Evite o Desperdício

Evitar o desperdício, um ato de cidadania

Compartilhe:     |  15 de dezembro de 2019

Medidas simples em casa ajudam a economizar recursos e contribuem para a conquista de um mundo melhor para se viver. Um simples esforço e mudança de hábitos no dia-a-dia doméstico pode propiciar uma economia no bolso, além de contribuir para um mundo melhor. O risco do apagão e a obrigatoriedade de racionamento de energia deixou muito brasileiro mais consciente do que está consumindo. Evitar o desperdício de energia elétrica, água, papéis ou telefone é essencial nos dias de hoje. E o chefe de família não deve se intimidar com o rótulo de miserável ou pão-duro. Mais que economizar, combater o desperdício é um ato de cidadania.

Racionalização não pode ser confundida com miserabilidade. O cotidiano dentro das casas e lares brasileiros é o maior exemplo de que a população ainda não deu a devida importância à necessidade de evitar o desperdício. Começando pelo que comemos. Em países como a França, Estados Unidos, Japão, Itália, enfim, os chamados países industrializados, a atitude diante do desperdício é vista sem medo de exageros. Engana-se também quem pensa que o povo norte-americano – conhecido como consumista – é capaz de desperdiçar alimento, como acontece com o Brasil.

Estima-se que uma residência, em média, desperdiça 25% de gás, 30% de água e 42% da eletricidade que, em tese, está consumindo. Um exemplo simples é na lavagem do automóvel. Uma mangueira aberta por 30 minutos gasta entre 200 e 550 litros d’água, enquanto que quatro baldes com 10 litros cada seriam mais que suficientes para o trabalho. Seria economizado, neste caso, de 20% a 80% da água. Outra medida é na própria cozinha, onde o simples ato de usar panelas destampadas constitui um desperdício de gás, além de perda de preciosos nutrientes na preparação dos alimentos.

Mas a economia pode ocorrer em praticamente toda a casa. Com a energia é preciso se preocupar com as fugas de corrente elétrica. Elas podem ocorrer devido a defeitos na instalação, emendas mal feitas, disjuntores não compatíveis e eletrodomésticos com defeitos. É preciso também ter cuidado com as ligações clandestinas (“gatos” ou “gambiarras”) que podem aumentar o seu gasto.

A energia ganhou destaque especial depois da campanha de racionamento do governo federal. O brasileiro começou a se acostumar com a idéia de fazer check-up na rede elétrica. Na iluminação da casa é recomendado evitar acender lâmpadas durante o dia; apagar as lâmpadas dos ambientes desocupados (menos as que contribuem para a sua segurança) e utilizar somente lâmpadas de voltagem (volts) compatível com a da rede concessionária local. O usa racional do chuveiro elétrico, do ferro, geladeiras e freezer também é uma dica.

Também é preciso prestar atenção no uso da televisão. Conforme o censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 38,9 milhões possuem o aparelho em casa. O importante neste caso é não deixar a TV ligada quando você não estiver assistindo e evitar dormir com o aparelho ligado. Nos modelos com “timer”, pode-se programar o desligamento. Economizar água também ajuda a poupar energia. A água usada nas usinas hidrelétricas não é a mesma do abastecimento. Mas, para que a água chegue a sua casa ou apartamento, ela tem de ser bombeada. Na maioria dos casos, as bombas são movidas por energia elétrica.

A economia de água passa pelo fechamento completo da torneira. Mas, se perceber que a torneira não pára de gotejar, comunique ao responsável pela manutenção (se morar em condomínios) ou providencie o conserto. Fique atento a possíveis vazamentos observando manchas escuras na parede, por exemplo.

Alimentos são reaproveitados

A variedade de pratos ou a quantidade de alimentos produzidos em nossas cozinhas geralmente ultrapassam as necessidades de consumo. Além disso, durante o preparo dessas refeições, é comum observar o desperdício de alimentos. Talos de verduras que poderiam ser consumidos geralmente vão parar na lixeirinha e daí para os aterros públicos. Há 15 anos ensinando donas de casa, a instrutora de alimentação Maria Aparecida Gralha da Silva salienta que todos os alimentos podem ser aproveitados, o que possibilita uma alimentação até mais sadia. “O objetivo dos cursos que estou fornecendo é mostrar que nada é jogado no lixo. Aproveita-se de tudo – folhagem, casca… – para fazer pratos muito saborosos”, explica.

Segundo Maria Aparecida, o brasileiro, principalmente das camadas mais pobres, deveriam reaproveitar a alimentação. No entanto, ela diz que vê um certo preconceito. “É uma questão de mentalidade. Todos os alimentos podem ser reaproveitados. Da soja, por exemplo, é possível fazer hamburguer, que pode substituir a carne”, conta.

Há várias dicas para as donas de casa. A primeira é fugir da compra de mês. Ir com mais frequência às compras, porque despensa lotada, em geral, acumula produtos fora da validade. O hábito, que se tornou corriqueiro durante o período inflacionário deve ser deixado para trás. Além de evitar o excedente, a “compra de picadinho” possibilita o consumo de alimentos mais frescos, como frutas e verduras. O ideal é fazer sempre uma lista de compras pensando na quantidade de comida realmente consumida pela família e comprar sempre o estritamente necessário. Maria Aparecida salienta que sempre é possível aproveitar as folhas, os talos, as cascas e as sementes dos vegetais. A casca do ovo, por exemplo, rica em cálcio, pode ser misturada à farinha em bolos e pães. (MAB)



Fonte: A Notícia (SC) – Marco Aurélio Braga



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