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Estudo da UFRN realizado em parceria com o Insa elucida o papel da Caatinga como sumidouro de CO2

Compartilhe:     |  20 de junho de 2020

Para alcançar o objetivo principal de elucidar o papel  real do Bioma Caatinga para o Balanço de CO2 regional e global, foi desenvolvido um estudo, pelo Grupo de Estudos Observacionais e de Modelagem da Interação Biosfera-Atmosfera (GEOMA), da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), liderado pelo professor Dr. Bergson Bezerra, ex-bolsista PCI/MCTI/INSA , e Cláudio Moisés, ambos atualmente docentes daquela Universidade, em parceria com pesquisadores do Instituto Nacional do Semiárido (Insa), Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), Universidde Federal de Pernambuco, Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA) e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

A pesquisa é o resultado de dois anos de análises das trocas de energia e CO2 entre uma área de Caatinga e a atmosfera. As áreas monitoradas mostraram que elas  atuaram como sumidouro de CO2, mesmo num período de seca extrema que assolou a região durante o período de observação, absorvendo, durante o período, mais de 3 toneladas de carbono por hectare.

Um dos resultados também  demonstrou que a Caatinga apresentou uma elevada eficiência de uso do carbono, conferindo a esta a condição de floresta mais eficiente de uso do carbono do que todos os demais tipos de florestas mundialmente estudadas até agora.

A pesquisa completa foi publicada na Revista Científica Scientific Reports, do Grupo Nature, e está disponível para acesso, através do link https://www.nature.com/articles/s41598-020-66415-w

Captura de CO2

O CO2 (Gás Carbônico) é o principal gás do efeito estufa, e o que mais interfere no processo irreversível de mudanças climáticas no planeta, através do aquecimento global, como um percentual de emissão – segundo Painel Intergovernamental de Mudanças do Clima – de 78%. Ele é emitido, principalmente através da queima de combustíveis fósseis – como o petróleo e gás natural – queimadas e desmatamento.

Apesar do processo de alteração do clima ser natural, a forma e a intensidade em que está acontecendo, preocupa especialistas do mundo todo. Com o crescente índice de dióxido de carbono sendo liberado dia após dia, faz-se necessário alternativas diretas e indiretas que possam minimizar os impactos ao meio ambiente, em curto e logo prazo.

Alternativas essas, como o sumidouro de Carbono, uma atividade que captura os gases de efeito estufa da atmosfera e os armazena por um período, principalmente em oceanos, solos e florestas, através do processo fotossintético, ao mesmo tempo que emitem CO2 para a atmosfera pelo processo de respiração das plantas e do solo, ou seja, ecossistemas aliados são aqueles que tenham capacidade de absorver ou sequestrar mais CO2 do que emiti-lo.

O debate sobre os sumidouros de CO2 começou a ser levantado no cenário internacional em 1997, no Protocolo de Quioto – quando foi levantado que a medida de absorção do gás por árvores e solos, é tão eficaz quanto a de reduzir a sua emissão através da queima de combustíveis fosseis. Fazendo assim, com que os recursos naturais que poderiam atuar nesse processo, ganhassem mais relevância.

Neste cenário, entra em pauta o real papel das florestas tropicais sazonalmente secas, dentre elas a Caatinga, típica do Semiárido Brasileiro, como contribuintes do processo. Essas incertezas e/ou desconfianças pode estar ligadas à falta de estudos dessa temática, tão comum em outros biomas, e o desprezo pelo qual a Caatinga sempre foi tratada, renegada a condição de floresta pobre e sem potencial.



Fonte: Insa - Ascom - Elaine Campelo



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