Notícias

Etnoturismo está ganhando popularidade pode salvar ecologia mundial

Compartilhe:     |  30 de agosto de 2014

Nas regiões russas o etnoturismo está ganhando popularidade. Cada vez mais turistas são atraídos pela oportunidade de participar em cerimônias tradicionais e atividades diárias e de conhecer uma cultura antes desconhecida. Uma das regiões mais marcantes nesta área é a república russa de Altai.

Segundo Svetlana Schigreva, vice-diretora de educação ambiental da Reserva Natural de Altai, “o etnoturismo começa a se desenvolver na república de Altai e está ganhando um bom ímpeto porque os visitantes da região estão começando cada vez mais a serem atraídos pela componente histórica e cultural do produto turístico”.

O terreno montanhoso da república, que faz fronteira no sul com a Mongólia, proporciona não só uma oportunidade para percursos pedestres, mas também uma oportunidade de conhecer uma cultura original diretamente ligada à natureza.

Altai

Foto: 100chudes.rf

Esse turismo está intimamente ligado ao meio ambiente. Os povos indígenas do Altai, preservando suas tradições históricas, mantêm o culto da natureza e acreditam que tudo o que nos rodeia é também vivo como nós, e se comunica com os humanos através de certas forças. Pode-se acreditar ou não nisso, mas o fato permanece: a sociedade moderna pode aprender muito com os indígenas de Altai no que diz respeito à ecologia.

Uch-Enmek

Um projeto original que combinou a proteção da natureza com a etnografia foi implementado no vale de Karakol da república de Altai, um lugar sagrado para as tribos locais. A Voz da Rússia falou sobre o Parque Natural Etno-ecológico Uch-Enmek do vale de Karakol com seu criador e diretor, Danil Mamyev.

Segundo Mamyev, Uch-Enmek é uma das tentativas de criar condições para a vida normal dos povos indígenas que vivem nesta região e para a sua cultura tradicional. Um dos principais objetivos do projeto é preservar não apenas objetos de origem humana, que têm importância do ponto de vista científico e histórico (por exemplo, pinturas rupestres), mas também o equilíbrio ecológico.

“Toda a infraestrutura interna, a ideologia, o conceito é baseado na compreensão da cultura indígena, de sua relação com a natureza local como um espaço sagrado”, diz Mamyev.

O conceito do parque presume a percepção da terra como casa, templo:

“A terra é um templo igual aos templos-prédios de cristãos, budistas e muçulmanos. Mas a legislação federal não tem o conceito de terras sagradas, e, portanto, não podemos protegê-las e usá-las segundo as nossas regras. Por não haver na legislação correspondente, nós fomos pelo caminho ambiental e criamos uma área natural especial protegida em terras sagradas para nós, os indígenas de Altai, no vale de Karakol”.

Os indígenas que vivem no “templo natural” são portadores da antiga cultura de Tengri e de um conhecimento especial que, talvez, faz falta à humanidade moderna, Danil Mamyev:

“Estamos funcionando já há 15 anos e compreendemos claramente que não podemos colocar um inspetor junto de cada pessoa. Enquanto nessa pessoa não surgir o entendimento de que toda a terra é viva, que as pedras, árvores são vivas, as plantas são vivas, e há que tratá-las como a outras pessoas, só então essa pessoa vai entrar em diálogo com a natureza viva, e conseguiremos preservar a natureza para nossos descendentes, filhos, netos, para que eles vivam normalmente depois de nós. Esta é a base do desenvolvimento sustentável. Através de cultura tradicional estamos tentando imbuir este entendimento nas pessoas.

As culturas indígenas de todo o mundo, não só do Altai, estão lutando pelos lugares sagrados que são importantes para toda a terra no organismo planetário. São partes do corpo, como os rins, o coração, o cordão umbilical, os olhos, os ouvidos. São lugares especiais no corpo do planeta”.

Atividades turísticas e recreativas são uma das maneiras de atrair atenção a problemas ambientais. Este é um daqueles casos em que a globalização pode contribuir para o desenvolvimento de culturas tradicionais, de modo que elas possam de uma forma ou outra influenciar a comunidade internacional, acredita Mamyev:

“As guerras e os conflitos que ocorrem no mundo humano são devidas às pessoas não conhecerem o ambiente. Hoje o planeta se tornou mais velho, o sistema planetário está mudando. Há procura de outros conhecimentos, e as culturas indígenas de todo o mundo entendem isso e estão tentando espalhar a sua filosofia. Hoje, os nossos conhecimentos são necessários para os políticos, que podem mudar alguma coisa nesta área. Nós estamos tentando fazer algo através de atividades recreativas. O Altai atrai turistas e o turismo está se tornando um método de passar conhecimento”.

As pessoas se educam mais depressa através da natureza do que por meio da literatura ou da lei escrita, acredita Danil Mamyev.

Turismo consciente

Svetlana Schigreva, representante da da Reserva Natural de Altai, disse que os visitantes devem “seguir todas as regras, se comportar de forma educada e respeitosa para com os anfitriões”, e “tais hóspedes são bem-vindos, apresentamos a eles o Altai com prazer, mostramos os marcos naturais, históricos e culturais”.

rio Chuya

Na foto: rio Chuya. Foto: Alexandra Zobova/Voz da Rússia

Em outras palavras, está surgindo uma categoria especial de turistas e um tipo de turismo relativamente novo que pode ser chamado de “noosférico” (tais excursões oferece o parque Uch-Enmek), “ecológico”, “espiritual” ou “consciente”. Estes turistas partem não só em busca de novas sensações, mas também de novos conhecimentos.



Fonte: Voz da Rússia



Leia também:

Projetos ambientais
Aqui você é o Reporter

Espaço Animal

Estresse passa do dono para o cachorro

Leia Mais