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Especialistas listam orientações para quem quer abandonar o tabagismo

Compartilhe:     |  31 de dezembro de 2020

Campanha da Organização Mundial da Saúde reúne mais de 100 razões para largar o cigarro durante a pandemia; fumantes têm maior risco de desenvolver sintomas graves da Covid-19

Fumantes têm maior risco de desenvolver um quadro grave e morrer de Covid-19; fumar afeta sua aparência quase imediatamente; o tabaco ameaça a saúde de seus amigos e familiares — não apenas a sua. Essas são algumas das mais de 100 razões para abandonar o tabagismo listadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em uma campanha mundial lançada este mês.

A iniciativa “Comprometa-se a parar de fumar durante a Covi-19” tem duração de um ano e buscará ajudar pelo menos 100 milhões de pessoas na tentativa de largar o cigarro, por meio do desenvolvimento de comunidades digitais.

De acordo com o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, “fumar mata oito milhões de pessoas por ano, mas se as pessoas precisarem de mais motivação para largar o vício, a pandemia fornece o incentivo certo”. O pneumologista Gilmar Zonzin explica que os fumantes têm maior risco de desenvolver sintomas graves da Covid-19 por diferentes motivos.

— O mais pontual deles é que o consumo de cigarro aumenta nos pulmões a expressão de determinadas proteínas que são pontos de ligação de entrada do vírus nas células do aparelho respiratório. Se eu fumo, eu facilito o processo de penetração do vírus nesse órgão, em que ele determina seus níveis maiores de agressão — explica o médico, professor do Centro Universitário de Volta Redonda (UniFOA).

Além disso, Zonzin destaca que quem fuma já tem o pulmão e o corpo inflamados, e portanto com mais propensão a reagir com resposta inflamatória, que é um dos mecanismos de agressão adicional da doença provocada pelo coronavírus.

— Imagina o vírus agredindo um aparelho respiratório que, em vez de ser saudável, já é lesionado, vulnerável e adoecido pelo consumo de cigarro. A Covid-19 também tem tendência em ocasionar eventos trombóticos em vários órgãos, e o consumo de cigarro é um fator de risco adicional para as doenças trombóticas — afirma o pneumologista.

Andrea Reis, chefe da Divisão de Controle do Tabagismo e Outros Fatores de Risco do INCA, acrescenta que os fumantes também podem ter o risco aumentado de contrair a doença por levarem a mão à boca o tempo todo.

— O fumante não pode passar álcool em gel porque é inflamável, e se ficar toda hora lavando a mão, o cigarro acaba esfarelando. Por esse hábito repetitivo, a pessoa pode acabar contraindo a Covid-19 — alerta Reis.

Por outro lado, a pandemia pode incentivar o tabagismo, com o aumento do estresse, além de tornar o desafio de parar de fumar ainda maior.

— Não temos uma pesquisa que possa comprovar se houve aumento, mas sabemos que é um momento de muito estresse e de isolamento, então o INCA se preocupou em incentivar as pessoas em tratamento a continuarem com o desejo de parar de fumar. Também nos preocupamos muito com o tabagismo passivo, dentro de casa — afirma Reis.

A especialista do INCA ressalta que o tabagismo é uma doença de dependência da nicotina, e é o principal fator de risco modificável para as doenças crônicas não transmissíveis.

— A principal delas é o câncer. Mas pode provocar também o desenvolvimento da tuberculose, infecções respiratórias, doença gastrointestinal, impotência sexual, infertilidade — enumera Reis, e completa: — Parar de fumar é o melhor caminho e é uma boa decisão para o ano novo.

Orientações dos especialistas para quem quer parar de fumar:

Alguns motivos para parar de fumar, segundo a OMS:



Fonte: O Globo - Raphaela Ramos



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