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Em meio a uma seca devastadora, a Cidade do Pecado, investe em sistema de captação de água

Compartilhe:     |  10 de agosto de 2014
Por Ana Carolina Nunes

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MAIS FUNDO
O novo duto de captação vai descer mais de 90 metros de profundidade no Lago Mead

Las Vegas ainda não vive tempos de racionamento não oficiais como São Paulo. Mas uma seca persistente, o aumento populacional e o consumo sem limites da escassa água nessa região desértica estão se tornando uma séria ameaça a uma das mais populares cidades americanas. A situação tem se tornado tão preocupante que as autoridades de Nevada, o Estado em que Las Vegas está abrigada, abrem os cofres e investem quase US$ 1 bilhão em projetos emergenciais de captação de água. O governo também está criando leis que impedem que os quase dois milhões de moradores da região metropolitana mantenham jardins com grama, que precisam ser regados. A nova legislação também obriga os hotéis a reciclar até mesmo a água das descargas de seus milhares de quartos.

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Ao contrário de São Paulo, que hoje depende quase exclusivamente dos humores da natureza para não ver seu principal manancial secar e enfrentar uma crise de abastecimento sem precedentes, Las Vegas ainda não sofre com a falta de água. E não deve sofrer pelos próximos anos, graças aos investimentos que estão sendo feitos de forma preventiva. Hoje, cerca de 90% da água consumida pela cidade é captada no Lago Mead, o maior reservatório de água potável construído pelo homem nos Estados Unidos. A cidade conta com dois túneis de captação, um construído na década de 60 e que desce 33 metros, e um segundo, construído no início dos anos 2000, que busca água a 48 metros de profundidade em relação à lâmina de água.

Os dois túneis de captação seriam suficientes para abastecer a cidade se o Lago Mead não estivesse simplesmente secando. Com menos de 40% de sua capacidade total, a estimativa é que o primeiro túnel comece a sugar apenas ar até o fim deste ano. Se não houver uma ampliação nas chuvas – e as previsões indicam que a região continuará seca – até o final de 2015 a lâmina de água ficará abaixo do segundo túnel.

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EXAGERO
O consumo de água per capita diário em Las Vegas passa dos 800 litros

Por isso um terceiro túnel, que chegará quase ao fundo do lago, a 91 metros de profundidade, está sendo escavado neste momento. Nevada e a cidade de Las Vegas estão investindo US$ 817 milhões nesse ambicioso projeto que promete, sozinho, abastecer toda a região metropolitana enquanto os níveis do Lago Mead não aumentarem. É um projeto programado para ficar pronto no final de 2015, que, no entanto, não garante que os problemas de abastecimento de água estarão resolvidos.

O Lago Mead foi formado após a construção da famosa represa Hoover, na década de 1930. Ele é abastecido pelo rio Colorado, que tem suas águas utilizadas para servir grandes cidades americanas como Los Angeles, Phoenix e Tucson. Por conta da seca de mais de uma década, o rio simplesmente não está conseguindo repor a água que é retirada do Mead. “Se nada for feito, se não pararem as construções, Las Vegas não se salvará”, diz Tim Barnett, um pesquisador da Universidade da Califórnia. Os estudos de Barnett apontam que, sem cortes drásticos no consumo da região, há 50% de chance de o reservatório ser considerado “morto” até 2036. “E o mais absurdo é que continuam construindo e construindo na região”, diz.

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O próximo passo para a sobrevida de Las Vegas é um amplo e extenso programa de restrição ao uso abusivo das águas, algo que ainda não é exatamente bem visto pelos luxuosos hotéis da cidade, como o Bellagio e sua suntuosa e famosa fonte de águas dançantes. Mas, como estão aprendendo os paulistanos, muitas vezes é melhor se antecipar ao problema do que simplesmente não ter alternativas para enfrentá-lo quando já for tarde demais.

Fotos: Ethan Miller/Getty Images/AFP; AFP Photo/Richard Vogel



Fonte: Revista IstoÉ



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