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Em Oslo existem contêineres de reciclagem espalhados por toda a cidade

Compartilhe:     |  17 de novembro de 2014

Há cerca de quatro anos, tínhamos uma infraestrutura, na porta aqui de casa, para reciclar papel, vidro e metal. Além, é claro, de receber dinheiro por garrafas PET e latinhas entregues nos postos autorizados. Agora, um sistema de reciclagem ainda mais elaborado e já em uso em várias regiões de Oslo, capital da Noruega, chegou finalmente ao nosso bairro.

Três contêineres nem tão grandes, mas bem profundos, com um sistema muito eficiente de vedação – há algo pior do que mau cheiro de lixo? –, foram instalados na frente dos edifícios. Um recebe as sacolas verdes contendo restos de comida; as azuis, com plásticos; e qualquer outra sacola acondicionando o material que não pode ser reciclado.

Os outros dois são: um para a disposição de papel e o outro para vidro e metal juntos. Porém, toda a cadeia de reciclagem se inicia na casa de cada cidadão. Debaixo da pia da cozinha há quatro pequenos contêineres para cada tipo de material a ser reciclado.

O que mais me espanta é que, para cada sacola verde, cheia quase sempre só até a metade com restos de comida, se reciclam no mínimo três sacolas azuis estufadas de plástico. São as embalagens dos alimentos! E a matéria-prima disso é petróleo. Que desperdício absurdo de recursos naturais!

Porém, em vez de focar minha atenção no desperdício ou no lado nem tão estético assim de ter na entrada do edifício contêineres de reciclagem, prefiro cultivar a satisfação de ter esse sistema instalado por toda a cidade, permitindo aos moradores de Oslo exercerem sua cidadania ambiental. 

É apenas uma questão de escolha de narrativa. Em qual história você decide investir sua energia? Com esse ato de seleção, é possível reciclar a série de pensamentos que determina seu comportamento – e guia a sua vida.

Um exemplo? Eu tinha chegado em Nova York há três dias. Certa noite, acordei às quatro horas da madrugada e não consegui dormir mais. Meus pensamentos rodopiavam em torno das emoções que vinha vivenciando todos aqueles dias: o de estar sozinha, de não ter o olhar “do outro” para projetar minhas identificações e obter algumas confirmações de, por exemplo, quem eu sou ou como eu me comporto… Tantas perguntas que, no fim, eu me vi em uma sala lotada de objetos. Essa imagem representava o meu “eu”, tão cheio, tão empoeirado, e todas as ideias que tenho sobre mim mesma…

Lembrei-me, então, de duas frases de um livro da monja budista Pema Chödrön: “Seu senso de si mesmo é uma versão muito restrita de quem você realmente é”; e “não acredite em tudo o que você pensa”.

Lá estava eu, contando uma história sobre mim mesma, como estava me comportando em NY, porque vivenciava aqueles sentimentos etc. Sorri e decidi reciclar também a minha história, construindo outra narrativa e refletindo: com que sabedoria eu estava vivendo minha experiência em NY; como eu vinha encontrando espaços que me permitiam relaxar; como eu procuro me conectar com a bondade de cada um; e como eu estava satisfeita e feliz comigo mesma.

Eu estava, dessa forma, pronta – e ansiosa – para iniciar ali um novo dia! 

 



Fonte: Revista Ecológico - Andréa Zenóbio Gunneng



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