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Espécie de musaranho é vista pela 1ª vez em 52 anos na África

Compartilhe:     |  21 de agosto de 2020

Cientistas dos Estados Unidos e do Djibouti anunciaram nesta última terça-feira (18) a redescoberta do sengui somali (Elephantulus revoilii), também conhecido como musaranho-elefante. A espécie não era vista por cientistas desde 1968, tornando-se uma das mais procuradas pela organização Global Wildlife Conservation ao longo de 52 anos.

O animal foi fotografado e filmado pela primeira vez em 2019, durante uma expedição científica no Djibouti, país africano onde pesquisadores haviam encontrado pistas da presença da espécie, que originalmente é da Somália.

“Para nós que vivemos em Djibouti e, por extensão, no Chifre da África, nunca consideramos os sengis como ‘perdidos’, mas esta nova pesquisa traz os sengi somalis de volta à comunidade científica”, comemora, em nota, Houssein Rayaleh, membro da Associação pela Natureza do Djibouti e coautor do estudo publicado, no PeerJ“Para o Djibouti, esta é uma história importante que destaca a grande biodiversidade do país e da região e mostra que existem oportunidades para novas ciências e pesquisas aqui.”

Sengui somali é redescoberto após 52 anos sem registro da ciência (Foto: Steven Heritage, Duke University Lemur Center)
Sengui somali é redescoberto após 52 anos sem registro da ciência (Foto: Steven Heritage, Duke University Lemur Center)

Para encontrar o animal, os pesquisadores espalharam 1.259 armadilhas em 12 locais que atrairiam o bicho pelo cheiro de uma mistura de manteiga de amendoim, aveia e fermento. No total, foram avistados 12 indivíduos da espécie.

Felizmente, os pesquisadores não encontraram ameaças iminentes ao habitat do sengui somali, que é seco e inóspito para atividades humanas, como a agricultura. Como a espécie está distribuída entre a Somália e o Djibouti e tem uma taxa de abundância semelhante a de outros senguis, os cientistas atualizaram dados da Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN Red List), classifcando-os como “minimamente preocupantes”.

“Normalmente, quando redescobrimos espécies perdidas, encontramos apenas um ou dois indivíduos e temos que agir rapidamente para tentar evitar sua extinção iminente”, disse Robin Moore, um dos líderes do programa de Busca por Espécies Perdidas do GWC. “Esta é uma redescoberta bem-vinda e maravilhosa durante uma época de turbulência para nosso planeta, e que nos enche de esperança renovada para as espécies de pequenos mamíferos restantes em nossa lista de mais procurados, como a toupeira dourada de DeWinton (Cryptochloris wintoni), um parente dos sengi, e o cloudrunner da Ilha Ilin (Paulus crateromys).”

Por meio dessa redescoberta, os cientistas também conseguiram analisar o DNA do animal e descobriram que sua linhagem é mais próxima da de senguis do Marrocos e da África do Sul. Os senguis somalis são parentes distantes dos porcos-da-terra, elefantes e peixes-boi, apesar do tamanho reduzido. Costumam se acasalar com apenas um parceiro e se alimenta de insetos com seu longo nariz, que rendeu o apelido de musaranho-elefante.

Antes da expedição de 2019, apenas 39 espécimes eram conhecidos, pois haviam sido coletados e preservados durante séculos em museus. Agora, com a boa notícia, os cientistas já planejam uma segunda expedição em 2022 para estudar mais a espécie.



Fonte: Revista Galileu



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