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Expedição vai estudar “comunicação” entre plantas e benzedeiros

Compartilhe:     |  15 de junho de 2015

Uma equipe de quatro artistas plásticos vai percorrer cerca de mil quilômetros do roteiro turístico Estrada Real, em Minas Gerais, para registrar a reação de plantas medicinais utilizadas por benzedeiros e raizeiros. O projeto, chamado de Ervanária Móvel, deve ter a duração de 30 dias e terá início nesta segunda (15). O objetivo é catalogar e mapear plantas medicinais em um banco de dados vivo, e contribuir para a preservação da cultura dos raizeiros na região do cerrado de Minas Gerais.

Na fronteira entre Ciência, Arte e Tecnologia, o projeto de Fernanda Rappa, Pierre Fonseca, Guilherme Cunha, Márcio Diegues e Fernanda Lopes é uma instalação sobre rodas, que contém laboratório, herbário e uma plataforma tecnológica para estudos avançados das plantas, em uma carreta rebocável.

Eles entrevistarão raizeiros, benzedeiras e mateiros e vão registrar o efeito das rezas e da “comunicação” dessas plantas com o meio ambiente. “Vamos colocar as plantas em contato com os raizeiros e ver como eles se comunicam. Vamos verificar a resposta da planta ao raizeiro”, explicou. “Os raizeiros e benzedeiras vão conversar com as plantas e vamos ver molecularmente como elas respondem”, afirma Fernanda.

“Estamos tratando de ciência, arte e tecnologia no projeto. Essas pessoas (raizeiros, benzedeiras e mateiros) não transmitem mais o conhecimento que têm para os seus filhos. Algumas plantas medicinais com princípios ativos conhecidos foram extintas. Temos de tentar preservar esse conhecimento e essas plantas”, explicou o artista plástico Pierre Fonseca.

Laboratório móvel

Os artistas vão se locomover carregando um laboratório móvel com um sistema computadorizado que possibilitará ao grupo levantar as características e alterações nas plantas medicinais, durante a expedição. A plataforma tecnológica foi pensada pelos estudantes da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) Raphael de Rocha Castro (engenharia elétrica), Vítor Medeiros Santana (automação industrial) e Raffi Antunes Braga Bomtempo (biotecnologia).

O laboratório móvel da expedição vai levantar e registrar as características e alterações biológicas de raízes e folhas, como temperatura, umidade, luz, gases e a estrutura vegetal, em tempo real.

Projeto beneficiado

O grupo apresentou o projeto “Ervanária Móvel” ao Ministério da Cultura no ano passado. Por meio do Programa Rede Nacional Funarte Visuais, o projeto foi aprovado e a equipe recebeu R$ 100 mil de patrocínio para a expedição deste ano. O grupo já gastou cerca de R$ 30 mil para preparar o laboratório móvel para a viagem. Os equipamentos e a carreta rebocável foram montados na UFMG, que disponibilizou espaço para a equipe de artistas trabalhar.

“O dinheiro que sobrou (R$ 70 mil) é curto. Vai ser apertado, mas vamos conseguir”, afirmou Fernanda. “Essa cultura tradicional surgiu com os índios da região, há mais de cinco mil anos. Devido à falta de investimentos em pesquisas e incentivo ao estudos está em perigo de extinção. Empresas e pesquisadores estrangeiros chegam ao Brasil, se apropriam desse conhecimento e geram inúmeras patentes sobre o patrimônio nacional”, afirma a pesquisadora.

Rappa explica que o grupo pretende publicar em livro (em papel e eletrônico) e em fotografias e vídeos o dia-a-dia da expedição, além dos registros e estudos sobre a “comunicação” das plantas medicinais com o meio ambiente. O grupo também pretende montar uma exposição sobre a Ervanária Móvel.



Fonte: Uol



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