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Exames revelam que pessoas com Autismo têm cérebros excepcionalmente simétricos

Compartilhe:     |  7 de dezembro de 2016

Pesquisadores da Universidade Estadual de San Diego, na Califórnia, realizaram novas pesquisas em cérebros de jovens com autismo e mostraram que as conexões cerebrais em pessoas com esse transtorno apresentam mais simetria entre os hemisférios, sugerindo que as tarefas estejam divididas de uma maneira muito diferente da vista em pessoas neurotípicas.

Esse novo exame poderia explicar por que características dessa condição incluem uma habilidade inata para identificar detalhes específicos em algo, mas também uma falha em os colocar em um contexto maior. No exame, os pesquisadores explicam que os hemisférios esquerdo e direito do cérebro processam informações de maneiras muito diferentes e como o cérebro como um todo distribui isso e poderia nos ajudar a entender melhor como as pessoas autistas veem o mundo.

O velho mito de que o hemisfério direito do cérebro é mais “criativo“, e o esquerdo é mais “analítico” foi desmascarado. Estudos têm mostrado que o hemisfério esquerdo desempenha um papel muito maior no processamento de fala e linguagem do que o hemisfério direito, que tende a se concentrar nos estímulos auditivos e visuais.

Os pesquisadores também suspeitam que o hemisfério esquerdo esteja mais envolvido na análise dos detalhes específicos, enquanto o hemisfério direito tenha a tarefa de integrar esses detalhes e vários outros estímulos como um todo. A forma como estes dois hemisférios trabalham em conjunto para combinar as suas várias funções explica como percebemos e respondemos ao mundo, e um novo experimento revelou que isso ocorre de forma muito diferente em jovens com e sem autismo.

A equipe da Universidade Estadual de San Diego usou uma técnica de ressonância magnética para visualizar os cérebros de 41 crianças e adolescentes com autismo e 44 neurotípicos. Eles estavam particularmente interessados em analisar quão densas as conexões eram dentro de diferentes regiões da substância branca nos dois hemisférios.

Eles descobriram que os participantes neurotípicos tinham conexões muito mais densamente compactadas no hemisfério direito do que no esquerdo. “Isso se encaixa com a ideia de que o hemisfério direito tem uma função mais integradora, reunindo muitos tipos de informações”, explicam os pesquisadores.

Além disso, as pesquisas revelaram que as conexões cerebrais em participantes com autismo estavam organizadas simetricamente em ambos os hemisférios. “A ideia por trás da assimetria no cérebro é que há uma divisão de trabalho entre os dois hemisférios”, diz um dos pesquisadores da equipe, Ralph-Axel Müller.

O experimento estudou uma amostra muito pequena, por isso, os resultados devem ser replicados em um grupo muito maior para serem mais confiáveis. Mesmo assim, eles correspondem aos resultados de outra experiência do início deste ano, que descobriu que os ratos com autismo também tinham cérebros excepcionalmente simétricos.

Nesta fase, não está claro sobre como essa simetria acarreta diferenças cognitivas entre jovens neurotípicos e autistas, e não é possível dizer com certeza se a simetria leva ao autismo, ou se é o autismo que leva à simetria.  Mas pesquisadores suspeitam que a falta de especialização que eles observaram nos cérebros de crianças autistas poderia contribuir para a “fraca coerência central” que caracteriza a condição.



Fonte: Jornal Ciência - Gustavo Teixera



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