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“Existe uma banalização do termo sustentabilidade”, diz criador do Peixonauta

Compartilhe:     |  23 de dezembro de 2014

Há cinco anos estreou no Discovery Kids uma animação nacional de grande sucesso. Atualmente na segunda temporada, a série Peixonauta busca contar uma boa história articulada aos princípios da sustentabilidade e cidadania.

O co-criador da série, Kiko Mistrorigo, falou sobre a série e outros projetos ao programa de entrevista semanal, Podcast Rio Bravo, confira abaixo alguns pontos da conversa.

Com as portas fechadas nos canais abertos, os criadores Kiko Mistrorigo e Célia Catunda encontraram na TV a cabo um espaço para produzir a série que, desde o início, fez muito sucesso. “Entrou o Peixonauta e aí explicaram para nós que ia demorar um pouco a aceitação. Foi uma surpresa enorme a resposta: em uma semana, ele atingiu o primeiro lugar na audiência da TV paga. Foi, para nós, um grande acontecimento”, relata Mistrorigo.

O co-criador da série explica que a ideia do personagem surgiu aos poucos, um processo de maturação. “Primeiro, veio o personagem. Depois, foi vindo essa ideia de transformar ele em um agente secreto para cuidar de um parque que é a metáfora do mundo. Um parque que tem todos os ecossistemas, todos animais do mundo inteiro. A gente criou um trio de personagens que têm personalidades diferentes e que discutem e contemporizam como resolver aquela questão que chega para eles”, explica.

Para ele, a primeira preocupação é contar uma história e a segunda é tornar as narrativas interessantes, causando discussão e questionamento por parte do público – inclusive pelos adultos. “Isso é um fenômeno que a gente tem na América Latina que não é comum a todas as outras culturas e países, que é os adultos assistirem televisão juntos com os filhos”.

O roteiro é comum a todos os episódios – um formato que facilita a compreensão das crianças. Isso é importante para que a partir do segundo episódio ela já entenda o que vai acontecer.

Nesse contexto, a temática ambiental está sempre presente no desenrolar da série. “Quando a gente começou a apresentar o Peixonauta para o mercado, o termo sustentabilidade ainda era pouco conhecido e divulgado. Não era tão banalizado. Acho que, hoje em dia, existe uma banalização de sustentabilidade. Qualquer atitude que a pessoa tem em relação a economizar água, apagar a luz, já acha que é uma atitude sustentável”, questiona Kiko.

Para ele, a sustentabilidade é um termo amplo e que engloba muito mais coisas do que às vezes parece. “Acho que não adianta a gente preservar determinado lugar do Brasil se a nossa cidade está um problema. Acho que tudo está interligado. Tudo faz parte do mesmo problema. E cada nova geração está muito mais bem preparada para usar o nosso planeta. Então, isso fica claro na série. A gente vai passando certas ideias que já estão sendo bombardeadas na escola. Só que com menos dramatização”.

Esse “drama” ao qual ele se refere diz respeito inclusive aos projetos e séries educativas que, a seu ver, são “educativas demais”. Há, por exemplo, a preocupação de não interromper uma narrativa para inserir uma aula. “No fundo, a nossa preocupação, além de contar a história, é que realmente exista um envolvimento emocional com a história. Se o conteúdo com conceitos como comportamento saudável e preocupação com o bem comum entram no telespectador de uma forma tão agradável, essa é a melhor maneira de aprender”, defende.

Nesse contexto foi desenvolvido o “Peixonauticos”, que coloca os pequenos como seres pró-ativos dentro da escola, em casa e na rua. “Eles são agentes secretos. Essa brincadeira foi muito bem entendida. No Peixonauticos, a gente colocou crianças de verdade, gravou em escolas, e misturou-as com os personagens. Então, elas estão ali e já sabem como é a brincadeira e é muito interessante esse exercício”.

Peixe sente sede?

O projeto mais recente do produtor é o “Show de Luna”, uma série de investigação científica com uma protagonista menina, o que já é uma novidade. “Sempre são os meninos que são os gênios e interessados em ciência. As meninas só são preparadas para cuidar da casa. Aqui a gente teve essa preocupação”, salienta.

Ele ainda explica que na nova série, que estreou em outubro no Brasil, não tem adulto ou computador. É a própria personagem que corre atrás das respostas para suas perguntas. Para formular as curiosidades científicas, a equipe de produção teve quatro consultoras de ciências, um físico, um astrônomo, um biólogo e um químico.

“A gente soube que a terra molhada depois da chuva solta um cheiro característico por causa de uma bactéria que reage e solta um gás. E até perguntas curiosas, como se peixe sente sede. Ela (Luna) tem um ciclo de coleta de informações, depois tira uma conclusão final e apresenta para os pais o que aprendeu. Isso é o Show de Luna. É um orgulho que ela tem de mostrar o que aprendeu”, explica Kiko.

Escute o Podcast Rio Bravo na íntegra aqui.



Fonte: CicloVivo



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