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Estudos entram em contradição sobre efeitos benéficos ou nocivos de alimentos

Compartilhe:     |  7 de março de 2015

Um estudo asiático publicado esta semana na revista “Heart” mostrou que o grande aliado de muitos trabalhadores durante sua jornada diária, o café, pode ser eficaz para “limpar” as artérias. Pesquisadores sul-coreanos revelaram que de três a cinco xícaras diárias da bebida poderiam evitar o entupimento dessas cavidades, diminuindo o risco de doenças cardíacas. Foram analisados 25 mil trabalhadores locais, homens e mulheres, sem sinais de doenças cardíacas em seu histórico.

Por outro lado, levantamentos anteriores mostraram o café como possível responsável pelo aumento da pressão arterial. De modo que especialistas fazem um alerta para quaisquer estudos que tragam conclusões sobre alimentos específicos: nada de sair esvaziando as prateleiras do supermercado sem antes consultar um profissional da saúde.

– Devemos interpretar esses resultados com cautela, visto que esse estudo, por exemplo, foi conduzido na população de um país que tem hábitos, genética e dieta completamente peculiares e diferentes do restante do mundo – afirma o endocrinologista Pedro Assed. – O perigo ao excluirmos um alimento com base nessas pesquisas é o de perdermos algo importante que ele possa trazer de benefício; já se abusarmos de um alimento com supostas propriedades vendidas como milagrosas, corremos o risco de consumir algo que talvez seja inócuo.

SAL CONTRA INFECÇÕES

Na Alemanha, outra pesquisa, publicada esta semana na “Cell Metabolism”, afirmou que o sal na dieta seria capaz de defender o organismo contra micróbios invasores. Uma dieta com elevado teor de sal aumentou a acumulação de sódio na pele de ratos, aprimorando sua resposta imunológica a um parasita que infecta a pele.

– Até agora, o sal tem sido considerado um fator dietético prejudicial; sabe-se claramente que pode causar doenças cardiovasculares, e estudos recentes têm implicado um papel no agravamento de doenças autoimunes – ponderou o microbiólogo e autor da pesquisa Jonathan Jantsch, da Universidade de Ratisbona. – Nosso estudo desafia essa visão unilateral e sugere que o aumento da acumulação de sais em locais de infecção pode ser uma estratégia antiga para evitá-la, muito antes dos antibióticos.

Para Assed, essas pesquisas com sal, café, ovos (ruins pelo colesterol e bons pela pouca gordura saturada), carnes vermelhas (vilões pelo alto teor de gordura e colesterol e heróis pelos aminoácidos essenciais) e vinho sempre estarão presentes no debate médico e nutricional, “até porque fazem parte da busca por maior entendimento das reais propriedades dos alimentos que consumimos”. Segundo o especialista, as ciências nutricionais e o estudo do metabolismo humano estão sempre tentando direcionar médicos e nutricionistas para o melhor caminho a seguir.

O segredo está em avaliar todo um conjunto de fatores, como aponta a nutricionista Andrea Santa Rosa Garcia:

– O perigo é esquecer de avaliar a pessoa que consumirá o alimento. Não se deve analisar a comida isoladamente – explica Andrea. – O equilíbrio na dieta é sem dúvida a melhor medida. Um determinado alimento só deve ser eliminado ou incentivado após uma avaliação do indivíduo por um nutricionista.

Segundo ela, existem diversos estudos sobre diferentes propriedades nutricionais, muitos abordando aspectos contraditórios.

– O profissional de saúde normalmente tem acesso a este material e consegue ter visão crítica na utilização dos elementos em sua conduta.

Como ressalta a nutricionista Carla Cotta, tais pesquisas analisam um alimento ou um fitoquímico presente nele, sendo necessário, portanto, que se considere a individualidade bioquímica de cada pessoa em conjunto com tais fatores.



Fonte: Extra



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