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Expedição remove 20 kg de colônias do coral-sol de naufrágio a 5 km de Recife

Compartilhe:     |  16 de junho de 2021

Mais de 20 mergulhadores e pesquisadores pernambucanos realizaram, nessa segunda-feira (14), uma expedição para retirar corais invasores da embarcação Virgo, naufragada a cinco quilômetros do Recife. A operação, que durou cerca de seis horas, foi a primeira de uma série de cinco para remover o coral-sol (Tubastraea spp) e conter a bioinvasão da espécie exótica. Coordenada pela Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco (Semas/PE), a ação contou com a parceria da Universidade de Pernambuco (UPE), Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Syrien Dive, Abssal Mergulho, ONG Projeto de Conservação Recifal (PCR) e do Corpo de Bombeiros.

O coral-sol possui um alto poder de dispersão e precisa ser extraído porque coloca em risco a biodiversidade nativa, gerando inclusive impactos econômicos negativos. “Ao se estabelecer em um ambiente, essa espécie ataca os corais nativos, causando um desequilíbrio no ecossistema e na capacidade de alimentação e de reprodução dos peixes. Então, é necessário fazer o controle. Por isso, criamos um plano de ação e editamos um decreto, que envolve desde a retirada do animal, como feito hoje, até a inspeção de navios que atracam em Pernambuco para verificar a contaminação dos seus cascos”, detalhou o secretário Estadual de Meio Ambiente, José Bertotti.

Os participantes do mergulho trabalharam na extração do animal alojado no casco do Virgo, a 20 metros de profundidade. A “limpeza” começou pela área mais profunda da proa e seguiu em direção à popa do naufrágio. Foram removidos, ao todo, 20 quilos de colônias e colocados em sacos especiais capazes de conter as larvas dispersas pelo coral ao ser retirado. “Foi um trabalho difícil, complexo, mas exitoso. Conseguimos tirar uma boa parcela do que estava lá para fazer o controle desses animais. São centenas de colônias a menos, deixando de reproduzir e de contaminar os nossos recifes artificiais e naturais”, resumiu o professor e pesquisador da UPE, Múcio Banja, que integrou a expedição.

Afundado em 2017, o Virgo estava com cerca de 24% de sua área tomada pelo coral e foi o primeiro a ter presença da espécie invasora identificada pela ONG PCR. Agora, parte do material coletado na atividade ficará com os pesquisadores parceiros ou será encaminhado às universidades. O restante seguirá para destinação adequada. Outras expedições serão realizadas para extrair colônias nos naufrágios Walsa, Bellatrix, São José, Phoenix, além do próprio Virgo, uma vez que ainda ficaram indivíduos no casco. A expectativa é que a próxima missão seja realizada até o fim deste mês.

Plano de Ação
Com a chegada do coral-sol ao litoral pernambucano, a Semas elaborou, em parceria com Agência CPRH, Distrito Estadual de Fernando de Noronha, Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), UFRPE, UPE e PCR, o Plano de Ação para combater a espécie exótica. O documento prevê cinco etapas: Diagnóstico, Remoção, Monitoramento, Comunicação e Normas. As iniciativas vão contemplar áreas de naufrágios e ambientes naturais distribuídos na costa pernambucana, incluindo o Arquipélago de Fernando de Noronha.

Na etapa de diagnóstico, o objetivo é ter uma visão do status da contaminação dos ambientes marinhos consolidado em relatório com mapa e medidas mitigadoras a serem adotadas. Já a fase remoção prevê até o momento a extração de indivíduos nos outros quatro naufrágios: Walsa, Bellatrix, São José, Phoenix. Na etapa de monitoramento, o plano contempla a realização de mais campanhas de mergulho, além de um reforço na comunicação com as autoridades portuárias, mergulhadores profissionais, pescadores e instituições que atuam em ambientes recifais.

Coral-sol
Originário do Oceano Pacífico Sul, o coral-sol é encontrado principalmente no Arquipélago de Fiji. Os vetores de introdução dele estão relacionados à plataforma e outras estruturas da exploração de petróleo, contudo, os navios também são tidos como vetores, por meio, principalmente, da incrustação da espécie em seu casco. Os indivíduos se fixam ao encontrar costão rochoso ou materiais artificiais, como cimento, granito, aço e cerâmica, podendo ocupar áreas até onde não há incidência de luz. São capazes de se reproduzir em alta velocidade, ocupando o espaço da fauna nativa e provocando um efeito devastador na biodiversidade marinha brasileira.



Fonte: Eco Nordeste - Semas-PE - por MARISTELA CRISPIM



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