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Estudo aponta que inteligência de corvos é comparável à de primatas

Compartilhe:     |  14 de dezembro de 2020

Aves demonstram habilidades sociais e físicas “muito semelhantes” a de grandes macacos, aponta estudo realizado na Alemanha.

A expressão “cérebro de passarinho” pode ganhar todo um novo sentido após pesquisadores alemães concluírem que corvos podem ser tão espertos quanto alguns de nossos ancestrais mais próximos. A descoberta tem o potencial de ajudar a desvendar “um dos grandes mistérios da ciência”, salientaram os cientistas: a evolução da inteligência.

Em um estudo publicado nesta sexta-feira (11/12) na revista Scientific Reports, pesquisadores da Universidade Osnabrück e do Instituto Max Planck de Ornitologia (MPIO), na Alemanha, compararam as habilidades cognitivas físicas e sociais de corvos com as de chimpanzés e orangotangos.

Após aplicação de testes experimentais originalmente desenvolvidos para primatas e adaptados para os pássaros, os pesquisadores concluíram que os corvos comuns já haviam desenvolvido habilidades cognitivas plenamente desenvolvidas aos quatro meses de idade, semelhantes às dos macacos adultos na conclusão de várias tarefas.

Os pesquisadores salientaram que este foi o primeiro estudo em “grande escala” das habilidades cognitivas de corvos. O estudo pode fornecer pistas sobre a evolução cognitiva “paralela” entre mamíferos e pássaros, cujas linhas evolutivas teriam se separado há aproximadamente 300 milhões de anos.

Plantas são inteligentes?

Como os testes foram conduzidos?

Oito corvos comuns com idades entre 4, 8, 12 e 16 e criados em cativeiro foram avaliados no Instituto Max Planck (MPIO) de Ornitologia, perto de Munique. Eles foram soltos em um aviário ao ar livre e submetidos ao chamado teste PCTB, sigla em inglês para “Bateria de Testes de Cognição de Primatas”, geralmente usado em macacos de grande porte.

Em um dos testes, por exemplo, um corvo deveria selecionar uma de três xícaras em movimento que escondia uma guloseima, usando seu bico para bicar ou apontar para ela, enquanto um chimpanzé usaria um dedo.

Também foram realizados testes para verificar se as aves compreendiam causalidade, tinham memória espacial e rotacional, podiam se comunicar olhando e apontando e exibiam capacidade mental ao seguir os olhares dos outros corvos.

Dois corvosOs pesquisadores usaram uma bateria de testes desenvolvida para primatas, mas adaptada para os corvos

Independência aos quatro meses

Já aos quatro meses, as aves demonstraram habilidades cognitivas “desenvolvidas” ao lidar com nove tarefas físicas e seis sociais, disseram as principais cientistas envolvidas no projeto, a professora Simone Pika, da Universidade Osnabruck, e Miriam Sima, do MPIO.

“Aos quatro meses de idade, os corvos jovens já são bastante independentes”, disse Pika.

“Nossos corvos e os primatas de grande porte demonstraram semelhanças consideráveis”, disseram os autores, referindo-se às habilidades cognitivas testadas até os pássaros completarem 16 meses.

Para estudos futuros, os cientistas pretendem desenvolver testes que identifiquem habilidades específicas para cada espécie.

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O QUE OS ANIMAIS TÊM DE HUMANO

Ferramentas

Durante muito tempo postulou-se que o uso de ferramentas era uma habilidade exclusivamente humana. No entanto, chimpanzés têm demonstrado aptidões surpreendentes para essa atividade. Pesquisadores do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva, em Leipzig, encontraram provas na África Ocidental que há 4.300 anos esses primatas vêm quebrando nozes com ferramentas de pedra.

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Assovie o meu nome

Cientistas britânicos demonstraram que os golfinhos-nariz-de-garrafa chamam seus parceiros usando padrões individuais de assovio. Em outras palavras: os mamíferos aquáticos empregam algo comparável aos nomes humanos. Aparentemente eles desenvolvem ainda bem jovens suas assinaturas em forma de sequências de assovios.

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Inventores de asas

Os corvos-da-Nova-Caledônia parecem ser capazes de inventar ferramentas. Em 2002, a revista “Science” divulgou um artigo sobre como um pássaro da espécie dobrava um arame reto, transformando-o num gancho para pescar comida de dentro de um recipiente.

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Memória de longo prazo

Porcos kunekune não só assimilam certos comportamentos observando seus parentes: segundo constataram cientistas de Viena, os animais nativos da Nova Zelândia também se mostram capazes de repetir o que aprenderam meio ano antes, provando que possuem memória de longo prazo.

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Pecuária

Certas formigas mantêm pulgões como animais de criação, a fim de colher o néctar que eles produzem. Não só: para assegurar controle total, elas empregam uma substância química que força os piolhos-de-plantas a se moverem mais lentamente, impedindo que escapem.

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Autoconsciência

Os pombos possuem uma capacidade que os humanos só desenvolvem após alguns anos de vida: eles estão entre os poucos animais que se reconhecem no espelho. Essa consciência de si mesmo é um elemento vital para distinguir os seres inteligentes dos que agem por puro instinto.

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Vida social

Próximo ao litoral oeste do Canadá, duas populações de orcas mantêm uma cultura de 700 mil anos. “Residentes” e “passantes” compartilham o mesmo habitat temporariamente, mas não se acasalam entre si e têm dietas diversas. Os espécimes de passagem tradicionalmente se alimentam de mamíferos, os locais, de peixe. E ambas não se desviam desses hábitos mesmo em épocas de necessidade.

Autoria: Klaus Esterluss (av)



Fonte: DW



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