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Entenda quais são os principais malefícios dos alimentos ultraprocessados

Compartilhe:     |  18 de outubro de 2020

A análise inicial de um levantamento realizado pelo Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo (USP) mostrou que durante a pandemia da Covid-19 houve um aumento geral no consumo de alimentos saudáveis como frutas, hortaliças e feijão no país. Por outro lado, nas regiões Norte e Nordeste e entre as pessoas de escolaridade mais baixa também foi identificado um crescimento no consumo de alimentos ultraprocessados, que são feitos principalmente de ingredientes industriais.
Os dados fazem parte do NutriNet Brasil, um estudo sobre alimentação e saúde que planeja acompanhar 200 mil pessoas em todo o território brasileiro por 10 anos e teve início em janeiro de 2020. O resultado inicial teve como base a coleta de dados de 10 mil participantes analisados entre 26 de janeiro e 15 de fevereiro (antes da pandemia) e entre 10 e 19 de maio (durante a pandemia). O estudo aceita novos voluntários, que podem se inscrever no site.

A nutricionista e Doutora em Saúde Pública Renata Levy, uma das autoras da pesquisa, explica que o aumento do consumo de ultraprocessados é preocupante porque esses produtos alimentícios estão relacionados à ocorrência de diversas doenças.

— Já temos na literatura muitos artigos publicados associando esses alimentos com a ocorrência de obesidade, diabetes, alguns tipos de câncer, hipertensão, doença cardiovascular, inflamação da mucosa intestinal e asma em crianças. São muitos desfechos de saúde importantes — enumera, e acrescenta: — Os ultraprocessados são alimentos que incentivam a comer demasiadamente, sem perceber exatamente o que se está consumindo.

A pesquisadora destaca que no Brasil os produtos in natura ou minimamente processados ainda são mais baratos do que os industrializados. Mas pondera que há uma perspectiva futura de que esses valores se invertam, como já ocorreu em outros países, como o Reino Unido, por exemplo.

O Ministério da Agricultura fez recentemente um pedido de revisão do Guia Alimentar para a População Brasileira, que oferece informações sobre alimentação saudável. A pasta criticou partes do documento que relacionam os alimentos ultraprocessados a uma nutrição desbalanceada. Após repercussão e críticas de especialistas, a ministra Tereza Cristina rejeitou o teor da nota técnica que pedia revisão do guia, a devolvendo à Secretaria de Política Agrícola para reformulações.

— A alteração seria uma tragédia. O Guia Alimentar Brasileiro é um dos melhores do mundo e serve como fonte para outros países e grandes agências de pesquisa — afirma Levy.

Classificação dos alimentos

A nutricionista explicou como é feita a classificação dos alimentos no Brasil de acordo com o grau de processamento aos quais foram submetidos:

Alimentos in natura ou minimamente processados – São os alimentos que não sofreram processo industrial ou foram mínimos, sem adição de outras substâncias. Nesse grupo ficam as frutas, legumes, verduras, feijões, farinhas, carnes, ovos, leites, entre outros.

Ingredientes culinários processados – Estão incluídas as extrações de alimentos, como o açúcar, óleo e sal. Esses ingredientes não são consumidos sozinhos, precisam dos alimentos do grupo 1.

Processados – São uma junção de alimentos do grupo 1 com o 2 feita industrialmente. Mas ainda é possível observar a estrutura do alimento. Exemplo: abacaxi em calda, queijos, pães franceses. Geralmente é possível reproduzir o alimento na sua cozinha.

Ultraprocessados – São produtos alimentícios feitos com ingredientes industriais e com pouco ou quase nada de alimentos do grupo 1. Passam por um processamento tão intenso que acabam perdendo a estrutura, cor, sabor, e é preciso adicionar emulsificantes, aromatizantes, corantes, entre outras substâncias. Estão incluídos produtos como refrigerantes, salgadinhos de pacote, biscoitos recheados, bala, chiclete e sorvete.

Recomendações

Priorize alimentos dos grupos 1 e 2 – Com a combinação dos ingredientes desses grupos são feitas as preparações culinárias que devem ser a base da alimentação saudável.

Evite ultraprocessados – Os alimentos desse grupo não trazem benefícios para a saúde e devem ser consumidos o mínimo possível para manter uma dieta saudável.

Prefira cozinhar em casa – É indicado manter uma alimentação tradicional, preparando seus alimentos em casa sempre que possível, evitando comprar produtos cheios de aditivos.

Atenção na hora das compras – Alguns alimentos, como chocolate, por exemplo, existem em versões ultraprocessadas ou apenas processadas, que devem ser priorizadas em relação às primeiras. Para identificar em qual grupo o produto se enquadra, o consumidor deve olhar a lista de ingredientes. Se encontrar algum que não conhece, este se trata de um alimento ultraprocessado.

 

 

 



Fonte: o Globo - Raphaela Ramos



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