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Em fim ‘frustrante’ da COP 25, países prometem apresentar metas mais ambiciosas sobre emissões

Compartilhe:     |  15 de dezembro de 2019

A Conferência do Clima da Organização das Nações Unidas (ONU), a COP 25, terminou neste domingo (15), com os países participantes concordando em apresentar “compromissos mais ambiciosos” para reduzir as emissões de gases poluentes na próxima cúpula, que será realizada em Glasgow em novembro de 2020.

Depois de quase dois dias de atraso em relação ao previsto para a conclusão do evento, os representantes dos países que estão em Madri, na Espanha, conseguiram fechar um texto no qual se comprometem a evitar que a temperatura média do planeta suba 1,5 C° neste século.

Em 2020, a promessa dos países é a apresentar propostas concretas para evitar as mudanças climáticas no planeta.

Segundo o documento, o conhecimento científico será “o eixo principal” que deve orientar as decisões climáticas dos países para aumentar sua ambição, que deve ser constantemente atualizada de acordo com os avanços da ciência.

O Brasil protagonizou um dos principais impasses do último dia de COP 25. Os representantes brasileiros tentaram retirar um artigo que conhece a importância dos oceanos e do uso da terra no clima. No fim, o país aderiu à maioria (leia mais abaixo).

Para o secretário-executivo do Observatório do Clima, Carlos Rittl, o resultado da conferência foi uma “frustração”. Segundo ele, as principais decisões ficaram para o próximo ano.

“É uma conferência que o tema era a ambição, os níveis atuais (de ação) não conseguiram entregar os objetivos do Acordo de Paris. Essa COP, que era a COP da ambição, deixou toda chamada para ação e toda ambição para o próximo ano”, explicou Rittl em entrevista à GloboNews.

Mais cedo, a ativista Greta Thunberg lamentava o caminho das negociações em Madri e disse que a ciência não pode ser ignorada.

“Parece que #cop25 em Madri está desmoronando agora. A ciência é clara, mas a ciência está sendo ignorada. Aconteça o que acontecer, nunca desistiremos. Nós apenas começamos”, escreveu Greta em uma rede social.

“Existe um abismo (dos países com) a mensagem da ciência e da sociedade mundial, que chamam por mais responsabilidade para que a gente tenha um planeta mais seguro. E esse processo não está dando resposta: nem às ruas e nem à ciência”, completa Rittl.

Mercado de carbono

Os quase 200 países que participam da COP 25 não chegaram a um acordo para a regulação dos mercados de carbono, um dos principais pontos do Acordo de Paris, assinado há quatro anos.

Apesar de a negociação ter promovido avanços no sistema que deve controlar o comércio dos direitos de emissão em todo o mundo, não houve consenso sobre a regulação deste mercado, ponto visto como chave para parte das delegações.

Segundo a EFE, os impasses que já existiam antes da cúpula persistem. Alguns países querem evitar uma possível dupla contabilidade que ocorreria após a regulação e outros querem manter, durante a transição para a adoção do Acordo de Paris, os direitos de emissões previstos no Protocolo de Kyoto.

O texto chamado “Chile-Madri. Hora de agir” afirma que em 2020 os países terão de apresentar compromissos mais ambiciosos para reduzir as emissões para lidar com a emergência climática e não incluíram seção de mercados de carbono (contido no artigo 6 do Acordo de Paris), que deverá ser ser discutida na próxima cúpula.

Segundo ambientalistas, o mercado de carbono pode ser essencial para metas climáticas ainda mais ambiciosas. Em Madri, foram discutidos pelo menos dois sistemas diferentes de comercialização de carbono.

Um dos que estavam em discussão permitiria aos países que excederem suas metas climáticas vender os excessos para as nações que enfrentam dificuldades em atingir seus próprios objetivos.

Por exemplo, se um país que estabeleceu como objetivo reduzir as emissões de CO2 a um total equivalente a 100 toneladas conseguir fazer reduções reais de 110 toneladas, poderá vender as dez excedentes a outro que não conseguiu atingir suas próprias metas.

Impasse

As negociações duraram toda a madrugada. O responsável pelo último dos impasses foi o Brasil, que não aceitava inicialmente dois parágrafos incluídos no acordo que faziam referências expressas sobre o papel dos oceanos e do uso da terra no clima global.

A intervenção, de acordo com a agência EFE, foi criticada por delegações de vários outros governos. Indonésia, Costa Rica, Tuvalu, Belize, Austrália, Nova Zelândia, Ilhas Marshall, Egito, Canadá, Butão, Suíça, Rússia e Argentina pediram para que o Brasil não bloqueasse o pacto final.

A ministra de Meio Ambiente do Chile, Carolina Schmidt, que ocupa a presidência da COP, também interviu para pedir que o Brasil cedesse. “É algo muito importante e agradeceria a vocês se nos permitissem aprovar esse documento”, afirmou.



Fonte: G1



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