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Estudo diz que não existem mais habitats intocados na Terra devido a ação humana

Compartilhe:     |  12 de junho de 2016

É apropriado afirmar que a sociedade humana tem deixando uma “impressão digital” duradoura aqui na Terra. Podemos falar de fatores positivos, como todos os avanços no campo do saber tecnológico, por exemplo, tanto quanto os negativos, causados pelos impactos climáticos e pela produção industrial. Contudo, considerar um ambiente puro, jamais tocado pelas mãos do homem ou um verdadeiro santuário natural terreno, já não é mais uma opção.

Segundo um estudo recente, que visou vasculhar décadas de dados arqueológicos, foi comprovado que já não existem mais lugares intocados na Terra. Todos eles já foram afetados pela sociedade e atividade humana. E provavelmente, isso já acontece há alguns milhares de anos.

Foram analisados 30 anos de estudos arqueológicos juntamente com um conjunto de dados sobre DNA, microfósseis antigos e modelos estatísticos. O estudo foi feito pela arqueóloga Nicole Boivin, da Universidade de Oxford, na Inglaterra e seus colegas do Instituto Max Planck para a Ciência da História Humana, na Alemanha, e publicado pela Proceedings of the National Academy of Sciences.

A conclusão: o impacto da humanidade no planeta não se limitou apenas as mudanças tecnológicas e sociais, como a Revolução Industrial. Na verdade, elas foram observáveis desde muito antes, no final do período Pleistoceno, sob a forma de extinção de espécies associadas ao crescimento da população humana, há 195.000 anos. O exemplo mais significativo disso, segundo os pesquisadores, é a redução dramática na megafauna (espécies animais grandes) entre cerca de 50.000 e 10.000 anos atrás. Essa ação teve efeitos dramáticos nos ecossistemas em termos de dispersão de sementes, por exemplo.

O advento da agricultura, que pressionou a evolução de plantas e animais, causando impactos sem precedentes na evolução das espécies; a colonização de ilhas, que impactou nos ecossistemas naturais desses biomas; a extinção indígena, para a colonização de novas terras; e a expansão do comércio, são algumas das ações que resultaram nessa consequência.

O fato é que, essa descoberta completa do ambiente natural humano, a longo prazo, nos obrigará a tomar uma abordagem mais prática nos esforços de conservação. Logo, “nosso comportamento irá alterar a natureza”, segundo o estudo, e vamos precisar planejar adequadamente a nossa permanência aqui na Terra.

Esses dados arqueológicos cumulativos demonstram claramente que os seres humanos são mais do que capazes de remodelar e transformar radicalmente os ecossistemas“, disse Boivin. “Agora, a questão é que tipo de ecossistemas iremos criar para o futuro. Será que vamos apoiar o bem-estar de nossa própria e de outras espécies ou vamos fornecer um contexto para novas extinções em grande escala e as mudanças climáticas irreversíveis?”. Fica no ar a pergunta sem resposta.



Fonte: Jornal Ciência - Merelyn Cerqueira



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