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Estar ao lado das crianças às refeições traz inúmeros benefícios para a saúde delas

Compartilhe:     |  4 de setembro de 2014

Pais que ficam presos no trabalho até tarde, pouca familiaridade com as panelas, trânsito. Isso sem falar no hábito de comer fora, cada vez mais comum entre os brasileiros – representa 33% dos gastos com alimentação nas zonas urbanas. Por diversas razões, reunir as famílias em volta da mesa diariamente está se tornando raro, especialmente nos grandes centros. Mas o que será que estamos perdendo com isso?

“Uma refeição em família faz bem para a cabeça, para o espírito e para a saúde de todos os membros”, afirma a psicóloga Anne Fishel, professora de psicologia da Escola de Medicina de Harvard e co-fundadora da ONG The Family Dinner Project (Projeto da Refeição em Família, em inglês), dos Estados Unidos. A especialista garante que diversas pesquisas científicas realizadas nos últimos anos comprovam sua teoria. Uma revisão de estudos publicada este ano pela Universidade Estadual de New Jersey (EUA) sugere, por exemplo, que as crianças que fazem um maior número de refeições em família tendem a comer mais vegetais, vitaminas e fibras, ao passo que ingerem menos junk food. Não por acaso, o IMC (índice de massa corporal) delas costuma ser mais saudável. Já os adolescentes que sentam à mesa para comer com os pais frequentemente têm menos chance de sofrer de depressão e dizem se sentir mais acolhidos por eles.

A jornalista Giuliana Bastos, 38, mãe de Gabriel, 6, e Heloísa, 3, mudou a rotina de trabalho recentemente para ficar mais tempo com as crianças – e agora eles tomam café da manhã e almoçam juntos todos os dias. Em poucos meses, já notou mudanças significativas. “O consumo de salada, por exemplo, melhorou. Hoje, elas estranham quando não tem”, comemora. Para a mãe, além de acompanhar de perto a alimentação das crianças, outra vantagem é simplesmente compartilhar as experiências do dia a dia. “É o momento em que nos conectamos, dividimos nossas aflições, somos família no sentido mais primitivo e essencial”, conclui.

Para a psicóloga Camille Gaviolli, do Centro de Obesidade Infantil do Hospital Sabará (SP), a refeição em família é de fato uma oportunidade de trocas, que não se limita aos alimentos. Em resumo, é quando os pais podem conhecer melhor os filhos, das comidas preferidas às situações que os incomodam. Mas, para que isso aconteça efetivamente, é preciso manter distância da TV, do celular e de outros aparelhos eletrônicos que prendam a atenção da família enquanto estiverem à mesa. Isso porque a interação, de acordo com Camille, vai depender da disponibilidade e da disposição de todos. “Não é estar junto apenas”, diz. Quer mais uma razão para desligar a TV? Tanto adultos quanto crianças comem mais do que precisam quando o aparelho está ligado, o que aumenta o risco de obesidade.

Qual a saída?

OK, você já entendeu porque as refeições em família são fundamentais. Para a nutricionista Karine Durães, especializada em pediatria, vale a pena reorganizar a rotina se a família não consegue se encontrar em nenhuma refeição ao longo do dia. “Uma sugestão é acordar um pouco mais cedo e tomar o café da manhã juntos”, diz. Ou, então, negociar no trabalho para sair um ou dois dias antes do horário durante a semana. Se ainda assim, for impossível, ela reforça que filhos e pais devem aproveitar a oportunidade de se reunir à mesa durante o fim de semana – são seis refeições, no mínimo, nesse caso.

Veja também algumas dicas para agilizar o preparo dos alimentos e ganhar tempo. A primeira é aproveitar o fim de semana e cozinhar pratos rápidos, como ensopados e caldos, e congelá-los. Outra alternativa é comprar, vez ou outra, uma carne ou massa pronta, no supermercado ou na rotisseria, e incrementar com uma salada mista.

A preparação para o almoço ou o jantar também são importantes. Por isso, vale pedir ajuda do seu filho no preparo da refeição e na hora de arrumar a mesa – mais uma oportunidade para conversar com as crianças.

TENTE FAZER EM CASA

Além de ensinar os filhos a comer melhor, por meio do exemplo, os pais também podem aproveitar esse momento para introduzir outros hábitos saudáveis. Confira:

– Evitar ingerir líquidos, principalmente bebidas açucaradas, durante a refeição, pois eles interferem no apetite;

– Tirar o saleiro da mesa: sódio em excesso favorece doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e obesidade;

– Deixar a comida no fogão, assim ninguém vai repetir se não estiver realmente com fome;

– Desligar a TV, o celular e outros gadgets;

– Incentivar as crianças a comer sozinhas.

Dicas de Karine Durães, nutricionista especializada em pediatria



Fonte: Revista Crescer



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