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Exclusivo: Deusimar Guedes publica artigo sobre educação ambiental na prevenção às drogas

Compartilhe:     |  8 de outubro de 2020

O psicólogo e advogado Deusimar Guedes escreveu artigo onde analisa se a educação ambiental pode ajudar na prevenção às drogas.

Confira o texto na íntegra:

A educação ambiental pode ajudar na prevenção às drogas?

Por Deusimar Guedes*

Certamente sim. Esta é uma questão que temos defendido em nossos debates e escritos, ou seja, é mais fácil educar jovens e adultos em relação ao uso indevido de drogas, falando-se bem da vida do que falando mal das drogas. E o maior bem da natureza é o ser humano. Precisamos ter consciência disto e também ajudar na disseminação desta conscientização.

Assim sendo, para a conquista do bem viver da espécie humana, uma das preocupações principais é preservarmos não só a nossa saúde física e mental, mas também o espaço natural em que vivemos, o nosso meio ambiente.

Mas nem sempre essa tarefa de conscientização é simples, especialmente quando tentamos levá-la aos jovens. E um dos motivos é que, motivados pela rebeldia e impulsividade que são peculiares a esta faixa etária, quando os pais ou educadores tentam falar sobre regras comportamentais, como, por exemplo, a importância de evitar o uso indevido de drogas, tais argumentos são rapidamente rebatidos por estes, e tal rebate muitas vezes tem sido alicerçado pela desinformação e pela glamourização patrocinadas por parte da mídia e também por artistas, cantores e lideranças outras, em relação ao consumo de drogas, especialmente as lícitas, como o álcool.

Desta forma, uma das estratégias que podem ser usadas para facilitar esta comunicação pacífica com os jovens e adultos em geral, em relação a assuntos polêmicos como drogas, é exatamente inserirmos este tema no rol de tantos outros maus hábitos a serem evitados, como: não fazer queimadas, não poluir rios e mares, evitar o consumo em excesso de gorduras, açucares, a ociosidade etc. E, dentro deste mesmo discurso, acrescentarmos a importância de evitarmos o uso indevido de drogas.

É estatisticamente comprovado, que quanto mais acumularmos bons hábitos, mais facilmente repelimos os maus hábitos, dentre estes o do consumo de drogas; mas didaticamente é salutar que este tema não seja tratado de forma isolada dos demais já citados.

Através de uma análise mais aprofundada e ampla em relação aos bens naturais e drogas, facilmente podemos nos conscientizar que estas também podem prejudicar o meio ambiente. Basta que analisemos, por exemplo, o impacto que a produção industrial da cannabis, da planta da coca (Erythoxylon coca), do tabaco e outras drogas, podem causar a natureza, pois grandes áreas vão precisar ser desmatadas para que o plantio destas possa ser efetuado.

De acordo com um relatório elaborado pela ONU, a produção de um grama de cocaína (cloridrato de cocaína), por exemplo, é responsável pela destruição de 4m² de florestas. Já 100 (cem) gramas desta droga são capazes de contaminar 20 litros de água (devido aos muitos poluentes utilizados na extração da mesma), gerando em média 60 kg de sujeira aproximadamente.

Se pegarmos o exemplo do tabaco, a poluição desta droga, não se restringe ao momento em que é fumada, pois também, é gerada durante o processo de secagem das folhas, feito em estufas que requerem a queima de madeiras, nem sempre proveniente de reflorestamento. Tudo isto sem falar no descarte inadequado da “piola” ou “bituca”.

Alguns dados estatísticos atestam que no Brasil são consumidos anualmente cerca de 140 milhões de cigarros e o descarte indevido destas “bitucas” podem contaminar rios e mares com acetato de chumbo, nicotina e outras cerca de 50 substâncias comprovadamente cancerígenas. Lembrando que a vida útil de um filtro de cigarro pode variar de dois a cinco anos.

Assim sendo, podemos concluir, sem sombra de dúvidas, que o consumo de drogas lícitas e ilícitas, inclusive medicamentos de uso terapêutico, afetam danosamente não apenas os indivíduos, mas também causam danos ambientais por vezes irreparáveis ao meio ambiente. Uma vez que nesse ciclo, a natureza funciona não só como fonte das matérias-primas de elaboração, mas também como depositária e sumidouro para as substâncias psicoativas e seus insumos já transformados.

Aprendamos a cuidar do meio ambiente a nossa volta, pois desta forma estaremos cuidando de nós mesmos que somos o maior bem da natureza.

*Deusimar Wanderley Guedes é psicólogo e advogado



Fonte: Espaço Ecológico



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