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Especialista tira dúvidas sobre alergia e intolerância ao leite

Compartilhe:     |  27 de outubro de 2014

O Fantástico deste domingo (26) mostrou que 350 mil crianças têm alergia à proteína do leite. Procuramos a alergista do Hospital das Clínicas da USP Ariana Young para tirar dúvidas sobre alergia e intolerância ao leite. Ela explicou a diferença entre intolerância e alergia, como e em que idade é feito o diagnóstico, os impactos nutricionais e as formas de tratamento.

Young comentou ainda o aumento no número de alérgicos à proteína e as chances de cura dos pacientes.

INTOLERÂNCIA X ALERGIA

“Alergia é um problema que o sistema imune está reagindo a uma proteína. Na intolerância, o corpo não está conseguindo digerir o açúcar, que é chamado lactose, que é o açúcar do leite. A lactose é o açúcar natural, que está presente naturalmente no leite.

Intolerância à lactose não é grave. O açúcar vai ficar lá acumulado e vai dar sintomas gastrointestinais, dor abdominal, cólicas, gases, diarreia, uma sensação de barriga estufada, um desconforto. Na intolerância, não corre risco de reação grave. Alergia já pode ser muito grave. Tem pacientes que têm sintomas leves mas têm pacientes que, de forma muito rápida, já podem inclusive ir a óbito por causa de uma reação alérgica”.

DIAGNÓSTICO

“Alergia à proteína do leite de vaca é uma das primeiras alergias que pode surgir na vida. Surge normalmente no primeiro ano de vida, enquanto bebê ainda. As alergias por leite, existem diferentes tipos, diferentes formas que a alergia pode se manifestar. A criança começa a apresentar vermelhidão pelo corpo, ficar irritada, vômito imediato, acabou de mamar e vomitou em seguida. Pode ter sintomas respiratórios como falta de ar, tosse, crianças podem ter convulsão, é uma reação extremamente grave, crianças podem ter convulsão. A reação mais grave é o choque anafilático, que pode levar à morte”.

RESTRIÇÃO NUTRICIONAL

“Enquanto é lactente, existem fórmulas específicas, fórmulas lácteas, em que a proteína é quebrada. São as fórmulas hidrolisadas. A gente substitui o leite então por essas fórmulas.

Na criança maior, que já não precisa mais do leite, e vai se alimentar de forma geral, a gente está tirando dela a principal fonte de cálcio. É possível através da alimentação repor esse cálcio, mas é muito difícil. Tem vários alimentos que são ricos em cálcio, vegetais verdes escuros, feijão, várias fontes de cálcio possível, as sementes têm bastante cálcio. Mas as quantidades, as proporções que têm que se ingerir para garantir as necessidades básicas diárias de cálcio, é muito difícil de criança ficar suprida nutricionalmente em relação ao cálcio”.

AUMENTO DE ALÉRGICOS

O aumento das alergias alimentares é muito percebido no mundo todo e aqui no Brasil nós também estamos percebendo um aumento real da alergia, de todas as alergias alimentares e especificamente a alergia ao leite. Nos últimos 15 anos, existe uma estimativa de que esse aumento esteja em 18%, poucas doenças aumentam tanto.  A estimativa é que hoje no Brasil nós tenhamos em torno de 350 mil crianças com alergia a leite.

REAÇÃO A TRAÇOS DE LEITE

“Não são todos os pacientes que reagem a traços. A sensibilidade para traços não acontece em todos os pacientes com alergia a leite. Isso é muito importante porque é um impacto muito grande nas opções que o paciente tem. Isso de forma leiga, uma mãe passando para outra, dá vontade de restringir para todo mundo. Não, calma. Se ele não tem sensibilidade para traços, vai ter uma vida muito mais tranquila, mais fácil, se não precisar fazer essa restrição. Isso o médico que avalia”.

REAÇÕES ALÉRGICAS

“Geralmente, a primeira reação não é grave, felizmente, porque aí dá até para pessoa aprender o que tem que fazer, como reagir em uma próxima reação – que eventualmente pode ser muito grave. Eventualmente nós atendemos pacientes que, na primeira reação, quando é bebezinho, têm a reação anafilática grave. E aí esse paciente tem que ir muito rapidamente para o pronto socorro para ser medicado. Porque o tempo de evolução é uma reação que é dramática no sentido que, do início do sintoma até o auge da reação, esse auge pode parar numa reação com um pouco de desconforto respiratório, mas pode parar com insuficiência respiratória e morte, esse processo evolutivo pode demorar 15 minutos”.

TRATAMENTO

“O tratamento da alergia, de qualquer alergia inclusive a alergia ao leite, é não ter contato com a proteína. Alergia é um problema que a gente não tem nada, não tem sintoma nenhum, se ele não tiver contato com a proteína. É o que a gente fala de restrição alimentar, restrição à proteína, para qualquer alimento que possa conduzir a proteína pra dentro do corpo”.

CURA

“A alergia ao leite é a que com mais frequência evolui para a cura, espontaneamente. A estimativa é que até os 5 anos de idade, mais da metade das crianças já tenham sarado. O paciente começa a fazer restrição e a gente vai monitorando e acompanhando se a gente acredita que esse paciente sarou ou não.

Para os pacientes que não desenvolveram tolerância, foram avaliados, fizeram restrição, a gente enquadra como alergia persistente. Não vai ficar tolerante. Esse processo existe uma forma de induzir essa tolerância que é a dessensibilização, o próprio veneno vai tratar. Mas é extremamente arriscado, tem bastante reação. Não pode, em hipótese alguma, ser feito em casa, diluir um pouquinho de leite e começar a dar. Não pode ser feito porque induz reação, então tem que ser feito de forma supervisionada e acompanhada por médico, com toda estrutura para o caso de uma reação acontecer. Mas é um tratamento muito com taxa de sucesso muito alta, próximo de 100%”.



Fonte: Fantástico



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