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Especialista faz avaliação de sustentabilidade na gestão ambiental municipal

Compartilhe:     |  14 de abril de 2019

Tadeu Fabrício Malheiros é engenheiro civil e ambiental, além de mestre em Resources Engineering, doutor e pós-doutor em Saúde Pública. Ele defendeu a necessidade de novos olhares e novas abordagens com relação à sustentabilidade na gestão ambiental municipal, durante palestra no Fórum em comemoração aos 15 anos do Espaço Ecológico.

“É preciso fortalecer o aprendizado transformador da sustentabilidade de espaços passivos para ambientes transformadores no geral. As pessoas devem andar de bicicleta ou a pé, mesmo que seja menos conveniente. Durante os últimos 12 meses, com qualquer frequência, você utilizou estes meios de transporte para a universidade?”, questionou.

Ele revela, em pesquisa realizada no campus de São Carlos, que 60% dos docentes concordam com a ideia de que andar a pé ou de bicicleta seja conveniente. Mas, basta olhar o gráfico de como essas pessoas vão para universidade, para constatar que a maior parte, 80% dos docentes, vai de veículos. “A questão ambiental tem muito disso, é um discurso muito grande, mas que pouca gente põe em prática. A gente encontra um conflito significativo entre a prática e o discurso”, lamentou.

Para mudar esse processo, Tadeu Fabrício revelou que existem tentativas dentro dos currículos, mas não é tão simples as pessoas mudarem o comportamento. “Não é um processo de simplesmente chegar batendo na porta e dizer: vamos mudar o jeito que você se desloca, o jeito que você lida com a questão ambiental”, observou.

Ele explica que as lentes da sustentabilidade são processos que favorecem o alinhamento ao desenvolvimento sustentável nas tomadas de decisões. O desenvolvimento de um país está essencialmente ligado às oportunidades que são oferecidas à população de fazer escolhas e exercer sua cidadania.

Integrar programas existentes, conceitos de plataformas de aprendizagem, boas práticas, redes de contato, cursos EaD, parcerias com universidades, é outra parte importante em termos de enfoque. “Tem uma série de exemplos hoje de práticas que estão funcionando. Então, também a gente deve buscar na internet essas práticas e divulgar essas práticas. Tem um programa chamado Cidades Sustentáveis, tem manual, tem indicadores, tem vídeos, tem uma série de informações que às vezes está disponível e a gente acaba não usando”, alertou.

Tadeu destacou a importância de trabalhar com os indicadores. No entanto, ele observou que o uso das médias pode esconder as desigualdades, já que os indicadores de crescimento econômico não necessariamente medem o benefício social e ambiental. “Eu acho a questão da transparência uma parte forte hoje. Tem algumas instituições trabalhando com indicadores como, por exemplo, os ligados ao orçamento participativo. Esses indicadores, muitas vezes, precisam trabalhar, como foi o caso da cidade de São Paulo, sem usar a média, porque quando a gente usa a média da cidade, a gente esconde as desigualdades. Então, retrabalhar esses indicadores é muito bom para a comunidade”, sustentou.

Ele explicou que teve alguns projetos com o uso de indicadores para mobilização das comunidades, que começam enxergar melhor as questões. “Os indicadores podem voltar para o governo municipal, a fim da gente dialogar com o legislativo. A gente fez projeto com alguns bairros em São Carlos, por exemplo. Parte desses indicadores vinham de fotos que os alunos tiravam e a gente trabalhava, por exemplo, a questão da calçada, junto com as escolas. Aí os alunos saiam na rua e iam batendo fotos dos problemas. As fotos iam para um sistema e eles computavam o número de buracos que encontravam nas calçadas, o número de árvores plantadas de forma inadequada, o número de resíduos jogados de forma inadequada na rua”, detalhou.

Na opinião do cientista, a sustentabilidade abre novas oportunidades para reimaginar e reorganizar as interações entre a sociedade e a economia, os ambientes, a pesquisa e a educação, na escala de sociedades inteiras, respeitando os limites do planeta. O enfoque da sustentabilidade rompe barreiras de conflitos crônicos e resistências e, principalmente, de abordagens fragmentadas.



Fonte: Revista Espaço Ecológico



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