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Estudar genoma do cisne-negro pode evitar uma futura pandemia

Compartilhe:     |  1 de agosto de 2020

Cientistas da Universidade de Queensland, na Austrália, divulgaram na última quarta-feira (29) o resultado do mapeamento genético da espécie Cygnus atratus, popularmente conhecida como cisne-negro. A descoberta foi apresentada no banco de dados National Centre for Biotechnology Information (NCBI), uma seção da Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos.

Os pesquisadores decidiram estudar especificamente o cisne-negro porque ele é particularmente suscetível à gripe aviária de alta patogenicidade (HPAI, na sigla em inglês). Embora seja uma doença comum em aves, existe a possibilidade de que o vírus causador da infecção “salte” de uma espécie para outra — que podem vir a ser os humanos.

Estudos indicam que o Sars-CoV-2, causador da pandemia de Covid-19, surgiu por um processo parecido: teria saltado dos morcegos para nós. “Se a pandemia atual nos ensina alguma coisa é a importância de sabermos sobre vírus animais que possivelmente podem afetar humanos”, comenta Kirsty Short, líder do estudo, em declaração.

Segundo os especialistas, o “salto” ocorre principalmente pelo contato direto com animais selvagens, o que pode ocorrer pelo consumo de sua carne, pela caça ou pela destruição de seu habitat natural. A “transferência” da HPAI para seres humanos, contudo, é rara: desde 2003, o vírus infectou apenas 800 pessoas, aproximadamente, em todo o mundo.

Isso não significa que os cientistas podem relaxar — muito pelo contrário. “Mais de 50% dos indivíduos infectados [desde 2003] não sobreviveram à doença”, observa Short. De acordo com Organização das Nações Unidas (ONU), a HPAI é altamente contagiosa e, desde 2011, há uma endemia da doença em aves domésticas em Bangladesh, China, Egito, Índia, Indonésia e Vietnã.

Cisne-negro

Dentre todas as espécies de aves selvagens, os cisnes-negros são os mais suscetíveis a sintomas graves da doença, podendo morrer apenas 24 horas após a infecção. Por outro lado, patos geralmente têm sintomas leves e se curam facilmente.

“Por isso, queremos entender se falta algum componente da resposta imune no genoma do cisne-negro que o torna tão suscetível à HPAI”, relata Short. Ela e seus colegas identificaram diferenças importantes em como alguns genes de expressam no animal em comparação com outras espécies de cisne e aves em geral. “Também estamos fazendo comparações em larga escala desses genomas controladas por computador”, conta a especialista.



Fonte: Revista Galileu



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