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Falar de nós, falar dos nossos e da tecnologia para defender nossas florestas

Compartilhe:     |  26 de maio de 2019

por Samyra Crespo – 

Esta semana me deu enorme prazer ver e ouvir um dos maiores ambientalistas desse país no programa da Miriam Leitão- na GloboNews, Tasso Azevedo.

Com tranquilidade e segurança ele descreveu para o público leigo a mais nova ferramenta desenvolvida com o apoio tecnológico do Google para identificar – em tempo real e com precisão – os focos de desmatamento em TODOS os biomas brasileiros. Estamos falando de todos: Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga, Campos do Sul, Pantanal, Amazônia, todo o território brasileiro. Além do tempo real e da precisão a ferramenta traz quadros comparativos – permitindo ver como está se dando, ano a ano, a conversão de florestas em pastagem ou agricultura. E se o desmatamento é recente ou consolidado. Mapping Biomas é uma plataforma pública. Pode ser usada pela sociedade civil, pelas empresas e bancos que não desejam se associar a grileiros e desmatadores, e também pode ser usada para tomada de decisão pelos governos estadual, municipal e federal. Também fornece laudos e relatórios para o Ministério Público Federal ou para outras instancias da Justiça.

É extraordinária contribuição metodológica e tecnológica contra o desmatamento ilegal e predatório. E pode ser utilizada pelo IBAMA principal órgão de comando e controle do estado brasileiro.

Agora só a falta de vontade política e a má fé podem explicar a inação ou à omissão em relação à destruição dos nossos biomas.

Diga-se de passagem que o monitoramento de florestas vem sendo desenvolvido no Brasil desde 1975 com significativos avanços. Agora dispomos da mais alta e refinada tecnologia. Gratuitamente.

Tasso de Azevedo montou o Serviço Florestal Brasileiro e foi um dos responsáveis pelo desenho e negociação do Fundo Amazônia. Ligado à liderança política da Marina é um dos quadros mais qualificados do ambientalismo brasileiro.

Ele confirmou em sua entrevista, ontem, que este GOVERNO???? – com sua agenda hostil ao meio ambiente vem dando sinais nefastos aos empresários do mal e os estimulam à grilagem de terras, invasão de reservas indígenas e desmate de arrasto para vender a madeira. Como sempre, a Amazônia – pela dificuldade das operações fiscalizadoras — é o principal foco da bandidagem. E para variar o Pará lidera as frentes de desmatamento.

Temos apontado com insistência que a agenda ambiental deste governo — com um ministro improbo e desqualificado – é atrasada e contraria os interesses brasileiros. Sequestra nosso futuro.

Não podemos tolerar este retrocesso. E agora contamos com poderosa tecnologia e mecanismos legítimos como o CAR – Cadastro Ambiental Rural para agir com responsabilidade – premiando e aplaudindo o bom agronegócio. Identificando, igualmente, aqueles que se beneficiam de crimes e impunidade.

É hora de irmos com tudo pra cima do Parlamento. Mobilizar a sociedade e o MP para
Impedir mais retrocessos e fazer valer o Código Florestal.

Obrigada Tasso por sua clareza, compromisso e seriedade.

Este texto faz parte da série sobre o ambientalismo brasileiro que venho publicando, desde abril, no site Envolverde/Carta Capital

Samyra Crespo é cientista social, ambientalista e pesquisadora sênior do Museu de Astronomia e Ciências Afins e coordenou durante 20 anos o estudo “O que os Brasileiros pensam do Meio Ambiente”.



Fonte: Envolverde - Dal Marcondes



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