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Fabricação de uma calça jeans consome 11 mil litros de água

Compartilhe:     |  9 de fevereiro de 2015

Você já parou para pensar que praticamente tudo precisa de água para ser produzido? Para fazer uma calça jeans, por exemplo, você sabe quantos litros de água são gastos? Onze mil litros. É muita água. Saiba o que alguns lugares do mundo que sofrem com a falta d’água fizeram para evitar o desperdício desse bem, que é tão precioso.

Uma força irresistível, que molda as paisagens mais impressionantes do planeta e que é a geradora de toda a vida que existe na Terra. Água nova não é criada. Nos 4,5 bilhões de anos do planeta, a mesma água circulou por todos os seres vivos. Literalmente, nós e os dinossauros bebemos da mesma fonte.

E a água em estado líquido parece um milagre. Se a Terra estivesse apenas 5% mais perto do Sol, seria um inferno, como Vênus. E se estivéssemos apenas 3% mais afastados, seria um deserto congelado, como Marte.

O planeta tem 1,4 bilhão de quilômetros cúbicos de água. Uma quantidade gigantesca, inimaginável. Mas, se desconsiderarmos a água salgada, que não podemos usar, e a água congelada nos polos, apenas 0,02% de água do planeta está disponível para bebermos, usarmos na agricultura e na pecuária. Não mais do que isso. É tudo que nós temos para usar. E usamos, e desperdiçamos, sem pensar muito a respeito. Quantos litros de água você acha que consome por dia? Vinte? Cem?

Quase tudo que comemos e usamos gasta quantidades imensas de água, consumidas pela indústria e agricultura. Acredite: para cultivar uma alface, são 40 litros. São 140 litros para fazer apenas uma xícara de café. E 3.400 litros para produzir um quilo de arroz.

A fabricação de uma calça jeans consome 11 mil litros de água. E um quilo de carne gasta inacreditáveis 15 mil litros, usados para cultivar grãos que alimentam o gado, dar de beber a ele e manter o pasto.

De outro lado, um bilhão de pessoas não têm acesso à água potável. “Eu nunca bebi água limpa na minha vida. Eu não sei que gosto ela tem”, diz a aldeã Kanouté.

Quatro mil crianças morrem todos os dias por doenças provocadas por água contaminada e muitas guerras provocadas pela água já estão sendo travadas.

O ser humano sempre se alojou em locais perto de rios e lagos, de onde podia tirar o sustento. Foi nesses locais que se desenvolveram as maiores cidades do mundo. Muitas hoje sofrem com a falta de água para sustentar as suas enormes populações. Exatamente o que está acontecendo com São Paulo e o Rio de Janeiro.

Na Espanha, a cidade de Barcelona viveu sete anos de seca. Em uma manhã em 2008, as torneiras simplesmente pararam. Cinco milhões de pessoas ficaram sem água. O governo precisou tomar uma decisão dificílima.

A Espanha tem alguns dos maiores rios da Europa. Por que não fazer um canal para levar a água até a cidade? Mas isso não era tão fácil. O delta do Rio Ebro é uma das reservas naturais mais importantes da Europa e uma das áreas mais produtivas da Espanha. Usar o rio para fornecer água para a cidade poderia ameaçar esse ambiente.

Por isso, desviar essa água estava fora de questão. A cidade fez uma opção cara, mas eficaz: uma gigantesca usina de dessalinização que transforma a água do mar em água potável. Hoje, um milhão de pessoas em Barcelona bebe água vinda do mar.

As indústrias junto com a pecuária e a agricultura são responsáveis por 94% do consumo de água no mundo. E a poluição gerada pelas fábricas atinge diretamente rios e lagos.

Em Xangai, na China, as empresas mais poluidoras foram agrupadas em um parque industrial longe da cidade. Todas foram ligadas a uma usina de tratamento de esgoto que filtra 25 toneladas de resíduos por dia. Isso permite que o maior complexo industrial do mundo devolva água limpa para o mar.

Mas não é suficiente. A China tem 20% da população mundial e apenas 7% das fontes de água. O Rio Amarelo, por exemplo, já foi bombeado até o limite para matar a sede das gigantescas cidades chinesas.

O maior projeto de barragens do mundo está em construção na China, a Barragem das Três Gargantas. Depois de pronto, vai permitir que as águas do Yang-Tsé, o maior rio chinês, sejam canalizadas para o Rio Amarelo para alimentar Pequim.

Em alguns lugares, a água é tão escassa que os homens matam por ela. No Norte do Quênia, duas tribos, os Dassaneti e os Tarcana, lutam pela última fonte de água.

“Eu já matei muitos homens. Quando estamos pastoreando nossos animais estamos sempre armados”, diz o pastor Emase Epuyo.

Uma semana depois que as imagens foram feitas no local, 13 desses homens foram mortos na luta pela água.

No Sudão do Sul, uma máquina gigantesca provocou outra guerra. Ela cavava um canal que iria desviar o Rio Nilo de uma região de pantanais. Com isso, forneceria mais água para 80 milhões de pessoas nas cidades do Egito. O pantanal iria secar.

O povo que vive lá, os dinkas, se revoltou. A luta interrompeu as obras. E hoje a imensa escavadeira está enferrujando. Um monumento à guerra pela água.

Mesmo onde a água parece abundante, o acesso a ela pode ser complicado. No Camboja, o problema não é a falta d’água, mas a poluição dos mananciais. O exemplo da capital, Phnom Penh, é muito parecido com o das periferias pobres do Brasil. Sem saneamento básico, as pessoas contaminavam a própria água com o esgoto de suas casas.

“Oitenta e cinco por cento da água do mundo é jogada fora sem ser tratada. Nós envenenamos a nós mesmos”, afirma o engenheiro Ek Sonn Chan.

O engenheiro recebeu do governo uma missão que parecia impossível: foi chamado para universalizar o acesso à água limpa na cidade. Em 1993, apenas 20% da população tinham água encanada, e, mesmo assim, só durante dez horas por dia.

Foi preciso muito trabalho, grandes obras, planejamento. Esforço do governo e também de voluntários. Hoje, na capital do Camboja, 90% das pessoas têm água encanada.

Quase um quarto da população mundial não tem acesso à água tratada e a saneamento básico. Em qualquer país, pobre ou rico, o equivalente a cada real investido em saneamento economiza o equivalente a R$ 30 em gastos com saúde pública. É simples: com água limpa, menos pessoas ficam doentes.

No Oeste dos Estados Unidos, as cidades cresceram bem mais do que o clima semiárido permitiria sustentar. A água ficou tão cara que um novo negócio foi criado. Para os fazendeiros, é mais lucrativo vender a água das suas propriedades do que as colheitas. O solo agora está abandonado e seco. A água da fazenda mostrada no vídeo foi vendida por milhões de dólares. E a família de agricultores abandonou a terra.

“O preço da água vai aumentar ano a ano. E mais pessoas vão vender a água”, explica o cientista ambiental Peter Gleick.

Mas um problema aflige agora algumas cidades mais ricas dos Estados Unidos.

“Se vendermos toda a água para o consumo das cidades, não poderemos cultivar alimentos suficientes para alimentar a população”, diz Peter Gleick.

No planeta que é azul visto do espaço, 1 bilhão de pessoas não têm acesso à água potável e 4 mil crianças morrem todos os dias por causa da poluição da água. Um desafio que nos obriga a repensar como usamos o recurso que garante a vida para o planeta.



Fonte: Fantástico



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