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Entenda por que a sensação térmica do verão está muito além do que marcam os termômetros cariocas

Compartilhe:     |  26 de janeiro de 2015

Nesses dias de verão intenso, além do trivial “mas que calor!”, entrou no repertório das rodas de conversa a sensação térmica. Quase sempre bem mais alta do que a temperatura real do ar, ela é citada por todos, no entanto poucos sabem o que exatamente significa. A única certeza é de que o termômetro da esquina não reflete o desconforto sentido.

Pois é precisamente isso: a sensação térmica estima a relação entre a temperatura real e os fatores externos que potencializam este desconforto. Não é um termo novo, remonta à década de 1970, mas se encaixou como uma luva neste período de temperaturas máximas recordes. Tanto que o próprio Alerta Rio, sistema da prefeitura que faz medições meteorológicas, passou a registrar diariamente, neste verão, a sensação térmica.

— Esses registros começaram há cerca de um mês, exatamente porque é um verão atípico, com índices que vêm chamando a atenção — comentou Pedro Jourdan, meteorologista-chefe do Alerta Rio, destacando que o recorde da estação ocorreu no dia 21 de dezembro, quando, em Guaratiba, o termômetro oficial do órgão marcava, às 15h, a máxima de 40,7°C, e a sensação térmica era de escaldantes 55°C.

UMIDADE DO AR INFLUI

São três fatores que influenciam na sensação térmica: a temperatura real, a velocidade do vento e a umidade relativa do ar. Equações nada simples nos levam a um número, mas especialistas deixam claro que se trata apenas de um cálculo empírico e lembram que a subjetividade é outro fator importante na percepção de calor ou frio do ambiente. Para os leigos e curiosos, não é preciso perder muito tempo em equações complicadas, quando só se quer saber se o dia está realmente infernal. O Serviço Nacional de Meteorologia dos EUA (Noaa, na sigla em inglês) disponibiliza em seu site uma calculadora, em que basta colocar a temperatura e a umidade do ar para saber a sensação térmica.

Em linhas gerais, quando queremos medir o quão rigoroso é um dia de inverno, a velocidade do vento é determinante. Já quando o cálculo é para os dias de calor intenso, usa-se o indicador de umidade. Em ambos os casos, a temperatura é o item que não pode faltar.

— Em dias úmidos e quentes, transpiramos mais, porém o suor não evapora, o que prejudica o resfriamento do corpo — explica Jourdan.

Quanto mais altas a temperatura e a umidade, maior o desconforto. Em dias secos, ao contrário, a percepção de calor fica próxima da temperatura real. Para se ter ideia, se os termômetros marcam 30°C e a umidade está em 50%, a sensação térmica será de 31°C, segundo a Noaa. Já se nesse mesmo dia que marca 30°C, a umidade for de 90%, considerada muito alta, a sensação pula para 41°C.

O Rio de Janeiro tem índices de umidade relativa do ar geralmente altos, devido à proximidade com o oceano, segundo Jourdan. Ontem, por exemplo, embora a temperatura do ar tenha dado uma pequena trégua se comparada a dias anteriores e marcado a máxima de 33,5°C, a sensação térmica chegou a 43°C em Guaratiba.

— É uma amplitude bastante grande, que ocorreu porque o dia estava muito úmido (de 99% naquele local) — explicou Jourdan. — Em média, esta diferença é de até 5°C.

Meteorologista do Climatempo, Bianca Lobo acrescenta que o Rio apresentou dias bastante secos, por conta da dificuldade da chegada da frente fria, mas, mesmo assim, a percepção de calor continuou elevada. Isso ocorreu porque as temperaturas já eram extremas.

— As temperaturas do início do ano beiravam os 40°C. Neste caso, se tivermos uma umidade de 40%, então a sensação pula para 48°C — exemplifica a especialista.

TEMPO ABAFADO E PANCADAS DE CHUVA

Apesar da chuvinha tímida que refrescou um pouco a cidade nos últimos dias, a tendência é que as altas temperaturas e a sensação térmica igualmente elevada se mantenham nos próximos dias, segundo o Alerta Rio. A partir de hoje, existe a possibilidade de pancadas de chuva atingirem a cidade, mas a temperatura deve permanecer em torno dos 35°C. E no meio da próxima semana poderá voltar a 40°C.

— Será um quadro climático mais típico da estação, com tempo abafado e pancadas de chuvas à tarde — afirma Jourdan.

Já segundo o Climatempo, apesar das temperaturas acima da média para janeiro, uma frente fria está chegando com uma massa polar forte para afastar o ar muito quente. Este ar polar vai conseguir enfraquecer o calor gerado pelo bloqueio atmosférico de alta pressão subtropical do Atlântico Sul.



Fonte: O Globo - Flávia Milhorance



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