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Estudo acompanha 82 pacientes com doenças cardíacas e aponta que 58% tiveram quadro grave da Covid-19

Compartilhe:     |  26 de março de 2020

Um novo estudo publicado nesta quarta-feira (25) pela revista “Jama” reforça a existência de um risco maior para pacientes com doenças cardíacas em caso de infecção do novo coronavírus Sars-Cov-2. Entre os cardíacos analisados no estudo, 58% desenvolveram a versão mais grave da doença. Dentro do grupo de cardíacos, mais da metade morreu.

Foram analisados 416 pessoas com o Sars-CoV-2 em Wuhan, na China, sendo que 82 delas tinham problemas vasculares e cardíacos (19,7%) e 334 (80,3%) não apresentavam esse perfil. Os pacientes tiveram os registros médicos inseridos entre 20 de janeiro e 10 de fevereiro de 2020. Todo o grupo precisou ser hospitalizado.

Veja mais características dos casos estudados:

  • Média de idade de 64 anos (pacientes com idade entre 21 e 95 anos)
  • 211 eram mulheres (50,7%)
  • Pacientes com problemas do coração tinham: doença arterial coronariana (10,6% do total), doenças vasculares cerebrais (5,3%) e insuficiência cardíaca crônica (4,1%).

Os sintomas do grupo:

  • 334 apresentaram febre (80,3%), sendo assim o sintoma mais comum
  • Tosse, em 144 pacientes (34,6%); dificuldade para respirar, em 117 (28,1%); fadiga, em 55 (13,2%); produção de catarro, em 23 (5,5%); e dor muscular, em 19 (4,6%)
  • Sintomas presentes em menos de 4% do grupo: diarreia, dor no peito, dor de garganta, nariz escorrendo e dor de cabeça.

O tempo médio de internação no hospital foi de 10 dias e parecido entre os dois grupos de pacientes, independentemente dos problemas de saúde associados. As pessoas com doenças cardíacas tinham uma idade média mais alta: 74 anos, com variação entre 34 e 95 anos. Os indivíduos sem problemas do coração tinham em média 60 anos, com idades entre 21 e 90 anos.

Após tratamento no hospital com respirador, mais da metade dos pacientes cardíacos (42 pessoas, que representavam 51,2% do grupo) morreram, contra 15 casos (4,5%) entre as 334 pessoas sem problemas do tipo.

“As doenças cardíacas são condições comuns entre os pacientes hospitalizados com a Covid-19 e estão associadas a um risco maior de mortalidade hospitalar. Mesmo que o mecanismo do problema cardíaco precise ser mais explorado em cada caso, os resultados apresentados neste estudo mostram a necessidade de considerar essas complicações na gestão da doença”, escrevem os autores na conclusão do estudo.

Doenças associadas x casos leves

Um outro estudo publicado em 17 de fevereiro com base nos dados do governo chinês já havia relacionado um maior risco para pessoas com outras doenças associadas durante a infecção do novo coronavírus. Foram analisados 44 mil casos, sendo que 80% deles foram considerados leves.

Nesta pesquisa mais antiga, os pacientes com doenças cardiovasculares haviam apresentado uma taxa de mortalidade de mais de 10%, enquanto a média do grupo estava em 2,3%.

Jovens precisam se cuidar

Apesar de atingir com mais força os pacientes idosos, a Covid-19 também é um risco para a população mais jovem, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) .

“Uma das coisas que estamos aprendendo é que, embora os idosos sejam os mais atingidos, os mais jovens não são poupados“, disse diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

Segundo o executivo, dados recentes da agência de saúde da ONU mostram que pessoas com menos de 50 anos representam uma proporção significativa de pacientes que precisam ser hospitalizado, com casos mais graves da síndrome respiratória.

“Hoje, tenho uma mensagem para os jovens: você não é invencível”, disse Ghebreyesus. “Esse coronavírus pode te mandar para o hospital por semanas ou até mesmo matar.”

O diretor-geral alertou também que ainda que não apresente sintomas, ficar em casa pode fazer a diferença entre a vida e a morte de outras pessoas. A OMS reforçou o pedido de distanciamento social e recomendou maneiras de se manter saudável durante o isolamento.

Segundo a organização, é importante manter uma alimentação saudável, evitar fumar e consumir álcool com exagero além de procurar manter as rotinas de exercícios diárias com o acompanhamento de vídeos de exercícios, subir e descer escadas ou dançar dentro de casa.



Fonte: Bem Estar



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