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Em 500 anos, 322 espécies desapareceram e planeta vive era de extinção de animais

Compartilhe:     |  29 de julho de 2014

O planeta está vivendo uma era de extinção animal, alerta uma série de estudos publicados em uma edição especial da revista Science sobre o tema. De acordo com as pesquisas, nos últimos 500 anos, 322 espécies desapareceram. A maior parte das populações de invertebrados (como besouros ou borboletas) monitorados pelos cientistas sofreu um declínio de 45% desde os anos 1970. No mesmo período, os vertebrados tiveram uma queda populacional de 30%. Essa “desfaunação” — termo adotado pelos pesquisadores para caracterizar a onda de desaparecimento animal — seria um dos principais componentes para a sexta extinção em massa da história da Terra.

As evidências sugerem que a maior parte da perda dessa fauna é causada pela ação humana, o que pode ter consequências como aumento do número de casos de doenças, além do óbvio declínio da biodiversidade.

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“No Brasil, as florestas ‘desfaunadas’ por grandes mamíferos, como porcos-do-mato ou veados, tem uma explosão populacional de roedores. Algumas espécies são reservatórios de hantavírus, altamente mortal em humanos. E os casos já começaram a aumentar entre nós”, disse ao site de VEJA o biólogo Mauro Galetti, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e autor de um dos estudos. “Desde que o homem está na Terra, a taxa de desmatamento, a poluição e a caça aumentaram muito, e estão fazendo o número de indivíduos de muitas espécies desaparecer.”

Além da transmissão de doenças, o número menor de animais também prejudica a polinização das plantas, a qualidade da água (por conta da diminuição que espécies fundamentais para o crescimento da mata ciliar) ou o controle de pragas. “Quando falamos em proteger os animais, estamos falando em proteger espécies que têm um papel fundamental no bem-estar humano”, diz Galetti.

Pandas e felinos — Os pesquisadores comentam que a extinção de animais carismáticos como pandas ou tigres pode ter encoberto a importância do desaparecimento de espécies importantes como os insetos, que são fundamentais para o balanço ecológico. E alertam que a ‘desfaunação’ atinge mesmo as grandes áreas protegidas. A caça tem papel importante no desaparecimento de animais maiores, mas a competição por habitat, alterações climáticas e doenças entre os animais também contribuem para a morte das espécies.

“A prevenção do declínio das espécies vai exigir uma compreensão melhor de quem está ganhando ou perdendo na luta pela sobrevivência. Por meio do estudo dos vencedores, poderemos aplicar o que eles nos ensinaram em projetos de conservação”, afirma Ben Collen, da Universidade College London, na Inglaterra, e autor de uma das pesquisas. “E também precisamos trabalhar com os governos na criação de políticas capazes de reverter as tendências que estamos vendo.”



Fonte: Revista Veja



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