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Estudantes desenvolvem tecido sustentável usando plantas marinhas

Compartilhe:     |  8 de abril de 2020

Equipe interdisciplinar se reuniu para encontrar uma maneira de combater o consumo excessivo de água doce na produção têxtil. O resultado foi a start-up SaltyCo

Um grupo de estudantes de Londres desenvolveu tecidos a partir de plantas cultivadas na água do mar, fornecendo uma solução em potencial para as indústrias têxtil e de moda. Atualmente, um dos grandes problemas desse ramo é o alto consumo de água doce.

A ideia foi fabricar um tecido que possa servir como substituto para o algodão, cujo cultivo chega a consumir até 20.000 litros de água doce para a produção de apenas um quilo do material. O projeto resultou no plano de criação da start-up SaltyCo, voltada para a elaboração de um tecido que usa uma planta tolerante ao sal e que prospera na água do mar. O material poderia servir para a criação de jaquetas com isolamento térmico, couro falso e roupas como camisetas e calças.

Os alunos – uma equipe interdisciplinar do Imperial College de Londres e do Royal College of Art – se reuniram para encontrar uma maneira de combater o alto consumo de água doce na indústria têxtil. Isso os levou à idéia de usar plantas tolerantes ao sal e, após testes promissores, agora planejam o lançamento da SaltyCo para levar seus produtos têxteis ao mercado.

“Inicialmente ficamos chocados com as vastas quantidades de recursos consumidos pelas indústrias de moda e têxtil, principalmente de água doce”, disse Julie Ellis-Brown, engenheira mecânica da SaltyCo à Dezeen.

“Temos levado nosso planeta ao limite de seus recursos e agora estamos começando a ver os efeitos de poços secando, lagos e reservatórios sendo substituídos por desertos e cada vez mais pessoas sofrendo de escassez de água diariamente”, adiciona.

Embora os esforços atuais da indústria estejam focados principalmente no uso de materiais orgânicos ou reciclados, Ellis-Brown disse que a SaltyCo está aguardando o próximo desafio. “Há muito tempo você compra tecidos orgânicos, veganos e naturais”, disse Ellis-Brown. “Mais recentemente, também estamos vendo a introdução da neutralidade de carbono como um padrão. Agora, estamos olhando para qual será o padrão sustentável de amanhã – tecidos sem água doce, por exemplo“. “Ao criar um novo calibre do que é necessário para um têxtil ecológico, esperamos pressionar marcas e líderes de pensamento a se voltarem para esses novos materiais”, acrescentou.

A SaltyCo está desenvolvendo três produtos têxteis diferentes a partir de sua planta tolerante ao sal, que, para proteger sua propriedade intelectual, eles não podem nomear atualmente. Há um tecido, um material semelhante ao TNT e um enchimento.

O enchimento é o mais próximo de estar pronto para o mercado – e a SaltyCo já o exibiu como parte de uma jaqueta. Ellis-Brown diz que o material é quente, leve e hidrofóbico, tornando-o adequado para jaquetas isolantes.

Eles também exibiram o material semelhante ao TNT em algumas formas e creem que pode ser usado para acessórios ou couros falsos. O tecido requer um desenvolvimento mais aprofundado e, se for bem feito, teria propriedades semelhantes às do linho ou do algodão.

SaltyCo está participando do Venture Catalyst Challenge, do Imperial Enterprise Lab, e espera lançar a startup nos próximos meses.



Fonte: Equipe Ecycle - Dezeen



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