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Encontro anual de pastores celebra a marcação de renas na Lapônia

Compartilhe:     |  4 de outubro de 2014

A Lapônia, uma terra de montanhas e florestas, o Globo Repórter mostra uma cena que acontece só uma vez por ano. É um momento grandioso conduzido apenas pela natureza.

Todo ano, no verão, os sami se reúnem para um trabalho que é quase uma celebração. A marcação das renas. São centenas de pastores que chegam com suas famílias. O encontro dura uma semana. Eles ficam acampados em barracas para reunir seus animais que vivem soltos nas montanhas.

Mais ou menos 200 pessoas de 80 famílias, que vão trabalhar as renas por uma semana. Os números dão ideia do tamanho do acampamento montado no Parque Nacional Padjelanta, na Lapônia. É uma gente que ainda consegue manter a cultura e a tradição. No mundo inteiro, existem atualmente mais ou menos 80 mil pessoas da etnia sami. Na Suécia, são quase 20 mil, que vivem basicamente da criação de renas. No passado, eram nômades. Hoje, vivem em casas modernas e só usam estes acampamentos no verão para trabalhar com as renas.

É um trabalho muito duro, porque geralmente faz muito frio na região, mas a equipe do Globo Repórter teve sorte e pegou um período de sol e calor. Mas a montanhas estavam brancas de neve.

Rotina no acampamento

Um guia “sami” ajudou a montar a barraca da equipe do Globo Repórter. Ele contou que todas elas contam com um círculo do fogo dentro das cabanas. Faz parte de uma tradição milenar.

Após a montagem da barraca, o Globo Repórter começou a observar a rotina dos vizinhos de acampamento. E iniciou uma conversa com um pastor de renas. O senhor Per Anders apresentou os dois filhos e a mulher, Elizabeth, que, bem à vontade, também conversou com a equipe. Eles estão de férias e aproveitam para ajudar os pais.

Per Anders disse que trabalha com as renas há mais ou menos 40 anos. E ao ser perguntado se ele era realmente o chefe da família, ele disse que não, que a chefe é a mulher dele, Elizabeth. Todos são gentis e bem-humorados.

Uma das coisas incríveis no acampamento é a geladeira. A neve, que permaneceu do inverno, é que ajuda a gelar. Os filhos da pastora de renas Elisabeth Nejne Vannar adoram comer uma carne de rena defumada. Normalmente, quando não tem neve, a família também conserva a comida na pedra, que é bem fria. Quem prepara o jantar é o pastor de renas Per Anders. Ele faz carne de rena com batata e milho assado.

Calor absurdo durante o dia e frio de congelar durante a noite

A vida no acampamento é animada. Faz muito calor e as crianças aproveitam para brincar na água. Detalhe: água gelada.

O povo sami diz que a temporada foi a mais quente dos últimos dez anos. Eles não estão mais acostumados com uma temperatura assim. A temperatura tem ficado em torno de 26 graus. Dormir no local foi muito complicado. Porque durante o dia era um calor absurdo e um vento que não parava de balançar a barraca, com um barulho ensurdecedor. À noite, era um frio de congelar.

Malva, tem sete anos e, como toda criança, é muito curiosa. Mesmo sendo tão pequena, Malva está no acampamento para ajudar os pais na marcação das renas. Mas enquanto o trabalho não começa, a menina brinca.

Ela tem que aproveitar a parte da manhã, porque à tarde os mosquitos invadem o acampamento e atacam. A Nadja é guia e nasceu no local. Ela está acostumada com os mosquitos. E diz que este ano está bem melhor do que no verão passado. O dia está terminando e os pastores começam o trabalho com as renas.

Modernidade e tradição ajudam a localizar renas

Para localizar as renas, os pastores usam helicópteros. É uma operação que mistura recursos modernos e tradição. O helicóptero é fundamental para orientar o caminho das renas.

Do ar, no helicóptero, é possível ver perfeitamente como as renas correm para se espalhar e não serem levadas para o curral. E o helicóptero fazendo com que elas se reúnam. É preciso muito conhecimento e muita experiência para fazer o trabalho. É uma organização muito difícil e que fica um pouco melhor com a ajuda de um sami, no helicóptero, que mostra qual é o caminho que as renas devem tomar. E o helicóptero vai ajudando a conduzi-las. Ao mesmo tempo, um outro trabalhador, outro sami, fica em terra para tocar as renas. Nesta época do ano, na Lapônia, e em toda a Escandinávia, o sol nunca se põe.

Identificação dos animais é uma tradição familiar

Os sami precisam identificar seus animais. É desta maneira que as famílias ficam sabendo a quantidade de renas que possuem. O povo “sami” diz que trabalhar com rena não chega a ser um trabalho, é um estilo de vida. É uma tradição que passa de pai para filho, de mãe para filha. Todos ficam atentos, ativos, porque é preciso identificar os animais.

O seu Per Anders e a família mostraram outra etapa do trabalho, o momento da marcação das renas. Nessa etapa, as renas são laçadas pelas patas. Tem que ter muita habilidade para não errar. Só são marcadas as que nasceram nos últimos meses, nas montanhas. Eles marcam as renas fazendo um cortezinho na orelha delas.

Para quem não está acostumado, no primeiro momento tudo é muito estranho. Mas depois de horas acompanhando o trabalho, é fácil entender:
para marcar as renas o povo “sami” faz um pequeno corte na cartilagem da orelha com a marca da família. E colocam um anel de plástico. As renas não parecem sentir dor.

Renas são soltas e voltam para as montanhas

Uma menininha de quatro anos ajuda na marcação das renas e a irmãzinha dela, com dois anos de idade, fica junto com o pai e com a mãe, aprendendo como é que se marca uma rena. As crianças participam de tudo como se fosse uma grande brincadeira.

Cada proprietário só consegue reconhecer seu filhote porque ele fica sempre próximo à mãe que já foi marcada. Depois as renas são soltas e voltam para as montanhas.

Com essa experiência, aprendemos que é possível, sim, utilizar tudo que existe de moderno para manter cada vez mais viva uma história, uma cultura. E que a natureza pode ser sempre uma aliada em qualquer estação do ano.

Sami acreditam que a energia deles vem da luz do sol

O outono, por exemplo, é a época do acasalamento das renas. No inverno rigoroso, elas vão de um lugar para outro em busca de comida. Quando chega a primavera, os filhotes começam a nascer. No verão, as renas já podem andar livres nas montanhas. Os sami precisam da luz do sol, do brilho. Eles trabalham uma noite inteira como se estivessem em pleno dia e não cansam. Eles acham que assim recuperam uma parte do seu passado. E acreditam mesmo que a força, a resistência, a energia deles vem diretamente da luz do sol. Como não acreditar?



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