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Escassez de recursos hídricos já é uma realidade preocupante no Brasil

Compartilhe:     |  4 de dezembro de 2014

A água é ainda abundante no Brasil, mas não é inesgotável. De acordo com Marussia Whately, especialista em Recursos Hídricos, estamos vivendo, em diferentes regiões, um esgotamento de recursos. Entre eles, a água, que é muito preciosa, porque sem ela não existe atividade econômica e, em última escala, vida. O Brasil tem 12% da água doce do planeta, porém, a  maior parte das nossas fontes de água, como rios, lagos e lençóis freáticos, está na região Norte do país, já a maioria da população vive na Região Sudeste.

– O ano de 2014 provalmente vai ficar marcado na história de vários lugares do Brasil por conta da estiagem severa pela qual estamos passando. A partir desse ano, ela começou a ficar muito intensa na Região Sudeste, principalmente no estado de São Paulo, mas também já começa a atingir a região de Minas e, provavelmente, é possível que o Rio de Janeiro comece a apresentar alguns problemas a partir do ano que vem – explica Marussia.

O estado do Rio de Janeiro não enfrenta seca, mas sua principal fonte de abastecimento, o Rio Paraíba do Sul, já está com os reservatórios com os níveis mais baixos dos últimos 36 anos. O estado do São Paulo nunca registrou  um período tão longo de estiagem, desde que os institutos começaram as medições, em 1928. O Sistema Cantareira, responsável por 45% do abastecimento de água da Região Metropolitana de São Paulo, está operando com a segunda parte de sua reserva técnica, o chamado volume morto.  A retirada dessa água funciona como o uso de um cheque especial.

– Estamos no negativo, tem que preencher essa dívida, para depois começar a encher. Se chover dentro da normalidade até o final de março é possível recuperar o sistema. Para a gente conseguir encher essas represas de novo, é mais do que um verão. Vai começar a chover, mas temos que continuar economizando. Quanto mais a gente conseguir economizar durante o verão, mais sobrevida, mais água a gente vai conseguir armazenar nos mananciais. Isso vai ser um desafio muito grande – explica a especialista.

O maior vilão do consumo de água em casa é o banho – 78% do consumo de água acontece no banheiro. Um bom banho pode e deve durar cinco minutos. Com o registro fechado na hora de se ensaboar, a economia pode chegar a 90 litros para uma casa e 162 litros para um apartamento. Fechar a torneira em qualquer atividade é fundamental. Na cozinha, a dica de economia é na hora de lavar a louça: primeiro tirar todo resto de comida antes de lavar, depois molhar toda a louça, ensaboar e só aí ligar a torneira, para enxaguar. Na área de serviço, a sugestão é juntar bastante roupa para usar a capacidade total da máquina. A água de reuso que sobrou pode ser utilizada para irrigação, descarga ou limpeza. A responsabilidade pelo consumo é dos cidadãos, mas também das autoridades.

– A gente ao longo dos anos vem tirando a mesma quantidade de água, choveu menos nos últimos verões e a estiagem desse ano piorou muito esse cenário. Vamos ter que evoluir muito em relação à gestão, como a gente cuida dos recursos, como os governos se relacionam para cuidar, uma mudança que precisa ser muito rápida – completa Marussia.



Fonte: Rede Globo - Como Será?



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