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Espécies de ratos-do-brejo esclarecem conexões entre áreas alagadas da América do Sul

Compartilhe:     |  20 de novembro de 2020

Uma pesquisa realizada na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP) estabeleceu novos limites das espécies de ratos-do-brejo e de sua distribuição geográfica. O estudo reconheceu sete espécies dos roedores, uma a mais do que era conhecido pela ciência, provenientes do Nordeste brasileiro em áreas úmidas na Floresta Atlântica e Caatinga, e descobriu distintas conexões temporais entre as áreas úmidas dos biomas florestais da América do Sul. As conclusões têm implicações para a conservação desses animais e de seus biomas.

A pesquisa foi realizada pela pós-doutoranda Joyce Rodrigues do Prado e pelo professor Alexandre Reis Percequillo, do Departamento de Ciências Biológicas da Esalq-USP e do Programa de Pós-Graduação Interunidades (Esalq-Cena), junto com a professora Lacey Knowles, da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, com apoio da FAPESP.

Os ratos-do-brejo, do gênero Holochilus, são amplamente distribuídos pelos biomas da América do Sul, têm hábito de vida semiaquático, ocupando áreas abertas das planícies tropicais. A especificidade de hábitat e hábito faz com que esses roedores se tornem vulneráveis às alterações na paisagem devido às mudanças climáticas e pela ação antrópica. “Essas ações estão transformando as paisagens ocupadas pelos roedores, principalmente devido à expansão da agropecuária e o aumento considerável dos incêndios em uma das nossas maiores planícies alagadas, o Pantanal”, afirma Prado.

Segundo a pesquisadora, essas espécies de rato-do-brejo apresentam histórias independentes para cada um dos biomas sul-americanos e a eliminação de uma única espécie poderá representar a perda de importante parte de histórias evolutivas únicas.

“A América do Sul abriga uma fauna única e diversa de mamíferos, mas a origem e a história desses animais nos biomas do continente ainda são pouco conhecidas e seu estado de conservação merece muita atenção em face das drásticas mudanças ambientais das últimas décadas”, diz a pós-doutoranda.

O estudo foi o primeiro no país a utilizar métodos genômicos para delimitar espécies de roedores e descrever sua diversidade. Os pesquisadores se basearam no exame de espécimes preservados em diversos museus de história natural e coleções científicas do Brasil, Estados Unidos e Europa. A maioria dos espécimes da nova espécie no Nordeste é resultante de extensos trabalhos de campo realizados pelo Serviço Nacional de Peste (SNP), depositados no Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (MN) na década de 1950.

“O recente incêndio que devastou essa instituição nos privou de importantes e insubstituíveis exibições e coleções. Os museus e coleções brasileiros são testemunhos de nossa história e fornecem um acesso crítico em nossa busca pelo conhecimento de nossa biodiversidade”, afirma.

* Com informações da Assessoria de Comunicação da Esalq-USP.



Fonte: Agência FAPESP



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