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Especialistas querem cidades mais compactas, integradas e sustentáveis

Compartilhe:     |  7 de julho de 2015

Por Rodrigo Vargas*

Para especialistas, excesso de muros, reais e conceituais, afeta o bem-estar nas cidades

Presos no trânsito, segregados em condomínios, privados da convivência nas ruas, os moradores das cidades vivem hoje o ápice de uma concepção fragmentada do espaço urbano. Por isso mesmo, a busca por sustentabilidade e, por consequência, pela melhoria da qualidade de vida, deve começar pela retomada de conceitos como a cooperação e o senso de comunidade.

Este panorama foi debatido nasexta-feira (03) durante a programação do segundo e último dia do CICLOS – Congresso Internacional de Sustentabilidade para Pequenos Negócios, promovido pelo Sebrae em Cuiabá. Secretário de Cultura em Santos (SP), cidade que possui o 6º melhor IDHM (Índice de Desenvolvimento Humano Municipal) do país, o biólogo Fábio Alexandre Nunes defendeu o fim da “lógica umbilical”. “Hoje as pessoas estão blindadas. O pensamento está cerceado. O Shopping é o símbolo disso. Precisamos de novas gerações que tenham uma visão sistêmica e holística”, afirmou.

O arquiteto Edson Yabiku, do escritório de arquitetura londrino Foster & Partners, apontou o excesso de barreiras e a segregação dos espaços de convivência como um dos fatores que interferem na sensação de bem-estar. “Não espalhar, mas concentrar, misturar, diversificar. A cada muro que você constrói em uma cidade, a rua, que é o nosso espaço, o verdadeiro espaço público, morre um pouco”, afirmou.

Com mais de 350 projetos executados em todo o mundo, o Foster & Partners tem adotado estes conceitos em projetos como o de Masdar, uma cidade “zero carbono” em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes. “Uma cidade de pedestres, sem carros, compacta, com ruas estreitas e com toda a estrutura de transportes no subsolo. O foco tem de ser nas pessoas”, enfatizou.

O diálogo também contou com a participação da pesquisadora Deborah Pullen, da Building Research Establishment (BRE), fundação inglesa que é referência mundial em arquitetura e urbanização. Ela descreveu os conceitos que nortearam a bem-sucedida experiência com a revitalização de áreas degradadas de Londres durante a preparação para os Jogos Olímpicos de 2012. “Quando há uma decisão pela construção de novas moradias, é preciso considerar não apenas o retorno do investimento, mas também o impacto para o espaço urbano.” (Sebrae/#Envolverde)

* Rodrigo Vargas é jornalista especial para o Ciclos.



Fonte: Centro Sebrae de Sustentabilidade



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