais que trabalham pela conservação da biodiversidade.

Há 50 anos, cerca de 1,5 milhão de elefantes percorriam toda África. De acordo com o censo mais recente de grandes mamíferos, em 2016, caiu para 415.000.

– Alerta! –

“São quedas realmente acentuadas”, diz à AFP Benson Okita Ouma, da ONG Save the Elephants e copresidente do grupo de especialistas em elefantes africanos da IUCN.

Essa redução deve “disparar o alarme”, afirma, embora o próximo censo não seja esperado para antes de 2021, ou mesmo 2023.

Os elefantes não vão desaparecer da África da noite para o dia, segundo ele, mas “essa classificação deve servir de alerta de que, se não mudarmos o curso das coisas, teremos boas chances de ver esses animais afetados de extinção”.

Com base no estudo do genoma, os especialistas estimam que é melhor tratar em separado as duas espécies de elefantes africanos – e há uma terceira na Ásia -, de acordo com a IUCN.

Atualmente, os elefantes-da-floresta ocupam apenas 25% de seu território original, e suas populações mais importantes se encontram no Gabão e no Congo. O elefante-da-savana prefere um hábitat mais aberto, na África Subsaariana.

– Caça predatória intensiva –

O declínio no número de animais de ambas as espécies se acelerou desde 2008, quando a caça furtiva por presas de marfim se intensificou, atingindo seu auge em 2011. E, embora o fenômeno tenha perdido intensidade, continua ameaçando os elefantes, adverte a IUCN.

Para Okita Ouma, talvez o mais preocupante seja a destruição do hábitat dos elefantes para aumentar a área de terras agrícolas, ou a exploração florestal.

“Se não planejarmos adequadamente nossa exploração da terra, haverá formas indiretas de morte”, mesmo se conseguirmos deter a caça ilegal e outros sacrifícios ilegais.

O relatório também sinaliza aspectos mais positivos, como o sucesso na conservação de paquidermes em áreas protegidas, bem administradas, no Gabão e no Congo.

No sul da África, o número de elefantes-da-savana também é estável e está, inclusive, crescendo na área de conservação transfronteiriça de Kavango Zambezi.

A pandemia do coronavírus também tem impacto nos esforços de conservação da natureza. Por um lado, priva os países da receita do turismo, usada para financiar esses esforços. Por outro, a queda da atividade humana permitiu aos elefantes “recolonizar” certas áreas, das quais a atividade humana os havia expulsado.



Fonte: IstoÉ Dinheiro - AFP



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