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Escorpiões: quem são essas formas de vida que há 450 milhões de anos habitam a Terra?

Compartilhe:     |  4 de março de 2021

Você sabia que os escorpiões estão aqui há muito mais tempo do que imaginamos? Sim! Os escorpiões existem há mais de 450 milhões de anos, por isso são bichos resistentes e bem adaptados à natureza. Eles viram o surgimento dos dinossauros, a extinção deles, e ainda o surgimento do homem. Esses animais peçonhentos (que produzem veneno e injetam pelo ferrão), como todo ser vivo, ajudam no equilíbrio ecológico. Além de se alimentar de pequenos insetos – barata é a comida favorita – e outros invertebrados, eles servem também de alimento e fazem parte da cadeia alimentar.

De acordo com o Controle de Zoonoses da Secretaria Municipal da Saúde da Prefeitura de São Paulo, existem no mundo cerca de 2.200 espécies de escorpiões. Denise Candido, bióloga no Laboratório de Artrópodes do Instituto Butantan, explica que, apesar de todos serem venenosos, cerca de 30 causarão problemas mais sérios ao ser humano. “No Brasil, nós temos cerca de 180, 185 espécies de escorpiões e atualmente são quatro as espécies consideradas perigosas, que podem causar óbito”, afirma.

Escorpião Tityus Amarelo

Por mais que os escorpiões habitem florestas úmidas e também desertos, eles podem viver nas cidades e estão cada vez mais próximos aos homens, podendo ser encontrados geralmente em cemitérios, terrenos baldios, em meio a materiais de construção e entulhos – principalmente no verão, quando o número de casos de acidentes aumenta.

Esses aracnídeos podem viver por muitos anos, dependendo da espécie. O Tityus serrulatus – escorpião amarelo e de tronco mais escuro –, por exemplo, é uma das espécies mais perigosas aqui no Brasil e tem uma média de quatro a cinco anos de vida na natureza. Outra espécie também muito perigosa é a Tityus stigmurus: também amarelo, esse escorpião possui uma faixa preta no dorso e um triângulo escuro próximo dos olhos.

Escorpião Tityus

Embora comum no Nordeste, segundo a bióloga, hoje há registro do Tityus stigmurus no estado de São Paulo, no Pará e em Santa Catarina. Isso acontece porque os escorpiões acabam encontrando condições favoráveis fora de sua zona natural.

Outras espécies do gênero Tityus no Brasil e que são consideradas perigosas: Tityus obscurus da Região Amazônica, que é a maior das espécies e pode medir até nove centímetros; e o pequeno Tityus bahiensis das regiões Sul e Sudeste, que tem de cinco a sete centímetros.

Escorpião Tityus obscurus

Se engana quem pensa que quanto maior o escorpião, maior o perigo. “As pessoas ainda acham que tamanho é documento e que se o animal é grande, ele vai causar acidente mais grave que um pequeno. Não é a nossa realidade”, analisa Denise. Os escorpiões considerados perigosos medem apenas cinco ou sete centímetros, com exceção do escorpião-preto (Tityus obscurus) da Amazônia, de até nove.

Brilho e reprodução dos escorpiões

Você sabia que alguns escorpiões brilham? Os escorpiões possuem em sua carapaça (superfície do corpo todo) substâncias chamadas mucopolissacarídeos, que tem a propriedade de se tornar fluorescente sob a luz emitida. Dessa forma, não é que eles emitam luz, mas sim, são capazes de refletir a luz ultravioleta.

“A função disso é discutida até hoje. Essa fluorescência foi descoberta pelos pesquisadores mais ou menos na década de 40, mas até hoje, apesar de várias teorias, não se tem exatamente qual seria a função disso”, esclarece Denise. “Alguns autores dizem que é para se guiar pela luz da lua, porque ela emite luz ultravioleta. Fala-se também que com a fluorescência deles, os escorpiões acabam enxergando um pouco mais o claro ou escuro e assim encontram o caminho para uma toca ou abrigo. Mas nada disso foi comprovado”, complementa.

Além desse fenômeno, há outra peculiaridade que ocorre com duas espécies – serrulatus e stigmurus: fêmeas patogênicas que não necessitam de macho para acasalamento. Os óvulos se desenvolvem diretamente em embriões por estímulo hormonal. Nascem cerca de 20 filhotes que em dez meses ficam adultos e prontos para reproduzir novamente. É dessa forma que a população aumenta. (Instituto Butantan/#Envolverde)



Fonte: Envolverde - por Instituto Butantan



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