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Elefantes, maior mamífero terrestre, a causa embaixo da nossa árvore

Compartilhe:     |  18 de agosto de 2019

Danilo Moreira*

Apesar de parecer uma causa distante da realidade brasileira, não é. Atualmente, cerca de 50 elefantes vivem em situação precária – em cativeiros e sofrendo maus-tratos – na América do Sul. Muitos deles são os animais que vimos durante tantos anos nos circos, quando éramos crianças

No verão sul-africano, quando as manadas de elefantes se aproximam das Maruleiras, buscando as marulas maduras, sabemos que é hora da colheita. Por isso, eles são a nossa marca e estampam a nossa garrafa. Nesses tempos em que cada vez mais marcas buscam causas para abraçar e, assim, dar mais um motivo para ser escolhida pelos consumidores e fãs, a causa de Amarula sempre esteve embaixo da nossa árvore.

Em 12 de agosto é celebrado o Dia Mundial do Elefante, data criada para mostrar a importância do maior mamífero terrestre, que está correndo risco sério de sumir do nosso planeta. São menos de 400 mil elefantes africanos no mundo e, segundo o Grande Censo dos Elefantes (GEC, na sigla em inglês), a população desses animais diminuiu 30% entre 2007 e 2014. Nesse ritmo, em 2030 eles poderão estar extintos.

É fato que os consumidores, principalmente as gerações Y e Z, estão cada vez mais exigentes, e não basta mais apenas qualidade e preço. O compromisso das marcas e empresas com o futuro, com as pessoas e com o meio ambiente impactam diretamente na decisão de compra. O alinhamento de valores e a preocupação com o mundo para muitos consumidores já é o primeiro filtro de escolha.

Mas não vale abraçar qualquer causa. É preciso coerência e consistência. É fundamental fazer sentido. Uma pesquisa realizada em parceria entre a Ipsos, Cause, ESPM e Instituto Ayrton Senna traduz mostra que 42% dos consumidores esperam que as empresas se posicionem. Entretanto, 29% enxergam as empresas que o fazem como oportunistas.

O trabalho que a Amarula se propõe a fazer com a causa dos elefantes é um exemplo da combinação desses elementos. Nossa história com os mamíferos gigantes é genuína e acreditamos que, juntos podemos mudar o curso triste que ela está tomando. Desde 2002, Amarula colabora, por meio da plataforma Amarula Trust, com entidades e iniciativas de preservação dos elefantes pelo mundo. O Programa Amarula de Pesquisa do Elefante (Aerp) já investiu R$ 6 milhões na investigação sobre o comportamento do mamífero como base para o desenvolvimento de programas de conservação da espécie.

Elefanta Rana, “a independente”
E apesar de parecer uma causa distante da realidade brasileira, não é. Atualmente, cerca de 50 elefantes vivem em situação precária – em cativeiros e sofrendo maus-tratos – na América do Sul. Muitos deles são os animais que vimos durante tantos anos nos circos, quando éramos crianças. Para dar uma nova vida a eles, trabalhamos junto com o Santuário de Elefantes Brasil, ONG que fica na Chapada dos Guimarães e trabalha no resgate de elefantes na nossa região.

E tudo isso não diz respeito apenas às empresas. Devemos, como profissionais, nos impulsionar a mudar antigos formatos, nos adequar às novas demandas e olhar de forma mais humana para o mercado. Faz bem. A sensação de acompanhar de perto o resgate de um elefante e saber que o meu trabalho contribuiu para isso é deliciosa. A elefanta Rana foi resgatada no fim de 2018 e hoje vive uma nova história lá no Santuário na companhia da Guida.

*Gerente de marca da Amarula, é administrador de empresas e pós-graduado em Gestão de Negócios com ênfase em Marketing

A seguir, alguns dados sobre a causa dos elefantes, sobre o Santuário de Elefantes Brasil e como são feitos os resgates de animais em cativeiro:

Fatos e números dessa causa
• Existem menos de 400 mil elefantes africanos no planeta.
• Segundo o Grande Censo dos Elefantes (GEC, na sigla em inglês), a população de elefantes africanos diminuiu 30% entre 2007 e 2014.
• A cada 15 minutos, um deles é morto pela caça ilegal e em consequência de maus-tratos.
• Nesse ritmo, em 2030 eles poderão estar extintos.
• A extinção impacta todo o meio ambiente. Eles são os maiores mamíferos da Terra e considerados jardineiros das florestas: são capazes de dispersar sementes ao longo dos 57 km que caminham em média por dia.
• A caça ilegal do marfim é a principal causa da morte prematura deles. O marfim é usado em joias, amuletos da sorte e esculturas religiosas.
• A diminuição do habitat natural e a exploração deles em atividades florestais, instituições religiosas, turismo, circos e zoológicos, além de programas de reprodução em cativeiro, também contribuem para esse cenário preocupante.
• O processo de adestramento de elefantes é cruel e envolve aprisionamento, privação de comida e água, e tortura.
• Atualmente, cerca de 50 elefantes vivem em situação precária – em cativeiros e sofrendo maus-tratos – na América do Sul. Muitos deles eram animais de circos.
• No Brasil, 11 estados têm leis que proíbem o uso de animais em apresentações: Goiás, Alagoas, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo.
• Uma lei nacional aguarda votação na Câmara dos Deputados.

Sobre o Santuário de Elefantes Brasil
É com o Santuário dos Elefantes Brasil (SEB), que a Amarula abraça a causa da preservação dos elefantes na América do Sul. Localizado na Chapada dos Guimarães, o Santuário é um projeto conduzido pelo Global Sanctuary for Elephants (GSF) e pela ElephantVoices, ambas organizações internacionais dirigidas por especialistas em elefantes.
Desde 2012, o SEB tem como missão identificar animais em situação de maus-tratos e negligência, resgatá-los desses locais e fornecer um lugar de refúgio que busque restaurar e manter a saúde e o bem-estar.
O SEB é este lugar sagrado para Maia e Rana, elefantas resgatadas após exibições forçadas e entretenimento público em circos durante muitos anos. Há esforços para que, em breve, elas tenham a companhia de outros animais resgatados nas mesmas condições. O SEB não é aberto ao público.

As moradoras

Maia, a gentil
Maia e a amiga Guida passaram 40 anos trabalhando em circos e 6 anos acorrentadas em um sítio em Minas Gerais. Resgatada em 2016, essa doce criatura de 42 anos e quase quatro toneladas só conseguiu mostrar sua verdadeira personalidade depois que chegou ao Santuário. Alegre, Maia se tornou a elefanta mais gentil do lugar. Sempre demonstra vontade de cooperar com os que a rodeiam, elefantes ou humanos. Quer fazer o que os tratadores pedem e ajudar. As palmeiras são seu ponto fraco. E a fruta que mais adora é jaca. Mas só porque não tem marula no Brasil.

Rana, a independente
Rana é recém-chegada ao Santuário dos Elefantes Brasil. Em dezembro de 2018, foi resgatada de uma fazenda no Sergipe, onde sofria maus-tratos. É uma paquiderme charmosa e independente, que ama fazer longas caminhadas sozinha. Tem dias em que se cansa da autossuficiência e chega perto dos humanos, pedindo um pouco de atenção. Os olhos da Rana hoje são iluminados e doces, muito diferentes de quando ela chegou ao SEB. Ela adora comer folhas, mas não gosta dos talos. E todos os dias pela manhã emite sons para avisar aos cuidadores que está pronta para sua sessão de bons-tratos. Rana não revela a idade, mas desconfia-se que ela tem entre 50 e 60 anos.

Como é feito o resgate de um elefante em cativeiro
• O resgate de um elefante é um processo complexo e envolve muitos times grandes (veterinários, biólogos, polícia rodoviária, advogados, profissionais de logística, cuidadores, carregadores, motorista, fotógrafo, cinegrafista etc)
• O primeiro passo é a identificação de um elefante em cativeiro
• O time do SEB vai até o local, avalia o estado de saúde do animal e faz um planejamento de resgate detalhado
• São necessárias diversas aprovações em órgãos como o Ministério Público, Secretaria do Meio Ambiente, Ibama, entre outros.
• O elefante é transportado em uma caixa de resgate similar a um contêiner
• Ele é transportado consciente, não é sedado
• Existe uma fase de adaptação à caixa de resgate, quando pode entrar e sair à vontade dela. Para estimular essa interação, os cuidadores colocam frutas dentro do contêiner
• Quando o animal está ambientado e confortável com a caixa, ela é fechada e içada até um caminhão, que vai conduzi-lo até o Santuário. Em alguns casos, pode ser necessário transporte em avião
• Ao longo do caminho, são realizadas paradas para o elefante e a equipe dormirem e se alimentar
• Ao chegar no Santuário, o novo morador passa por exames e um período de adaptação
• Ele fica inicialmente num local cercado e separado dos outros elefantes, mas eles podem se ver, ouvir, cheirar e interagir
• À medida em que ele se mostra adaptado, é integrado aos outros elefantes. Rana, por exemplo, levou poucos dias para se adaptar
• Não há um cronograma padrão para um resgate. O tempo é ditado pelo próprio elefante
• Ao chegar ao Santuário, o animal passa por um período de adaptação antes de ser integrados aos outros animais



Fonte: Página 22



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