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Espécies de peixes na Austrália caem 30% na última década

Compartilhe:     |  7 de junho de 2018

O número de espécies de peixes grandes (aquelas com mais de 20 cm de comprimento) em águas australianas, diminuiu em 30% na última década, e a causa principal foi a pesca, aponta um novo estudo publicado.

Especialistas em ecologia marinha pedem por mudanças urgentes em relação à pesca no país, após a publicação desse estudo que foi realizado por cientistas da Universidade da Tasmânia e da Universidade de Tecnologia (UTS, na sigla em inglês), em Sydney (Austrália).

O estudo que durou uma década, utilizou dados de relatórios de mergulho de três diferentes entidades, o Instituto Australiano de Ciências Marinhas, a Universidade da Tasmânia e do “Reef Life Survey”, um grupo de cientistas alocados especialmente para comparar tendências em diferentes áreas marinhas: áreas onde existem peixes desprotegidos com áreas protegidas que permitem alguma pesca e áreas protegidas, que proíbem totalmente a pesca.

Os dados foram colhidos repetidamente em 533 pontos na Austrália, de 2005 a 2015, apenas de espécies de peixes grandes, aquelas com mais de 20 cm de comprimento, como pargo, sargo e peixe-papagaio.

Eles descobriram que a biomassa dos peixes grandes caiu em 36% em zonas de recifes alvos de pesca e 18% em zonas de parques marinhos (com permissão para pesca limitada).

“Como estávamos medindo os peixes nas áreas de pesca e comparando-os com as mesmas espécies nas áreas sem pesca (não permitida) encontramos diferenças substanciais da tendência ao longo desses 10 anos, podemos atribuir seguramente esse resultado ao impacto da pesca”, diz o co-autor do estudo, Trevor Ward, cientista marinho da UTS.

Ele disse ainda que o trabalho de pesquisa descobriu também que a mudança climática afetou também em algum nível a queda das espécies: “Ou seja, o número de peixes ainda estaria diminuindo até certo ponto, mesmo se não estivessem sendo vítimas de pesca, pois seu habitat está mudando.” Novamente a ação do homem intervêm de forma negativa no meio ambiente.

Ward disse que há uma necessidade imperativa de “abordar a questão da pesca de forma urgente”, ele ressaltou a importância de serem criadas mais áreas marinhas de proteção onde é proibido qualquer tipo de pesca, recreativa ou comercial. “Reservas marinhas são uma consequência natural do desejo de proteger o sistema ecológico”, defende o cientista.

Na terça-feira, o partido político australiano The Greens (os verdes, na tradução livre) solicitou ao governo a realização urgente de uma revisão científica independente do estoque de peixes australianos.

“Este estudo também mostra que os parques marinhos seriam ferramentas bem-sucedidas de proteção às espécies de peixes, , mas não temos o suficientes parques ou proteção garantida o suficiente dentro dos poucos que temos para gerar benefícios reais”, disse Peter Whish-Wilson, senador e porta-voz dos oceanos saúdaveis.

A ministra adjunta da Agricultura e Recursos Hídricos, Anne Ruston, ataca o relatório argumentando de forma superficial que “ele contém argumentos e conclusões erradas, que não se sustentam frente ao peso das evidências publicas”, disse ela sem aprofundar quais seriam esses “argumentos e concluões” mencionados.

“As capturas comerciais para todas as populações de peixes estão definidas em níveis ecologicamente sustentáveis e, pelo quarto ano consecutivo, nenhuma pescaria gerenciada exclusivamente pela comunidade pesqueira está sujeita à sobrepesca”, acredita a ministra adjunta.

Ela finaliza afirmando que o partido The Greens “não apresentou nenhuma informação sólida o bastante para justificar uma revisão”.

Mediante este tipo de posicionamento, a expectativa é de que novos relatórios apontando conclusões ainda mais alarmantes e negativas venham a surgir com o passar o tempo e a contínua exterminação de peixes são vítimas.



Fonte: Anda - Eliane Arakaki



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