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Exercícios potencializam efeitos benéficos do vinho, diz pesquisa

Compartilhe:     |  9 de maio de 2015

Vamos viajar pelos parreirais da nossa terra. A uva veio de longe, com os imigrantes europeus, cresceu nos campos do Sul, brotou no Sertão Nordestino, chegou ao Brasil Central e entrou no mapa das nossas frutas preferidas. Até onde não há produção, lá estão elas. Seja em forma de passa, de suco ou vinho. É de dar gosto.

Quem quer ver de perto a beleza que é um parreiral carregado tem que ir ao Rio Grande do Sul. É lá que se produz 85% das uvas brasileiras. Só no ano passado foram mais de 600 milhões de quilos. Mas por aquelas bandas a uva é bem mais do que um negócio. É a tradição, a vida e a paixão dessa gente.

“Eu sempre digo para as pessoas: nós estamos mais enraizados que a própria parreira. É uma vida. São quatro gerações. Eu acompanhei a do meu pai, ajudando ele fazendo isso. Então a gente dificilmente consegue deixar”, conta o agricultor Nei Tomasi.

O trabalho é duro, mas a colheita parece uma festa. O lanche da manhã é reforçado e saboroso. Uma fruta tão pequena guarda propriedades tão poderosas. A uva em forma de vinho é o centro de uma pesquisa desenvolvida pelo Incor de São Paulo em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul e com o hospital da cidade de Veranópolis. O objetivo é verificar se o consumo moderado e frequente de vinho oferece proteção contra a aterosclerose.

“Porque hoje em dia nós fazemos é restringir: não coma gordura, não faça isso não faça aquilo. É tudo restritivo. O vinho tinto ou o suco de uva pode ser que não seja uma coisa restritiva. Você incorpora à maneira da pessoa se alimentar e tudo uma coisa que é prazerosa. O que nós estamos tentando analisar é a base científica disso”, explica o coordenador de pesquisa do Incor, Protásio Lemos da Luz.

Nelson faz exercícios e bebe vinho. Já o Ivan, bebe vinho e é sedentário.

“Faz uns 35 anos que eu bebo vinho regularmente”, conta o engenheiro Ivan Carlos Regina.

Eles são voluntários da pesquisa no Incor.

Ivani Trombetta, professora de Educação Física do Icnor: Uns resultados bem interessantes. Quatro meses a seis meses de acompanhamento melhorar colesterol, diminuir LDL, triglicérides, pressão arterial foi um marcador bem importante.
Globo Repórter: Sem medicamento nenhum…
Ivani Trombetta: Isso mesmo.

Os primeiros resultados indicam que os exercícios potencializam os efeitos benéficos do vinho. E o álcool ajuda na absorção dos antioxidantes da uva, como o resveratrol.

“Tem a mesma quantidade tanto no suco de uva, como no vinho, mas como é uma substância que é melhor absorvida quando tem álcool junto, e o vinho tem álcool. Ele é melhor absorvido com o vinho. Então, a gente absorve mais resveratrol, que é um dos componentes, que é considerado saudável do vinho”, afirma o médico geriatra Emílio Moriguchi.

Basta uma taça por dia.

“Não é aquele cálice grandão, tá? É um cálice por dia ou no máximo dois cálices, um em cada refeição. Esse é o valor médio considerado que não seja tóxico para o nosso fígado, que é um problema e também que não levaria à dependência em termos de ingestão de álcool”, alerta Moriguchi.

Pesquisas realizadas no exterior já indicam que tomar vinho na medida certa, ao longo da vida, pode ser melhor do que não beber nada.

Caroline Dani, biomédica: Consumo de vinho obedece uma curva em “J”. A pessoa que não consome nada de vinho, tem mais risco de morrer por doenças cardiovasculares do que pessoas que consomem moderadamente. No momento em que você passa a consumir de maneira exagerada, você aumenta e muito seu risco de morrer por doenças cardiovasculares. Então, o vinho protege o seu coração, mas o seu estilo de vida vai exacerbar essa proteção.
Globo Repórter: Quer dizer, não adianta sentar no sofá e tomar um copo de vinho e não fazer mais nada, não cuidar da dieta, não cuidar da atividade física.

Pesquisadores estudam a fórmula da longevidade em cidade no RS

Nelson tem uma rotina que une o útil ao agradável. Exercício de dia, vinho de noite. E a saúde vai bem, obrigado.

Nelson Rentero Rodrigues, jornalista: Eu ficava impressionado com a longevidade de alguns povos. Aqui mesmo no Brasil, na Serra Gaúcha, velhinhos de 90 anos, 100 anos e perguntava a eles qual é o segredo. ‘Ah, uma tacinha de vinho na refeição’. Então, isso é uma comprovação científica de um hábito comum.
Globo Repórter: E o senhor apostou nessa também, né?
Nelson Rentero Rodrigues: Claro, porque se você tem que viver mais, e se for com vinho…
Globo Repórter: É um prazer.
Nelson Rentero Rodrigues: Muito prazer!

O Seu João tem 96 anos. E no ritmo que vai, vai longe. Acorda cedo, faz o próprio café, depois capina, debulha milho e nunca parece cansado.

Globo Repórter: O senhor se preocupa com doença?
João Scanagatta, trabalhador rural: Não.
Globo Repórter: Não, nem liga. E o vinho? Toma vinho?
João Scanagatta: É dois copinhos e pronto.
Globo Repórter: E é bom para a saúde?
João Scanagatta: Sim!
Globo Repórter: O que que faz o vinho?
João Scanagatta: Mata sede e faz bem.

Segundo os pesquisadores, o cultivo e o consumo da uva determina o estilo de vida em Veranópolis, no Rio Grande do Sul. O trabalho nos parreirais sempre foi atividade física garantida. O suco e o vinho, sagrados. E a vida na colônia, um convite ao convívio entre os familiares e os amigos.

Duas vezes por semana, a grande família do Seu João se reúne. Cada almoço na casa do Seu João é uma verdadeira festa. Em um dia comum foram 24 pessoas e ainda tinha mais gente que não pôde ir. Segundo os médicos, essa reunião alegre, de gente que se quer bem, a mesa farta, o vinho a comida gostosa, tudo isso faz um bem danado para o corpo e para a alma.

No cardápio, polenta, frango, salada e vinho! Os filhos do Seu João garantem: Seu João tem cabeça boa. E se a cabeça é boa, o coração do patriarca está ainda melhor.

Médicos descobrem que existem duas idades: a cronológica e a das artérias

Depois de 20 anos estudando os idosos de Veranópolis, os médicos já têm uma certeza: não dá para ver no rosto, mas todos nós temos duas idades: uma, a cronológica, que está marcada no documento, a outra está lá dentro do nosso corpo, registrada nas artérias.

A idade arterial do Seu João e de tantos outros voluntários é de deixar muitos jovens de queixo caído.

Emílio Moriguchi, médico geriatra: Nós temos pessoas saudáveis, ativas, que ingerem regularmente quantidade moderada de vinho, que têm seus 60 anos e que tem 40 anos ao redor disso de idade arterial.
Globo Repórter: Quer dizer que a verdadeira juventude que a gente deve buscar não é tanto a do rosto, a do corpo, é a das artérias?
Emílio Moriguchi: É das artérias, do seu interior. Uma cabeça boa, e uma artéria boa certamente é o segredo de viver bastante.

Depois de tanto tempo pesquisando os moradores da cidade, difícil andar na rua e não encontrar um voluntário. Seu Antônio ia passando e parou para dois dedos de prosa. São 59 anos de idade no RG. E 39 anos de idade arterial. E o Seu João? Ele não gosta, mas vai ao hospital para exames de rotina.

“Seus exames estão muito bem. O senhor não tem diabete, o senhor está como o colesterol muito bom, o HDL que é a fração boa do colesterol, que protege a pessoa, o senhor está com 72, que é o nível até acima da média das pessoas. Os triglicerídeos também, o senhor tem 60 de triglicerídeos”, diz para Seu João o cardiologista Waldermar de Carli.

Coração de garoto novo!

Uma verdade fácil de comprovar: a região de Bento Gonçalves também está repleta de gente de cabeça branquinha, com fôlego de garoto novo. Depois da colheita, as uvas separadas para a fabricação de vinho vão parar em uma engenhoca, para serem amassadas. O processo artesanal do vinho colonial não é fácil.

Essa é a força de uma fruta que faz parte da tradição de muitas famílias. Suor, amizade e alegria. Eis a fórmula da longevidade na terra da uva. Saúde!



Fonte: Globo Repórter



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