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‘Em chamas’ e na seca, região sofreu prejuízos ao meio ambiente em 2014

Compartilhe:     |  2 de janeiro de 2015

Queimadas, falta d’água e altas temperaturas fizeram parte da rotina dos moradores da região de Ribeirão Preto (SP) em 2014 e levantaram uma incógnita sobre o futuro do meio ambiente. Os últimos doze meses foram marcados também por uma preocupação em relação ao impacto da destinação do lixo na natureza, bem como pelo desperdício de recursos hídricos, seja por descaso da população, seja por falta de investimentos do poder público.

A sustentabilidade na utilização do Aquífero Guarani – fonte de abastecimento e com pontos de recarga em Ribeirão Preto que tem se rebaixado ano a ano – foi debatido em maio por especialistas do meio ambiente durante o “Agenda Ribeirão”, que contou com presença de autoridades como o então candidato a presidente da República Eduardo Campos e o candidato a governador de São Paulo Alexandre Padilha (PT).

Como resultado da falta d’água em decorrência da estiagem em todo o Estado, foi em uma visita à região, em abril, que o governador Geraldo Alckmin (PSDB) antecipou que aplicaria multa a moradores da região metropolitana de São Paulo que aumentassem o consumo em suas casas.

E se o esgotamento do Sistema Cantareira foi o que mais chamou atenção nos noticiários, Ribeirão Preto também sentiu os efeitos da falta de chuvas com o rebaixamento no Rio Pardo, fonte de 56% da água utilizada na agricultura, na indústria e no abastecimento da região. O volume registrado em julho foi o menor dos últimos 70 anos, segundo o Departamento de Águas e Energia Elétrica (Daee). Com 57 centímetros de profundidade perto da margem, o nível ficou quase um metro abaixo do normal durante o inverno.

Nível de Rio Canos, em Franca, caui 40% (Foto: Márcio Meirelles/ EPTV)
Nível de Rio Canos, em Franca, caui 40%
(Foto: Márcio Meirelles/ EPTV)

Se municípios abastecidos pelo Aquífero Guarani não sofreram tanto com a estiagem – já que sua reserva não é influenciada por questões sazonais -, por outro lado, localidades que dependem exclusivamente de fontes superficiais sentiram as consequências. Em Franca (SP), ao menos 90 mil pessoas chegaram a ficar sem água devido ao rebaixamento de 40% do Rio Canoas, de acordo com estimativa da Sabesp. Embora o problema tenha sido generalizado, a falta foi mais acentuada em bairros como Leporace, Santa Cruz, Jardim Redentor, Jardim Tropical e Jardim do Éden. Municípios como Serrana (SP), onde a “Lagoa Maravilha” secou completamente e provocou mortandade de peixes, também sofreram com a falta de precipitações em 2014.

O desespero foi tamanho que, em agosto, católicos se reuniram para uma missa especial na Catedral São Sebastião, em Ribeirão, para orar em conjunto pedindo chuvas. No total, 200 pessoas foram à igreja, acreditando que a fé conseguiria trazer umidade. O poder público também interviu. A prefeita Dárcy Vera sancionou uma lei em novembro tornando obrigatório o uso de equipamentos para tratamento e reutilização de água em postos de combustíveis, lava-jatos, transportadoras, empresas de ônibus, locadores e concessionárias de veículos.

Missa pede chuva em Ribeirão Preto, SP (Foto: Amanda Pioli/G1)
Fiéis fazem missa para pedir chuva em Ribeirão Preto (Foto: Amanda Pioli/G1)

Vendo suas reservas secarem, cidades como Morro Agudo (SP), Cristais Paulista (SP) e Bebedouro (SP) adotaram racionamento de até 11 horas por dia. Além dos moradores, a seca também prejudicou o ecoturismo em Cajuru (SP) e Altinópolis (SP), devido à baixa de suas cachoeiras e mananciais.

Intenso calor fortaleceu o fogo, que destruiu mais de 50 hectares da mata, em Ribeirão Preto (Foto: Ronaldo Gomes/EPTV)
Intenso calor fortaleceu o fogo, que destruiu mata
em Ribeirão (Foto: Ronaldo Gomes/EPTV)

Calor extremo
Para agravar o mal-estar da população, 2014 também foi um ano com temperaturas recordes na região. Em outubro, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a temperatura em São Simão chegou a 39,5ºC, no dia mais quente desde 1961. Em Franca, o calor foi de 36,2ºC, batendo o recorde histórico dos últimos 51 anos.

Os termômetros também registraram temperatura recorde em Barretos, com 40,3ºC, dia mais quente desde 2010. Em Pradópolis, o calor foi de 40,2ºC, maior temperatura desde 2008. Ribeirão Preto também registrou recorde anual em 14 de outubro, com termômetros a 40ºC. A umidade relativa do ar a 11,8% obrigou a Defesa Civil a decretar estado de emergência.

Queimadas
Falta de chuvas, calor extremo e baixa umidade relativa do ar foram ingredientes para uma sequência diária de queimadas em áreas verdes este ano. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o número de focos de incêndio em 47 cidades do Nordeste do Estado aumentou oito vezes – ou 710% – em relação a 2013.

Fogo foi controlado na noite de domingo (14) após uma semana do início do incêndio (Foto: Ronaldo Gomes/EPTV)
Fogo atingiu reserva entre Monte Alto e Taquaritinga
(Foto: Ronaldo Gomes/EPTV)

Nesse contexto, grandes áreas verdes foram afetadas, dentre elas 360 hectares de uma reserva ambiental entre Monte Alto (SP) e Taquaritinga (SP), local que abriga espécies do cerrado e da Mata Atlântica. Os incêndios também atingiram a Mata de Santa Tereza, principal reserva de Ribeirão Preto, onde 80 hectares foram destruídos pelas chamas.

Lixo
O ano de 2014 também foi período de avanço na destinação do lixo e da geração de energias renováveis. Em maio, uma usina de bioenergia entrou em operação no aterro sanitário de Guatapará (SP), operando com 2,2 mil toneladas de lixo doméstico recolhidas diariamente de 20 cidades da região. A planta é a primeira no interior de São Paulo, segundo o Centro de Gerenciamento de Resíduos (CGR), e recebeu investimentos de R$ 15 milhões da empresa Estre Energia Renovável.

Por outro lado, problemas na coleta de lixo em Ribeirão passaram a ser investigados pelo Ministério Público. O descarte irregular em terrenos particulares, áreas públicas e margens de córregos, sobretudo de entulhos da construção civil, e a demora na criação de postos de coleta foram alvos de um inquérito da Promotoria do Meio Ambiente, que solicitou, até fevereiro de 2015, um projeto de de implantação de uma rede de coleta de resíduos sólidos.

Apesar de todos os problemas, onze municípios da região foram premiados com o Selo “Verde Azul 2014”, concedido pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente às prefeituras que mais desenvolveram atividades e projetos na área ambiental durante o ano. Subindo 27 posições em relação ao ano passado, Pirangi (SP) ficou em 19º lugar na lista estadual e é a primeira da região.

Em seguida no ranking aparecem Franca, na 23ª classificação, Fernando Prestes (SP), em 39ª, e Ribeirão Preto, em 42º lugar. Entre os municípios certificados estão ainda Santa Ernestina (SP), Cândido Rodrigues (SP), Sertãozinho (SP), Batatais (SP), Barretos (SP), Jaboticabal (SP) e Terra Roxa (SP).

Motogeradores transformam gás liberado de lixo eme enrgia elétrica, em Guatapará (SP) (Foto: Felipe Turioni/G1)

Motogeradores transformam gás liberado de lixo em enrgia elétrica em Guatapará (Foto: Felipe Turioni/G1)


Fonte: G1 - Ribeirão e Franca



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