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Falésias cearenses sofrem com degradação e riscos de acidentes são constantes, alerta especialista​

Compartilhe:     |  18 de novembro de 2020

Na manhã da terça-feira (17), um deslizamento de parte de uma falésia na praia de Pipa, no Rio Grande do Norte, ocasionou a morte de três pessoas por soterramento. O acidente acende um alerta sobre as falésias cearenses, distribuídas em todo o litoral e consideradas atração turística do Estado. Especialistas destacam que esses monumentos naturais tem sofrido com a degradação constante, aumentando assim o riscos de desabamentos.

“Pode ocorrer esses acidentes aqui, com certeza. Estamos falando de uma forma de relevo que está disposto no nosso litoral, é um sistema dinâmico, especialmente quando falamos de falésias vivas, que são essas que tem em Jericoacoara, Beberibe e litoral de Caucaia. Essas falésias elas sofrem com o processo dinâmico de ação do mar na sua base. É a ação marinha que vai desgastando a base da falésia e auxiliando problemas como o que ocorreu na praia de Pipa, no dia de hoje (17)”, aponta o professor Davis Pereira de Paula, vice-coordenador do Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Estadual do Ceará (Uece),

Quanto a ação turística nos locais, Pereira ressalta o avanço do processo de desgaste. “A gente já tá em um ambiente de fragilidade, se você tem o uso desordenado isso vai trazer impactos, como desagregamento das partículas da própria falésia. O grande charme de se visitar as falésias, é ir até a sua escarpa e tirar uma foto pegando o mar ao fundo, só que ali é uma área de risco onde pode ter um processo de colapso da falésia”.

Identificar riscos

Conforme explica Rhaiane Rodrigues, doutoranda em Ciências Marinhas Tropicais do Instituto de Ciências do Mar (Labomar), da Universidade Federal do Ceará (UFC), é possível identificar quando uma falésia está preste a desmoronar, observando a estrutura da parte superior onde tem a maior inclinação. “Se você for em uma praia com falésias e identificar que na escarpa a base está um pouquinho para dentro, como se fosse uma minicaverna, não fique perto, porque em pouco tempo, a gente não consegue saber exatamente em quanto tempo, ela vai desmoronar”, alerta.

Ações para evitar acidentes​

De acordo com o Professor Jeovah Meireles, do Departamento de Geografia da UFC, algumas inciativas podem ser tomadas para prevenir acidentes. “Essas áreas, agora principalmente, devem ser definidas em mapas, com escala de detalhes e com análise da evolução espaço temporal do recuo da falésia”, pontua. “Dá para se contar a frequência de desmoronamento e deslizamento com as ferramentas que já temos”, complementa.

“É importante definir áreas de acesso livre e restrito, e definir essas restrições desde o menor risco até o risco máximo”, enfatiza Meireles. O professor Davis Pereira de Paula também acredita que investir no mapeamento, monitoramento e sinalização é a saída para que acidentes com vítimas não ocorram. “A sinalização é algo muito importante quando se fala de ambientes costeiros, pois é algo muito dinâmico. Na falésia, se você não tem uma placa indicando que é uma área de risco, sujeita a mudanças muito rápidas e bruscas, que podem ocasionar o desmoronamento de blocos, então pode levar a pessoa entender que é um local seguro”.

Fiscalização em falésias​

Responsável pela fiscalização em áreas de falésias, a Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace) destaca restrições a diversas atividades nessas áreas, como retirada ou desmonte das formações geológicas, incluindo a vegetação que as protegem e/ou circundante, natural ou não;  construção;  realização de obras civis, de terraplenagem, a abertura de vias ou o cercamento sobre as formações geomorfológicas que compõem as falésia; entre outras atividades danosas previstas na legislação ambiental.

“Nessas áreas existem algumas exceções do que pode fazer, como obras de interesse social e atividades de baixo impacto. A Semace tem obrigação por fiscalizar qualquer infração ambiental que atinja uma área de preservação permanente, o nosso objetivo [com a fiscalização] é preservar a falésia, não necessariamente evitar acidentes, mas tendo em vista a importância dessas áreas para o meio ambiente”, explica Pablo Mapurunga,  gerente de execução de fiscalização da Semace.

Em sua página, o órgão enfatiza que “a colaboração da sociedade é imprescindível na gestão desta unidade de conservação, denunciando as agressões ao meio ambiente e adotando atitudes que propiciem o desenvolvimento de uma consciência ecológica na população e nos visitantes”.

Já Secretaria do Meio Ambiente (Sema) informa que detém a gestão de algumas unidades de conservação que têm falesias em seu território, como Monumento Natural das Falésias de Beberibe, Apa da lagoa do Uruaú e Apa das Dunas da Lagoinha. Além disso, destaca que o Zoneamento Ecológico Econômico está sendo realizado sob coordenação da Sema, e estabelece diretrizes de ordenamento e gestão do território, com base nas características naturais.

“Cabe mencionar que as falésias vivas são consideradas Áreas de Preservação Permanente – APP, de acordo com a Lei Estadual 13.796/2006, art. 14. Por isso é muito importante que instrumentos de gestão de território (ZEEC, PLANO DIRETOR etc.) sejam efetivamente norteadores de um crescimento ordenado e sustentável em cada território municipal, resguardando os atributos naturais relevantes”.



Fonte: Diário do Nordeste



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