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Estudo orienta novas áreas de coleta para a espécie de planta aquática da Caatinga

Compartilhe:     |  14 de junho de 2020

O reconhecimento de áreas ambientalmente adequadas à sobrevivência e reprodução de espécies endêmicas, raras e ameaçadas de extinção é fundamental para a ampliação do conhecimento sobre a história natural desses taxons, podendo ter implicações sobre a conservação da biodiversidade. Nesse contexto, o Núcleo de Ecologia e Monitoramento Ambiental (NEMA) da Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF) tem promovido estudos voltados à avaliação da distribuição geográfica dessas espécies da Caatinga. Um dos resultados desse estudo pode ser conferido no artigo da revista Oecologia Australis sobre a espécie Anamaria heterophyll.

Intitulado “Modeling the Potencial Distribuition of Anamaria heterophylla (Giul. & V.C.Souza) V.C.Souza (Plantaginaceae) in the Caatinga“, o artigo avalia as condições ambientais adequadas para a sobrevivência de A. heterophylla na Caatinga e indica habitats com condições ambientais semelhantes aos dos locais de ocorrência conhecidos para a espécie. Além disso, prospecta Áreas Protegidas – APs (Protected Areas) e Áreas Prioritárias para Conservação da Caatinga – PACCS (Priority Areas for the Conservation of the Caatinga) que apresentam condições ambientais favoráveis para a sua ocorrência, mesmo que não haja registro confirmado.
O estudo é de autoria dos biólogos Renato Garcia Rodrigues (coordenador do NEMA), Edson Gomes de Moura-Júnior, Erica da Silva Nascimento Freitas e Fellipe Alves Ozorio do Nascimento. Durante as pesquisas, foram coletados dados de ocorrência da espécie e obtidas camadas (formato raster) de dezenas de variáveis ambientais, disponíveis em plataformas virtuais. A partir da otimização desses dados com as camadas ambientais, utilizando-se de ferramentas computacionais, os autores obtiveram o modelo de distribuição geográfica potencial da espécie.
Conforme o modelo computado, foi indicado que a espécie ocorre em ambientes aquáticos efêmeros (principalmente em lagoas intermitentes do semiárido) e ecologicamente vulneráveis e apresenta ajuste para a sobrevivência em ambientes com alta aridez e poucas chuvas. O modelo de distribuição indicou três manchas com alto índice de adequação ambiental para a espécie: no oeste do estado do Ceará; entre o norte da Bahia e oeste do estado de Pernambuco; e entre a região central dos estados do Rio Grande Norte e Paraíba. Essas manchas contemplaram nove áreas de proteção da rede de PAs e PACCs.
De acordo com os autores, essas descobertas orientam inicialmente os esforços de coleta para a espécie (visto que, até o presente momento, há apenas 26 registros conhecidos para o taxon). Posteriormente poderão, em uma perspectiva sistemática, apoiar ações relacionadas à seleção de áreas importantes para a conservação da biodiversidade na Caatinga ou valorização daquelas áreas que já existem. “Tomadas de decisões sobre valoração e seleção dessas áreas requer avaliações que envolvam geoprocessamento, ecologia da paisagem e biogeografia de tantas espécies quanto possível. Com isso, é importante a necessidade de continuidade das pesquisas sobre distribuição geográfica potencial de espécies raras, endêmicas e ameaçadas de extinção na Caatinga”, enfatiza o pesquisador do NEMA e um dos autores, Edson Moura.


Fonte: Multi Ciência



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