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Emissões de metano na atmosfera atingem recorde histórico

Compartilhe:     |  21 de julho de 2020

Emissões de metano – um gás do efeito estufa mais potente que o gás carbônico – aumentaram em 9% na última década e bateram o recorde histórico, segundo dois novos estudos publicados nesta semana nas revistas Environmental Research Letters e Earth System Science Data. O aumento é resultado, em grande parte, de atividades humanas, como a agropecuária e a produção de energia através de combustíveis fósseis.

Os números são de 2017, o último ano em que se tem dados completos e detalhados sobre as emissões de metano. Naquele ano, quase 600 milhões de toneladas do gás foram lançadas na atmosfera terrestre. O número é 9% maior do que a média de emissões dos anos 2000 a 2006 – ou seja, emitimos 50 milhões de toneladas a mais em 2017 do que em qualquer um desses anos. O valor é o maior registrado em toda a história.

O metano (CH4) é um gás de efeito estufa que recebe menos atenção que o gás carbônico (CO2) quando se fala de aquecimento global. A razão para isso é que o CO2 é bem mais abundante na Terra, e suas emissões estão na casa das dezenas de bilhões por ano. Além disso, o gás carbônico dura cerca de 100 anos na atmosfera, enquanto o metano se desfaz por meio de reações químicas depois de 12 anos.

Mesmo assim, o metano é muito mais potente que o gás carbônico: em um período de 20 anos, uma tonelada de CH4 causa um aquecimento correspondente a 85 toneladas de CO2, segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da Organização das Nações Unidas (ONU). Por isso, mesmo que as emissões de metano sejam substancialmente menores em números brutos, os resultados podem ser tão devastadores quanto os das emissões de CO2.

Segundo os novos artigos, a concentração de metano na atmosfera atualmente é 2,5 vezes maior do que em anos anteriores à Revolução Industrial (o período é usado como base para se analisar o impacto do homem no clima). Cerca de 40% das emissões do gás tem origem natural, vindas especialmente de bactérias em áreas úmidas e pantanosas que liberam CH4 quando decompõe matéria orgânica. Mas não dá para culpar os microorganismos pelo aumento expressivo dos últimos anos na natureza. A diferença nas emissões resultam de atividades humanas, como o uso de combustíveis fósseis e gás natural para gerar energia e a agropecuária, que inclui a criação de bovinos, conhecidos por emitir metano nos gases intestinais (em outras palavras, no pum).

Entre 20% e 25% de todo o metano presente na atmosfera é de origem agropecuária, e uma quantia parecida vem do uso de combustíveis fósseis, como gás natural e petróleo. Essas emissões cresceram 12% e 17%, respectivamente, entre o período analisado (de 2000 a 2006) e o ano de 2017. As emissões de fontes naturais, por sua vez, permaneceram estáveis.

As pesquisas também identificaram que o aumento não foi homogêneo em todo o mundo. Em 2017, a China, sozinha, emitiu de 10 a 15 milhões de toneladas a mais do que na última década. O restante da Ásia e o continente africano também aumentaram suas emissões em quantidades parecidas. Os Estados Unidos, por sua vez, emitiram algo entre 4 e 5 milhões de toneladas de metano extra em comparação ao período anterior. A maioria das demais regiões do mundo, incluindo a América do Sul, também tiveram aumento nas emissões, embora mais moderados.

A única região que teve uma diminuição efetiva nas emissões de metano foi a Europa, que liberou entre 2 e 4 milhões de toneladas a menos do gás na atmosfera em 2017 em comparação a dez anos atrás. A redução é resultado de recentes esforços políticos para adotar técnicas mais sustentáveis de agricultura e geração de energia, bem como do decréscimo da criação de gado no continente.

É bom lembrar que os dados são de 2017, e que, em 2020, as emissões provavelmente vão cair por conta da pandemia. Mas isso é apenas uma anomalia temporária: o aumento observado nos dois novos estudos condiz com os modelos que preveem que a temperatura da Terra pode aumentar em até 3º C até o final do século, o que traria consequências catastróficas. As equipes dos novos estudos alertam que, para evitar o pior dos cenários, não podemos focar apenas na redução do CO2 e deixar que a emissão de metano na atmosfera continue aumentando.



Fonte: Superinteressante



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