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Erupções estelares podem ajudar cientistas a saberem se um planeta é habitável

Compartilhe:     |  15 de novembro de 2020

Em um novo estudo publicado nesta segunda-feira (9) na revista Monthly Notices of Royal Astronomical Society, um grupo de cientistas abordou um tema pouco explorado que pode se tornar útil na busca por vida alienígena: a erosão atmosférica dos planetas. De acordo com a equipe, analisar esse fator pode ajudar a determinar se um mundo distante é habitável ou não.

Descobrir quais mundos podem ser habitáveis é de fundamental importância antes mesmo de procurar por seres vivos, pois é através da habitabilidade planetária que astrônomos sabem onde procurar bioassinaturas (ou seja, rastros químicos de origem biológica). A habitabilidade é determinada por uma série de características, como a temperatura, presença de água líquida e composição atmosférica.

Em exoplanetas (mundos que orbitam estrelas que não o Sol) distantes, é difícil detectar certas características. Mas o novo estudo propõe mais uma abordagem para determinar a habitabilidade. Liderada pelo pesquisador Dimitra Atri, a equipe apresentou o processo de análise de dados de erupções estelares captados pelo telescópio espacial TESS da NASA. Eles constataram que as erupções de energia mais baixa e mais frequentes tiveram um impacto maior na atmosfera dos planetas do que as chamas mais energéticas — que são mais raras.

Conceito do exoplaneta Kepler-186f, o primeiro rochoso que o telescópio Kepler da NASA descobriu na zona habitável de uma estrela, em 2014 (Imagem: Reprodução/NASA)

Essas emissões repentinas de energia solar consistem em fótons ultravioleta (XUV) extremos e partículas carregadas capazes de alterar a atmosfera superior de um planeta, e isso foi verificado na análise de dados apresentada neste estudo. Essa informação é muito útil, pois poderá ser implementada nos métodos de verificação de habitabilidade de exoplanetas. Em outras palavras, medir as erupções da estrela anfitriã pode dar pistas se algum planeta em sua órbita apresenta atmosfera habitável ou não.

Os cientistas também descobriram como diferentes tipos de estrelas com radiação ultravioleta extrema (XUV) aferam os planetas em suas órbitas, através de erupções estelares. Até então, os efeitos da atividade estelar sobre uma atmosfera ainda não haviam sido bem compreendidos — e provavelmente novas descobertas podem estar a caminho.

Como exemplo de próximas descobertas a serem feitas, o artigo aponta para a necessidade de uma melhor modelagem numérica para prever o escape atmosférico, ou seja, para descobrir como os exoplanetas liberam gases da sua atmosfera para o espaço. Esse escape pode significar uma atmosfera mais fina e, portanto, poucas chances do planeta ser habitável.

A equipe continuará seu estudo, com planos de expandir o conjunto de dados para analisar ainda mais erupções estelares de diversas estrelas para saber quais são os efeitos de longo prazo sobre os exoplanetas.



Fonte: Canal Tech - EurekAlert



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