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Especialistas defendem que cidades devem ser a vanguarda da luta climática

Compartilhe:     |  13 de junho de 2014

Fabiano Ávila, do Instituto CarbonoBrasil/IISD

Segundo o Banco Mundial, a perda anual com enchentes nas cidades vai ultrapassar US$ 1 trilhão em 2050, sendo que boa parte do litoral brasileiro está entre as regiões que mais serão afetadas. Além disso, a entidade afirma que ondas de calor, escassez de recursos hídricos e tempestades mais intensas e frequentes já são observadas por todo o mundo, e que as autoridades locais deveriam assumir a vanguarda para lidar com esses problemas.

Essas mensagens foram apresentadas no Fórum sobre Experiências e Melhores Práticas Municipais e de Autoridades Subnacionais, que foi realizado em paralelo à rodada de negociações climáticas em Bonn, na Alemanha, ainda em andamento.

“Um novo mundo urbano precisa ser construído para que consigamos enfrentar o desafio climático. O sucesso ou o fracasso de uma civilização mais resiliente depende das cidades”, declarou Kishan Kumarsingh, co-presidente do evento.

O caso da atual crise de água em São Paulo chegou a ser mencionado, assim como exemplos de outras cidades que já enfrentam problemas possivelmente relacionados às mudanças climáticas, mesmo que não percebam.

“Ainda há muito desconhecimento quanto a esse assunto. Mas já está claro que as autoridades subnacionais não podem ficar esperando por algum tipo de acordo climático internacional para só então agirem. Mesmo que não reconheçam a realidade das mudanças climáticas, prefeitos precisam se dar conta que ações urgentes são necessárias em vários setores, como na gestão de recursos hídricos”, disse Brian Kilkelly, da Rede Mundial de Cidades.

Boas iniciativas

Um dos pontos centrais do evento foi dar destaque para as melhores políticas já implementadas ao redor do mundo.

Por exemplo, a cidade de Malmo (foto), na Suécia, possui 98% de seus resíduos residenciais reciclados ou transformados em energia. Toda a frota do transporte público utiliza apenas biogás e os carros da prefeitura são elétricos. Além disso, a cidade tem como meta ter 100% de sua energia gerada através de fontes renováveis até 2030, ano em que também deve alcançar a neutralidade de carbono.

Por sua vez, Bogotá, capital da Colômbia, investiu pesado nos últimos anos em um modelo de transporte público mais eficiente, o que retirou das ruas milhares de carros, melhorando o trânsito e reduzindo a poluição do ar e as emissões de gases do efeito estufa. A cidade lidera ainda o ranking latino-americano de ciclovias, com um total de 376 km construídos.

De uma forma geral, os especialistas reunidos em Bonn apontaram uma série de benefícios relacionados aos investimentos em resiliência climática nas cidades: são medidas que geram empregos em vários setores, como eficiência energética; que melhoram a saúde pública, diminuindo, por exemplo, os gastos com tratamentos de doenças respiratórias; e que reduzem enormemente as perdas em casos de eventos climáticos extremos, como enchentes e secas.

“Além disso, as cidades podem servir de exemplo para o mundo e facilitar o estabelecimento de um acordo climático vigoroso”, disse Gino Van Begin, do Conselho Internacional para Iniciativas Ambientais Locais (ICLEI).

Porém, nem todas as cidades possuem condições financeiras para promover ações desse tipo. Foi o que deixou claro o representante do município de Dar Es Salaam, na Tanzânia, que afirmou não haver recursos disponíveis para que se pense em adaptação ou mitigação climática.

Para casos como esse, os especialistas reunidos no evento destacaram a necessidade de serem colocados em prática mecanismos de financiamento já existentes, como o Fundo Climático Verde. Também deveriam ser criadas novas ferramentas de cooperação, transferência de tecnologias e de apoio logístico e técnico entre os governos nacionais e subnacionais.

“Será nas cidades que a batalha do desenvolvimento sustentável será vencida ou perdida”, concluiu Kirabo Kacyira, co-presidente do evento.



Fonte: Mercado Ético



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