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Exercícios fisicos são os maiores aliados para a saúde na terceira idade

Compartilhe:     |  21 de setembro de 2014

Jamile Overbug e Hélio Stupia, ambos de 81 anos, fazem exercícios diariamente. De mãos dadas, caminhavam na Praia do Leme, Zona Sul do Rio, na quinta-feira pela manhã. Jamile, mais disposta, também pratica natação. Sempre foi assim, não seria na terceira idade que iriam parar. Hoje, garantem ter mais disposição para as atividades diárias em comparação com colegas sedentários. Ambos mostram na prática que vale a pena manter a atividade física com o avanço da idade, uma das discussões centrais dos Encontros O GLOBO Saúde e Bem-Estar sobre Longevidade, na última quarta-feira.

— Exercício faz bem para a saúde, aumenta a força e a disposição, melhora o humor — enumera Jamile. — Faço todo dia, não consigo ficar sem.

Durante o evento na Casa do Saber O GLOBO, na Lagoa, também na Zona Sul da cidade, especialistas desvendaram mitos sobre a atividade física entre idosos e alertaram sobre a necessidade de respeito aos limites.

— Caminhar é um bom exercício de sociabilidade — brincou o geriatra do Instituto de Neurologia da UFRJ, José Elias Soares Pinheiro. — Mas só ela não tem repercussão para a saúde. É preciso ter carga.

COMBATE A DOENÇAS TÍPICAS

Segundo Pinheiro, o exercício é uma das melhores formas de combater as chamadas doenças típicas do envelhecimento, as quais, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), são: hipertensão, diabetes, acidente vascular cerebral, doenças cardiovasculares, câncer, doença pulmonar obstrutiva crônica, artrite, osteoporose, demência, depressão e baixa de visão.

A atividade física é tão significativa para a longevidade que o pesquisador americano Warren Sanderson, da Universidade de Stony Brook (EUA), sugere medir o envelhecimento pela força das mãos e não apenas pela contagem dos anos. Numa entrevista ao diário “The New York Times” esta semana, ele garantiu que a força manual é “um incrível preditor” das taxas de mortalidade ou doença, citando pesquisa com dados de 50 mil indivíduos.

— Todo médico deveria ter um dinamômetro em seu consultório para checar a força dos pacientes idosos — sugeriu o pesquisador. — Se, de repente, o percentil dele cair, então é preciso olhar seriamente para o que pode estar acontecendo.

Mas será que o coração aguenta a intensidade do exercício depois de uma certa idade? Segundo Pinheiro e o cardiologista e curador do evento, Cláudio Domênico, a atividade física melhora a saúde cardiovascular. Mas ambos concordam que, antes de abandonar o sedentarismo e se jogar num exercício intenso, é bom fazer a avaliação cardiológica. E progredir lentamente.

— O corpo fala. Está fazendo exercício e sentiu dor? Para. Agora, o exercício tem que cansar um pouco, tem que deixar um pouco ofegante — recomendou Domênico.

HÁ LIMITES PARA A ATIVIDADE

Na lista de prioridades para o idoso estão os exercícios aeróbico e de fortalecimento muscular. E se, por um lado, os idosos não devem subestimar sua capacidade física, por outro, o cardiologista quebra mais um mito:

— Hoje já se fala em limites para o exercício. Não se diz que “quanto mais, melhor”. As pesquisas começam a mostrar que, em excesso, não faz bem.

Cinco vezes por semana de atividade física moderada ou três vezes intensa são o ideal, acredita Domênico. Se isso não for possível, qualquer iniciativa, por mais simples que seja, é benéfica. Um novo estudo com 55 mil pessoas publicado na “Journal of the American College” mostrou que correr só cinco minutos por dia já reduz o risco de morte prematura. Outro publicado no “British Journal of Sports Medicine” revelou que ficar menos tempo sentado desacelera o processo de envelhecimento celular. Também já não se sustenta aquela ideia comum de “se não comecei até agora, não adianta mais”.

Por isso, ao completar 50 anos, o arquiteto aposentado Joatonio Pereira, hoje com 71 anos, decidiu mudar de hábito.

— Não tínhamos ideia da importância do exercício — explica Pereira, que faz três ou quatro vezes por semana de atividades, que incluem aparelhos da academia ao ar livre do Leme e caminhadas na orla da Copacabana, onde mora. — Tenho mais força para carregar uma compra e controlo meus níveis de glicose, que eram altos, além de dores que tinha nas articulações.

ACEITAR E SE ADAPTAR DEVEM SER LEMAS


Especialistas participam dos Encontros O GLOBO Saúde e Bem-estar – Adriana Lorete / Adriana Lorete

“O declínio do corpo biológico é inexorável. Ele envelhece. A pergunta que deveria ser feita não é como voltar à juventude, mas como viver de uma forma mais plena nesta etapa da vida”, provocou Eloisa Adler, psicanalista e gerontóloga pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, durante debate dos Encontros O GLOBO Saúde e Bem-estar.

E, na lista de respostas a essa pergunta, Eloisa cita uma teoria apresentada psicóloga Laura Carstensen, da Universidade Stanford, nos Estados Unidos. Para a americana, adaptação e reorganização de metas, realizações de curto prazo e preferência por relações sociais mais significativas estão entre os pilares. Ou seja, aceitar as possibilidades e limitações para poder se adaptar é uma sabedoria que deveria ser aplicada à medida que o corpo envelhece.

— Ter que fazer milhões de atividades na terceira idade para ser considerado feliz ou ativo é uma grande armadilha — exemplificou Eloisa. — Escuto muito na clínica os filhos reclamarem que a mãe não sai mais com as amigas, só fica em casa. Mas vamos lembrar que é uma etapa da vida com perdas substanciais, de amigos, parentes. Além disso, a energia é finita, então há uma seletividade natural — observou.

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Eloisa lembrou ainda que nem sempre o envelhecimento foi visto de forma negativa. Historicamente, velhice é ora vista de maneira pejorativa, ora elogiosa. Na Grécia Antiga, por exemplo, o chefe da cidade era assistido por um conselho de anciãos, que tinham o privilégio e o direito à idade avançada. Já na Renascença, o corpo retratado nas pinturas era o dos jovens.

Hoje, segundo ela, embora a idolatria da juventude ainda prevaleça, há sinais de mudanças. Há poucas décadas, por exemplo, a velhice era vista como um processo de involução e decadência:

— O idoso não se achava no direito de ter relações sexuais ou de ter uma vida ativa, agora ele já dispõe de mais espaços sociais e de políticas públicas.



Fonte: O Globo - Flávia Milhorance



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